Bela e a Fera: o empoderamento feminino chegou à Disney - Diário do Rio de Janeiro

Bela e a Fera: o empoderamento feminino chegou à Disney

0

Diretor: Bill Condon
Elenco: Bela РEmma Watson, Lumi̬re РEwan McGregor, Horloge РIan McKellen , Madame
Samovar – Emma Thompson, Fera- Dan Stevens , Gaston – Luke Evans, LeFou – Josh Gad
Be Our Guest: música do jantar

Devo começar essa resenha alertando-os de que ela não se trata de um comparativo com a animação de 1991 que comoveu o público. Eu tinha simplório um ano de idade e por motivos óbvios os detalhes fogem a lembrança, por isso é importante lembrá-los de que a crítica a seguir se concentra no filme atual.

É curioso notar que, mesmo em tempo de ativismo latente, os clássicos da Disney conseguem causar extremo alvoroço principalmente entre o público não infantil. Milhares de pessoas que cresceram com essas histórias se regozijam a cada anúncio de refilmagem do seu desenho preferido.

Entretanto, isso por si só não basta pra arrecadar enorme bilheteria. É preciso um trabalho cuidadoso e criterioso em escolher os atores certos, vide o exemplo de Cinderela que apesar de toda a pompa e circunstância do cenário e figurino não causou nem metade do auê de A Bela e a Fera. Emma Watson sem dúvida foi o grande trunfo do live action, embora passe longe de ser a melhor atuação do filme.


A escolha da atriz, notória ativista feminista, para interpretar uma donzela prisioneira que em seguida se apaixona pelo seu algoz, poderia ser um tiro no pé na carreira política da moça, já que o velho debate sobre a Síndrome de Estocolmo sempre vem à tona quando se fala de Bela e a Fera.

A história já começa enfatizando o fato de Bela ser uma menina incomum no vilarejo em que mora com o pai.
Por onde passa cochichos sobre quão esquisita é aquela menina que vive com a cara enfiada nos livros e se recusa a casar com o cara mais desejado da província, Gaston, muito bem interpretado por Luke Evans (quase me convenci que ele deve ser assim na vida real também, de tão bem que lhe caiu o papel).

Em duas canções, Bela demonstra a insatisfação que teria se fosse obrigada a aceitar uma vida provinciana.
Inclusive, é exatamente esse o ponto que a leva a se apaixonar pela Fera posteriormente. Diferente do que se apregoa por aí, o que eu entendo da situação não é uma mocinha esperando por um príncipe se sujeitando a um relacionamento abusivo para se casar a qualquer custo. Muito pelo contrário, o filme deixa claríssimo que o interesse da moçoila só desperta quando descobre a bela biblioteca da Fera e percebe a infinidade de possibilidades que vêm atreladas a ele como viajar pra onde quiser, ler o que quiser, comer o que quiser…

É exatamente a possibilidade de poder, finalmente, ser quem ela é que a atrai para aquela nova realidade. Não à toa, quando conquista a sonhada liberdade retorna sem pensar para salvar o amado e livrá-lo da fúria das pessoas de vida ordinária da vila.


O filme acerta também em enfatizar o amor entre pai e filha de forma lúdica, sincera e comovente.  Arrisco dizer que Bela e Maurice e Madame Samovar e Zip (as xícaras mãe e filho) conseguem arrancar sinceras lágrimas dos corações mais sensíveis e atentos. Nada mais lindo do que relações maternais e paternais.

Por falar nos objetos falantes, deem a eles, junto com o personagem (gay) Le Fou, os créditos por carregarem boa parte do filme. Embora Emma seja o trunfo para atrair o público às salas do cinema, são eles os responsáveis por segurarem esse mesmo público até o final. A figura de Josh Gad (Le Fou) poderia ser mais bem aproveitada, seu carisma é capaz de fazer o mais ranzinza e homofóbico dos sujeitos a dar uma risadinha de canto de boca.

Aliás, a Disney ousou três vezes nesse filme: empoderamento feminino com uma personagem central forte, corajosa e destemida, ao retratar a sexualidade sempre existente e enrustida de Le Fou e até com um personagem travesti. Terem conseguido tratar com tanta naturalidade um tema delicado como a homossexualidade no universo infantil nos leva a crer que os tempos definitivamente estão mudando.

Mostrar às crianças que isso é algo que elas podem encarar com tranquilidade sem grandes alardes e drama deveria servir de consolo aos pais e não lamento. Pra finalizar, o longa é um musical que no quesito musica apresenta poucas inovações, e excetuando “be our gest” as faixas causam pouco impacto e emoção. Nem mesmo o tema principal consegue acelerar o coração.

Figurinos e cenários foram bem projetados e trabalhados pra trazer o universo lúdico do clássico aos personagens reais. Seria injustiça afirmar com todas essas pontuações acima que o filme é mais do mesmo.
Consegue empolgar na medida certa e com certeza atingirá seu objetivo principal que é o de arrecadar milhões.

Natalia Alves
Carioca de 26 anos, apaixonada por cinema, gastronomia, viagens, livros e sua família. Troca qualquer balada por uma sessão de cinema e adora o gênero drama, pois assim consegue se esquecer dos seus próprios. Se emociona em todas as aberturas dos filmes (até os do Adam Sandler. Mentira!) Administra a página @oquefazernorio no Instagram e Youtube e a página @ondecomernorio com dicas gastronômicas da Cidade Maravilhosa!
Natalia Alves
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Comente