Aberta a temporada de caça aos Elefantes Brancos

Cá entre nós, 2016 não foi fácil para ninguém e 2017 não parece estar prometendo muita coisa ainda. A única certeza para o próximo ano é que o Rio passará por uma grande mudança de gestão. Depois de sucessivas administrações na mesma linha política focada em obras de desenvolvimento, com César Maia, Conde e Eduardo Paes, teremos uma Prefeitura ideologicamente diferente com Crivella. Este novo prefeito, em sua campanha, defendeu que é hora de cuidar das pessoas, em uma plataforma diferente, de que o carioca não aguentava mais as obras, e que agora é preciso dar atenção ao povo.

Sem juízo de valor, sobre o que deve ou não ser feito, mesmo que se cuide das pessoas, devemos ficar de olhos abertos para uma prática comum na política brasileira, a de descontinuidade, ou seja, a gestão seguinte abandona tudo de bom que foi símbolo da gestão anterior para criar a sua marca.

Espero que o novo prefeito se lembre que a cidade que sofreu com obras, agora recebe como benefício diferentes aparelhos: O parque Olímpico, o Parque de Deodoro, o Parque de Madureira, o VLT, o Boulevard Olímpico e a Orla Conde, que pude visitar recentemente.

Nessa visita, fiquei impressionado como um local que durante as Olímpiadas hospedou a Pira e ficou lotada de gente, hoje sofre de solidão. A falta de pessoas para atrair comércio, e de comércio para atrair pessoas, transformou o lugar em uma das mais belas paisagens fantasma da cidade, com a utilidade de uma rota entre a Praça XV e a Praça Mauá, correndo o risco de virar mais uma das praças abandonadas da cidade.

Este território que pode ser explorado de muitas formas, encontra-se ao lado da Candelária, do CCBB, da Praça XV e do Museu Naval, um espaço que precisa ter uma finalidade, um objetivo. Artistas poderiam tocar para pessoas na rua, foodtruks poderiam alimentar o visitante, exposições ao ar livre poderiam atrair aqueles que passam entre uma ponta e outra do Porto Maravilha.

Mas, esse futuro do pretérito é conjugação daquilo que não foi. Aquele espaço, talvez um pequeno nada incrustado entre o centro da Cidade e baía de Guanabara é apenas uma amostra de como o Rio não está se pensando, se trabalhando e se moldando para os próximos anos.

Pensar na cidade de forma inteligente, desde a Orla Conde até Santa Cruz é um exercício imediato. Afinal, o Brasil durante a Copa e as Olimpíadas provou ser capaz de realizar grandes obras, mas não parece trabalhar no interesse de que esses espaços, desde estádios arenas e parques, sejam auto sustentáveis. Não podemos deixar a cidade se tornar uma criação de elefantes brancos.

Voltando à 2017, a crise política e econômica mostra seus reflexos no desemprego, no bolso e nosso cotidiano. Por isso mesmo, espero que o nosso novo Prefeito entenda que dar atenção aos espaços, é cuidar das pessoas que podem tirar dali seu sustento, podem ter um espaço de lazer para sua família, podem ajudar a desenvolver uma região da cidade.

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Roberto Sá Filho16 Posts

Diretor de Criação da MESA Comunicação e professor da ESPM – RJ. É graduado em Publicidade e Propaganda, Pós-Graduado em Marketing Digital e Mestrando em Gestão da Economia Criativa. É também apaixonado pelos seus filhos Théo e Sophia e pelo Rio de Janeiro.

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