Descomplicando a Economia criativa - Diário do Rio de Janeiro

Descomplicando a Economia criativa

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Outro dia encontrei no metrô um amigo que já não via há algum tempo. Entre as atualizações de família, trabalho e o que vimos um do outro nas redes-sociais veio a seguinte frase: Eu não acredito em economia criativa.

Acreditar ou não é um direito dele, ou de qualquer outro. Mas minha surpresa é porque esse amigo trabalha em uma área de cultura e criatividade, ou seja, envolvendo dois dos três pilares da economia criativa (o terceiro é a tecnologia).

Essa reflexão de um amigo inteligente e engajado, me fez pensar em porque ele não acredita. Afinal, você pode não acreditar em Papai Noel ou no Coelhinho da Páscoa, mas não acreditar em economia criativa é como dizer que não acredita em geografia, matemática ou engenharia, já que a economia criativa é uma disciplina que estuda e é aplicada em conhecimentos de diversas áreas, normalmente com o objetivo de desenvolvimento econômico e social de uma região ou população.

Mas, embora o termo economia criativa esteja na moda, sendo adotada por vários segmentos de qualquer maneira, ficando por isso muitas vezes é ainda mal-entendida ou interpretada. Desta forma, optei por elaborar este pequeno glossário para ajudar aos interessados a conhecerem mais sobre a também chamada “Economia do Conhecimento”, “Economia do Futuro” e outros termos que no fundo, dizem praticamente a mesma coisa.

Economia Criativa: É a área que estuda setores em que a criatividade é o mais importante ativo. Ou seja, fazer uma roupa é função indústria têxtil. Mas quando a esta roupa é aplicada à criatividade, costumamos chamar de moda, pois envolve conhecimento técnico, criatividade e cultura. Ou seja, moda está dentro da economia criativa.

Setores Criativos: São todos aqueles em que a criatividade é aplicada, desde moda, arquitetura, cinema, até expressões populares que valorizam a cultura local, como artesanato.

Indústrias Criativas: É um termo polêmico no Brasil, pois o termo surge como uma corruptela do inglês “Creative Industries’), que seriam traduzidos como “Setores criativos”. Entretanto, alguns dos principais nomes na área rechaçam esse termo por trazer uma ideia de indústria, ou da era industrial, onde a produção em massa e a replicação de bens são o antagonismo da economia criativa. Por outro lado, a FIRJAN, que representa os setores industriais cariocas, abraça o termo por entender que a produção de bens também envolva criatividade.

Cidades Criativas: Outro termo da moda adotado por Londres, Barcelona, Amsterdam e muitas outras, inclusive Rio de Janeiro. É na verdade uma designação para cidades que buscam soluções criativas para problemas urbanos, normalmente ancorados na cultura local.

É claro que existem outros termos e diversas áreas que estão englobadas dentro da Economia Criativa, mas ao meu amigo e a qualquer outro que não acredite em Economia Criativa, eu digo: Economia Criativa é apenas o uso da inteligência, da criatividade e do conhecimento para solucionar problemas. Normalmente, se usa usa-se a cultura local para isso, pois aquilo que é apenas replicado pode ser feito aqui, ou na China, em geral no lugar que oferece mão de obra mais barata. A cultura é aquilo que fica, que não pode ser retirado do local. Como exemplo deixo o Carnaval, já que o chinês consegue até vender todos os produtos que fazem os carros alegóricos e fantasias, mas nunca conseguiram fazer um uma desfile de Carnaval como os do Rio. É, nesse caso, nem os paulistas conseguiram.

Se tiver dúvidas sobre outros termos e assuntos ligados à Economia Criativa, é só escrever que tentamos descomplicar para você.

Roberto Sá Filho

Roberto Sá Filho

Diretor de Criação at MESA Comunicação
Diretor de Criação da MESA Comunicação e professor da ESPM - RJ. É graduado em Publicidade e Propaganda, Pós-Graduado em Marketing Digital e Mestrando em Gestão da Economia Criativa. É também apaixonado pelos seus filhos Théo e Sophia e pelo Rio de Janeiro.
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