Crítica: Extraordinário: uma aula de gentileza aos adultos

Muitos acreditam que Extraordinário é um filme basicamente infantil, embora as salas dos cinemas estejam lotadas de adultos. O fato de existirem muitas exibições dubladas me levou a imaginar que tipo de público alvo a distribuidora do filme queria alcançar. Ao reparar as reações nas cadeiras de pais e adultos em geral, pude constatar: Extraordinário os atingiu em cheio.

Primeiro porque, apesar do filme ser conduzido por crianças a maior parte do tempo – salvo as cenas com a irretocável Julia Roberts que, excetuando o pequeno Tremblay (Auggie) com quem formou uma dupla imbatível e deliciosa de assistir, ofuscou todos os demais com quem contracenou, inclusive Wilson (Nate) – e a linguagem ser leve e descontraída, a mensagem do bullying toca diretamente o coração dos pais. Esses que se esqueceram de como eram os primeiros dias de volta às aulas e cometem lapsos na criação dos filhos ao se esquecerem também de ensinar-lhes ética e cidadania.

Em tempos que alguns bradam aos quatro cantos que “hoje tudo é bullying” e “na minha época não era assim”, o filme é cirúrgico em ir ao cerne dessa questão. Ao mostrar que os filhos são os retratos dos pais e doam o que recebem dentro de casa, Extraordinário traz a luz a ingenuidade e a pureza da criança. Note a cena em que o “mauricinho” do grupo se desculpa com o diretor da escola pelas maldades que praticou com Auggie. Ele de fato o sente.

Ao contrário do que parece no início, o longa não peca em trazer um clima denso demais ao enredo, o que é ótimo. As tiradas cômicas alternadas com momentos emocionantes e a narração a partir do ponto de vista das crianças e adolescentes principais da trama garantem a leveza e descontração de um filme que não parece ter pretensões muito altas como ganhar uma indicação ao Oscar, por exemplo. Em caso remoto, eu apostaria em Julia Roberts e Tremblay, esse último o melhor ator da sua geração sem nenhuma sombra de dúvidas.

E por falar no ator mirim, que criança extraordinária! Tenho cá minhas ressalvas pela escolha porque penso que, para representatividade, seria mais coerente escalar um ator com a deformação ao invés de submeter ao menino horas exaustivas de maquiagem, porém sou muito fã dele. Em ‘O quarto de Jack’ me apaixonei tremendamente pela intensidade com que se entrega aos papéis e não foi diferente nesse. É um talento assombroso!

Para quem está passando por algum momento difícil e busca uma boa distração, vá aos cinemas e aproveite esse filme delicioso. A sensação é de sair revigorado e com um pouco mais de fé na nossa humanidade e nas nossas crianças.

Elenco: Julia Roberts (Isabel Pullman); Owen Wilson (Nate Pullman) ; Jacob Tremblay (Auggie Pullman); Sonia Braga (Mãe de Isabel); Izabela Vidovic (Via Pullman).
Direção: Stephen Chbosky
Gênero: Drama
Duração: 113 min.
Adaptação da obra de R.J Palacio (2012).
Sinopse: Auggie é uma criança que possui uma deformação facial fruto de uma doença rara e experimenta pela primeira vez aos 10 anos a sensação de encarar o temido ensino fundamental.

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Natalia Alves21 Posts

Carioca de 26 anos, apaixonada por cinema, gastronomia, viagens, livros e sua família. Troca qualquer balada por uma sessão de cinema e adora o gênero drama, pois assim consegue se esquecer dos seus próprios. Se emociona em todas as aberturas dos filmes (até os do Adam Sandler. Mentira!) Administra a página @oquefazernorio no Instagram e Youtube e a página @ondecomernorio com dicas gastronômicas da Cidade Maravilhosa!

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