Corrupção: o Rio não aguenta mais

Mais uma vez os cariocas acordaram com as notícias de que um esquema de corrupção teria sido descoberto e os responsáveis estariam sendo detidos pela Polícia Federal. Os termos já passaram a ser comuns no cotidiano do Rio de Janeiro: propina, favorecimento, desvio, prisão preventiva, mandado de busca e apreensão, organização criminosa, superfaturamento. Fazemos praticamente um curso de direito penal por ensino à distância. Ou nem tanto à distância assim.
Enquanto as empresas de ônibus questionam as decisões judiciais que obrigam a redução dos preços das passagens, alegando que nesse cenário o sistema de transporte gerará altos prejuízos e entrará em colapso financeiro, as investigações mostram que existiriam esquemas onde autoridades seriam subornadas para defender os interesses dos empresários do setor. Não há dúvida de que essas informações, que correm na boca do povo há anos, somadas ao serviço de baixa qualidade prestado, fazem com que a população não tenha nenhuma simpatia pelos argumentos da Rio Ônibus e da Fetranspor.
Mas não é só na mobilidade urbana e nos transportes que a corrupção faz suas vítimas diárias. A corrupção mata na saúde, a corrupção destrói futuros na educação, a corrupção gera doenças no saneamento, a corrupção polui no meio ambiente e, como temos visto diariamente, a corrupção também assassina, rouba e estupra na segurança pública. 
Enquanto os cariocas vão se desgastando e perdendo as esperanças com a repetição contínua de casos cada vez mais inacreditáveis e revoltantes, o Rio vai perdendo empregos, turistas, recursos, investimentos e até vidas presentes e futuras. As energias do nosso povo vão sendo drenadas. Nossa qualidade de vida vai sendo prejudicada. Nossa fé em um futuro melhor vai sendo desafiada diariamente.
Mas não podemos nos conformar. De forma alguma. É preciso aplaudir o combate à corrupção e compreender que finalmente as verdades estão vindo à tona. Melhor que seja assim do que ficarem ocultas. A punição precisa vir, seja para quem for, para qual grupo for, para qual partido for, para Executivo, Legislativo e também Judiciário. Precisamos manter nossa esperança de que é possível ter uma cidade e um estado melhores e fazer nossa parte nas urnas, com responsabilidade, em 2018. Devemos votar em busca de honestidade e de conteúdo e não de benesses pessoais, normalmente oferecidas justamente por aqueles que, posteriormente, nos abandonarão e enriquecerão durante os anos seguintes. 
 Por outro lado, nós mesmos temos que abandonar as pequenas corrupções do dia a dia. É fácil simplesmente criticar aqueles que fizeram, em posições de comando, o mesmo que muitos outros fariam se ocupassem os mesmos cargos. A sociedade também precisa praticar a mudança que deseja ver em seu entorno. E de forma urgente, pois o Rio não aguenta mais.
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Bruno Kazuhiro93 Posts

29 anos, é formado em Direito pela UFRJ, Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ e Presidente Nacional da Juventude do Democratas. Além disso, é coordenador de Juventude da União de Partidos Latino-Americanos e Presidente Adjunto da Juventude da União Democrata Internacional.

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