Crivella não tem vontade de ser prefeito - Diário do Rio de Janeiro

Crivella não tem vontade de ser prefeito

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Não tem uma história que diz que quando você persegue muito algo, quando consegue alcançar não sabe o que fazer com ela? Essa é minha impressão com o governo de Marcelo Crivella até o momento. Depois de várias tentativas frustradas para o Executivo, quando finalmente venceu, parece não saber o que fazer.

A situação é tão impressionante que o jornalista Alexandre Borges fez uma piada e perguntou quando começa o governo de Crivella.
Um dos maiores sinais é a falta de respeito com algumas tradições da cidade, como a entrega da chave ao Rei Momo no Carnaval. Na cerimônia, com jornalistas, políticos e eleitores, ele se atrasou duas horas, avisou que não ia e mandou a secretária de Cultura em seu lugar. Teve até quem dissesse que os problemas que tantas escolas sofreram neste ano foi devido a má sorte nesta quebra de tradição.
De acordo com o prefeito cada um faz o que quiser no Rio durante o Carnaval, pura verdade! Mas ele se elegeu prefeito do Rio de Janeiro, que tem no Carnaval sua maior festa, que este ano trouxe mais de um milhão de turistas, e junto empregos, dinheiro, impostos. Oras, foi o primeiro prefeito do Rio em mais de 3 décadas, desde a fundação da Sapucaí, a não ir na Passarela do Samba no início de seu mandato.

Chamou de demagogia se fosse, será que é porque sua religião o impediria? Então ele tem de decidir, não pode governar uma cidade plural e cosmopolita como o Rio de Janeiro se a religião o impede de fazer atos ligado a seu cargo. Digo mais, Sérgio Cabral (PMDB) também disse que seria demagogia se fosse a Angra no dia seguinte a uma enchente. Perdão, um governante tem de ir onde é necessária sua presença. Como disse Josias de Souza: “Em campanha, Crivella prometera “cuidar das pessoas.” Na prefeitura, isso inclui a obrigação de cultuar os deuses do samba.
E esse não é o único sinal de que Crivella não tem se mostrado a vontade no cargo. Sua demora de semanas para preencher os cargos na Prefeitura, só pode ser vista como falta de preparo. Como alguém passa os quase três meses entre a vitória nas urnas e a posse, sem ter os nomes principais? Ele também nomeou o filho para ser secretário, quando uma liminar suspendeu a posse do filho, foi a Brasília para falar com os ministros do STF.
Tenho 38 anos, então me lembro de forma razoavelmente bem dos governo de Marcelo Alencar, Cesar Maia, Conde e Eduardo Paes, todos eles me pareciam ter T para governar. Crivella, ao contrário, parece fazer de má vontade, querendo estar em outro lugar. Como seu governo não tem nem 100 dias, quem sabe ele pode acordar e mudar e começar a comandar a Cidade Maravilhosa com prazer.
Quintino Gomes Freire
Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.
Quintino Gomes Freire

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