Crônicas Cariocas: a noite no Rio de Janeiro - Diário do Rio de Janeiro

Crônicas Cariocas: a noite no Rio de Janeiro

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Nos últimos meses, a cidade do Rio de Janeiro perdeu algumas de suas tradicionais casas noturnas. A noite carioca sente esse gole amargo, essa dose de crise, mas de ressaca não morre. Como diz a música da carioca Barão Vermelho: “a noite nunca tem fim”.

As noites cariocas, como bem compôs e tocou Jacob do Bandolim no choro que tem esse nome, são únicas. Pura magia e mistura de emoções. E não é à toa que essa linda canção é longa, cabendo improvisos sem fim, a noite toda, se quiser.

Mistura é uma das marcas da nossa noite. Na Lapa, o bairro boêmio mais famoso da cidade (sim, temos outros bairros boêmios), é possível encontrar todos os tipos de noitada: do jazz ao choro; do samba ao hip hop. Mais um gole dessa batida perfeita.

Essas ecléticas noitadas, quase sempre têm um funk nas últimas faixas. Aniversário de criança, reunião da empresa, retiro religioso… Se for festa e no Rio de Janeiro, tem tudo para acabar com um batidão.

Não importa onde e como vai ser durante a farra, precisamos fazer uma pré. E essa pré, muitas vezes, é tão intensa quanto a noite em si. Certo dia (ou noite), eu sai com uma galera que veio de Cuiabá. Antes da festa, bebemos bem em um bar. Eles acharam que já iríamos voltar para casa, pois já havíamos consumido muita cerveja e já passava de meia noite, contudo, expliquei que aquilo era só o início.

E quem disse que acaba no mesmo dia? “A noite nunca tem fim”, seja você do samba, do rock, do pop, do eletrônico, do funk, do sertanejo, ou do que você quiser. A noite é democrática, meu povo. Quando o Sol chega, não é hora de ir embora. Até é, mas de ir embora para outro lugar para continuar a farra.

No dia seguinte, uma cerva de leve para curar a ressaca, uma gelada na praia, um churrasco com os amigos, social na casa de alguém que conheceu na noite anterior, drinks na laje, noite alta, grande, quase infinita.

Talvez por isso os turistas gostem tanto das noites cariocas. Você está em clima de férias, de festa e vai para um lugar que tem uma noite que não para nem mesmo durante o dia. Como não amar? Como não querer voltar?

As noites cariocas podem ser bem loucas, inesquecíveis, ou daquelas que você não lembra de nada no dia seguinte, mas também podem ser totalmente tranquilas. O certo é: você vai fazer amigos. Depois de três chopes, carioca já está marcando viagem, convidando para o almoço de família, pagando a mais na hora de acertar a conta.

A noite é democrática, meu povo. Até as brigas sérias, por assuntos polêmicos, políticos, que pegam fogo na Internet, esfriam no gelo da cerva noturna.

Outra certeza é que a noite termina em um gorduroso lanche, em um famoso podrão. Termina, mas não acaba. “A noite nunca tem fim” e nenhuma crise vai mudar isso.

Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
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