A Colômbia que o Rio de Janeiro poderia ser

Quando falamos em Colômbia, ainda nos vem à cabeça?

1) Pablo Escobar, com a cara do Wagner Moura em Narcos ainda por cima?
2) Valderrama e sua histórica cabeleira ?
3) Shakira?

Em breve isso irá mudar, a Colômbia será conhecida e reconhecida pela sua criatividade e pelas ações criativas, focadas no desenvolvimento social, que estão ajudando centenas de pessoas a terem uma vida mais digna.

Mas antes de falar do que acontece hoje, vamos voltar um pouco no tempo para entender porque nós cariocas somos tão parecidos com esses vizinhos sul americanos.

Conhece algum lugar que foi dominado pelo poder paralelo durante décadas? Um lugar com excesso de violência, gerada principalmente pela influência do tráfico de drogas e que fizeram com que as economias locais entrassem em declínio, colocando a maior parte da população em realidade social bem triste? Devastados ainda pela miséria e sem perspectiva de crescimento?  Esse lugar poderia ser o Rio de Janeiro ou a Colômbia. Colocam-se ainda nessas similaridades, a força das culturas locais, o amor pela música, dança e futebol.

A diferença é que a Colômbia hoje, com a “trégua” da FARC, começa a ressurgir no cenário como polo de criatividade e inovação. Obviamente que locais pobres como os nossos não terão muitas oportunidades de inovações tecnológicas, mas são propícios às inovações sociais e culturais.

Para não ficarmos só no campo da teoria, alguns exemplos práticos são bem emblemáticos, como as bibliotecas Parques da Colômbia, que já foram inclusive “copiadas” aqui pelo governo do Estado, com unidades em Manguinhos, Rocinha e Centro (mas já descontinuaram o funcionamento), e que dá acesso à conhecimento e cultura para jovens carentes.

Mas, o que impressiona, são os surgimentos de manifestações populares, algumas vezes com apoio da iniciativa privada. O projeto Lloro de Lloró (vídeo abaixo) , onde a cidade que tem esse nome de “choro” pelas intensas chuvas da região, conseguiu uma usina de tratamento de água engarrafando chuva e vendendo. Isso mesmo, os habitantes locais, com apoio de uma empresa privada, engarrafam a chuva que dá fama à cidade, customizam  as garrafas e vendem como souvenir. Um projeto simples que trouxe benefícios para a população local.

Outra iniciativa bacana foi na comunidade de Chocó, o projeto “Chocó to Dance” (vídeo abaixo) , desenvolvido com argumento bem bacana – Americanos e europeus têm acesso à educação, o povo de choco não. Ao mesmo tempo que o povo norte-atlântico não sabe dançar, algo que qualquer pessoa em Chocó faz muito bem.- o site do projeto oferece mais de 100 aulas de danças online, ministradas e estreladas por moradores dessa comunidade carente. A verba obtida pelos 10 dólares de anuidade, é revertida diretamente em bolsas de estudo. Ou seja, a alegria, a dança e a criatividade que sobram por aqui, sendo explorada de forma inteligente pelo povo de lá.

A Colômbia é berço ainda de outras iniciativas interessantes, criativas e sociais, são como o “Livesaver Backpack”, mochilas escolares com salva-vidas para crianças de regiões ribeirinhas e o “El Baligráfo”, que transforma projéteis em canetas como símbolo de uma nova Colômbia, que já segue no caminho que deveríamos seguir.

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Roberto Sá Filho16 Posts

Diretor de Criação da MESA Comunicação e professor da ESPM – RJ. É graduado em Publicidade e Propaganda, Pós-Graduado em Marketing Digital e Mestrando em Gestão da Economia Criativa. É também apaixonado pelos seus filhos Théo e Sophia e pelo Rio de Janeiro.

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