As Cervejeiras Cariocas - Di√°rio do Rio de Janeiro

As Cervejeiras Cariocas

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Um dia alguém disse que mulher bebendo é feio, sabe nada.

Dizem que lugar de mulher √© no fog√£o, s√≥ se for fazendo cerveja meus caros vou apresentar aqui para voc√™s mulheres t√£o fortes quanto a cerveja que voc√™ bebe. Aqui tem m√£e, empres√°ria, estudante, filha, campe√£ de concurso cervejeiro, s√£o mulheres que batalham o dia todo, mas tem um amor gigante pela cerveja.¬†Afinal, a planta que d√° origem a flor de l√ļpulo √© uma planta di√≥ica, e isso quer dizer que ela tem plantas macho e plantas f√™mea. Somente a planta f√™mea interessa aos cervejeiros.

Na Babil√īnia e na Sum√©ria, por volta do ano 4.000 a.C., as mulheres cervejeiras (Sabtiem) tinham grande prest√≠gio e eram consideradas pessoas especiais, com poderes quase divinos.

Grupo de mulheres cervejeiras se re√ļne para formar confrarias, fazer cerveja boa e encher os bares cervejeiros, sommeli√©res de cerveja, cervejeiras caseiras, entusiastas e amantes de um bar com boas cervejas, sim a mulherada est√° na √°rea e fazendo bonito esque√ßa o clube da Luluzinha ali elas metem a m√£o na massa e bebem bastante. No m√™s passado. um grupo de mais de 20 mulheres as Cervejeiras Cariocas, se reuniu para degustar a primeira cerveja feita pelo grupo, uma cerveja do estilo IPA que, para muitos ignorantes, n√£o √© cerveja para mulheres. Mas as Cervejeiras Cariocas dominam no peito essas palha√ßadas cervejeira e saem jogando e bebendo.

O grupo foi fundado em dezembro do ano passado e depois de alguns encontros e acertos no grupo elas colocaram a m√£o na massa e sua primeira cria√ß√£o nasceu a Cervejipa Carioca.¬†√Č isso mesmo, uma IPA feita por elas e com tudo que tem direito para ser uma IPA de respeito. A cerveja caseira, que foi degustada na Salutem Cervejas,¬†local de encontro das meninas, √© tipo um QG das Cervejeiras Cariocas e comandado pela Mestre em Estilos, ¬†Alessandra Rocha.

Com certeza a cerveja tem o poder de unir as pessoas, os amigos, a fam√≠lia e tamb√©m uniu essas mulheres que passaram por cima do preconceito e est√£o fazendo bonito. Se revirarmos a hist√≥ria da cerveja veremos o quanto foi fundamental o papel da mulher para a cerveja desde o in√≠cio cervejeiro, elas estavam envolvidas. Nos tempos antigos a cerveja era uma atividade do lar e quem cuidava da casa era a mulher, sendo assim quem tamb√©m fazia a cerveja eram elas. Em uma breve pesquisa bem superficial, voc√™ consegue descobrir v√°rios relatos da import√Ęncia da mulher no meio cervejeiro.

  • At√© o s√©culo XVI, na regi√£o norte da Alemanha, os utens√≠lios para produ√ß√£o de cerveja faziam parte do enxoval das noivas.
  • No s√©culo XIX, na prov√≠ncia de Mecklembourg, ainda era tradi√ß√£o que a rec√©m-casada recitasse:
    ‚ÄúMeu Deus, ajude a cerveja quando eu a produzir, ajude o p√£o quando eu o amassar‚ÄĚ.
  • Em algumas culturas a cerveja era considerada m√°gica ou divina e, talvez por causa da maternidade, a mulher sempre esteve associada a essa capacidade de transformar cereais em alimentos:
  • Segundo uma lenda escandinava, o guerreiro morto em combate conseguiria a imortalidade se tivesse bebido cerveja feita pelas Valqu√≠rias.
  • Entre os vikings, era lei que somente as mulheres podiam produzir cerveja, e todo o equipamento usado para esse fim era propriedade exclusiva da cervejeira.
  • Na cultura inca, antes de serem oferecidas em sacrif√≠cio ao deus Sol, as virgens preparavam para o Imperador uma cerveja de milho, chamada chicha.
  • Catarina, mulher de Martinho Lutero, o pai da Reforma Protestante, era famosa cervejeira, tendo aprendido o processo de fabrica√ß√£o em um mosteiro.
  • Na Idade M√©dia, uma boa cervejeira era tida em alta conta: o rei Alreck de Hordoland escolheu Geirheld para ser rainha n√£o por apar√™ncia ou por seu dote, mas porque era famosa por seus dons cervejeiros.
  • Na Inglaterra, as boas esposas cervejeiras eram t√£o populares que muitas pessoas iam at√© suas casas para aproveitar a hospitalidade regada a v√°rios copos da bebida.
  • Registros do s√©culo XII, de uma pequena cidade inglesa, mostram que somente 8% dos cervejeiros locais eram homens. Al√©m disso, como era permitido vender o excedente de produ√ß√£o, as senhoras come√ßaram a explorar suas habilidades como um neg√≥cio que se tornou um importante complemento financeiro para a fam√≠lia.

Fonte Google ‚Äď vai l√° e procura. ¬†

Dienne Lima

Dienne Lima, uma das fundadoras do grupo, junto com Dani, Livia, e Milena já nos adiantou que a próxima cerveja já tem data para começar a ser produzida. De confraria de bebedoras a futuras competidoras, essa é uma das ideias das Cervejeiras Cariocas.

Dica da Sommeli√©re ‚Äď Com Francesca Sanci

A  cerveja que decidi falar hoje foi a Dama Y-iara, uma cerveja sazonal colaborativa da Dama Bier com a Cervejaria Nacional. Apesar de ter degustado a muito tempo, lembro que o ponto alto foi não só a proposta da cerveja como também a harmonização maravilhosa que encontramos pra ela! A Dama Y-iara é uma Imperial Pilsner de coloração dourada que possui aromas florais, frutados e levemente cítricos. Na boca a cerveja é refrescante, apresenta um corpo leve pra médio e amargor médio que sobressai sobre o leve dulçor da cerveja.

A harmoniza√ß√£o desse dia foi com um Espaguete √† Carbonara! Esse prato √© extremamente gorduroso gra√ßas aos ingredientes base: Ovo, bacon e queijo.¬† Apesar disso, ele n√£o possui sabores muito intensos e nesse caso exige uma cerveja que n√£o ‚Äúroube a cena‚ÄĚ. Logo, podemos dizer que a cerveja harmoniza perfeitamente por corte com o prato gra√ßas ao seu amargor, que diminui a sensa√ß√£o gordurosa da prepara√ß√£o e tamb√©m limpa o paladar. A harmoniza√ß√£o tamb√©m acabou sendo por complementa√ß√£o gra√ßas aos aromas lupulados da cerveja que agiram como um tempero para ao bacon e aos demais ingredientes.

Quer fazer uma harmonização parecida? Experimente com uma Session Ipa! E por que não com uma Cerol Fininho?

Se fizer essa harmonização, não esqueça de nos contar o que achou!

 

Fl√°vio Lima
Flávio Lima é cervejeiro caseiro e administrador do Instagram Bares cariocas. Triatleta de garfo, faca e copo com mais de 400 bares visitados, tem um imenso amor a boemia carioca do Pé sujo ao PUB. Formado em botecoterapia e usuário de doses nada homeopáticas do líquido sagrado, segue de bar em bar evoluindo e compartilhando a cultura de boteco, em especial o maravilhoso mundo das cervejas artesanais.
Fl√°vio Lima

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