Por André Delacerda
Hoje fala-se muito em mundo globalizado, “sem fronteiras”, algumas abertas de fatos, outras utopicamente abertas, que com certeza não permitem o acesso a todos.
De alguns anos para cá, duas ou três décadas atrás, algumas tendências começaram ocorrendo no Rio no setor imobiliário.
Uma delas, se materializa, pelas pessoas querendo viver em comunidades, ou núcleos urbanos menores, espécie de micro-cidade, onde eles vivem como se estivessem no “interior”, mas dentro de um núcleo maior. A metrópole urbana.
Alguns estudiosos, afirmam, que em alguns casos, isso provocaria o isolamento, trazendo até o desinteresse ou o medo do indivíduo, de conhecer além das fronteiras geográficas de onde vive.
Certamente não se pode negar, a tendência cada vez crescente de condomínios totalmente planejados. Com centros comerciais, esportivos e educacionais, quase auto suficientes, o que na justificativa de muitos, dispensa o contato com a sociedade externa, ou com a grande maioria do centro urbano do qual este se insere.
Esta tendência advinda do mercado americano, já se implantou no cenário carioca. Quem não se lembra das séries de TV americanas onde os grandes condomínios predominam? Ou da chegada dos mesmos em São Paulo, onde surgiu o famoso AlfaVille?
Em meio a polêmicas e questionamentos sobre o que seria uma cidade dividida. Surgem inúmeras respostas, que servem como ponto de partida para novas discussões, perguntas e análises.
Uma tendência no setor imobiliário da Zona Oeste, principalmente nos bairros da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, é o surgimento dos chamados “minibairros”. Grandes condomínios fechados, com completa infra-estrutura e alguns casos onde até se pode morar e trabalhar sem precisar praticamente se deslocar para outros bairros.
Os primeiros empreendimentos deste porte surgiram há cerca de 30 anos. O condomínio pioneiro foi o Nova Ipanema, aquele quase em frente ao New York Center na Barra.
De lá para cá, surgiram muitos outros. Como o Rio 2, em frente ao Autódromo de Jacarepaguá - 25 prédios e população estimada em 10 mil habitantes -, que incentivou o mercado imobiliário na área de Jacarepaguá.
Porém, a grande novidades dos últimos anos foi o surgimento do Península, com seus vários condomínios de prédios, jardins planejados e infra-estrutura de dar inveja a muito bairro.
Na Barra, bairro traçado por Lúcio Costa, aos moldes de Brasília. É um terreno fértil ao surgimento destes “minibairros”. Eles surgem não só em forma de prédio, mas também com grandes áreas com casas planejadas. E até condomínio de negócios inseridos nesse conceito de morar. Unindo trabalho, lazer, educação e moradia em um só espaço.
Uma coisa a destacar nestes condomínios são as áreas verdes, muito bem tratadas e planejadas.
Um dos sucessos do momento é o lançamento do Cidade Jardim, condomínio estilo bairro, que segundo o mercado imobiliário, pode gerar a Barra, mais 50 novos prédios, numa área de 512 mil metros quadrados.
Mas a região da Barra, Recreio e Jacarepaguá, se preparam também para receber em breve novos ícones desta tendência. O Península II, o Estrela, e o famoso e arrojado AlphaVille.
Segundo os idealizadores destes empreendimentos, estes locais se caracterizam por serem um bairro planejado, seguro e tranqüilo, com paisagismo exuberante e em alguns casos, com requintados complexos de entretenimento e lazer.
O Diário do Rio, conversou com alguns leitores que vivem em “minibairros”, ouviu os que vivem em outras áreas da cidade e também a psicóloga Nadja Guiton sobre o assunto.
Para Juliano Balbi, morador de um condomínio na Barra, um dos principais benefícios de morar em um desse minibairros é o fator segurança.
“eu gosto de morar na Barra, principalmente em condomínios fechados, por toda infra-estrutura que este oferece e principalmente, pela violência, antes inimaginável na Barra, e que hoje é um dos problemas. Um condomínio bem estruturado, como a maioria existente na Barra, lhe oferece tanta estrutura que se é capaz de você nem sair de casa. Todo lazer que o morador deseja.”
Apesar de enumerar as vantagens desse estilo de morar, ele faz um porém, a grande necessidade do uso de carro para se deslocar, pois muitas atividades ainda não estão inseridas no minibairro, fazendo com que o moradores tenham que sair além de seus limites.
“o ponto crítico de se morar na Barra é o deslocamento. Diferentemente da Zona Sul, onde as ruas se cruzam. Na Barra não há essa geografia, portanto, pra onde você queira ir, tem que ir de carro.”
Felipe Nunes morador da Zona Sul faz uma comparação dos bairros e seus estilos a cidades no exterior.
“esses minibairros tem como ponto positivo a sensação de segurança mas você fica muito isolado, não tem contato com as pessoas direito, tudo é muito longe… Eu prefiro a Zona Sul por considerar mais charmosa e por conter inúmeras opções perto de casa, e que a pé mesmo, eu posso usufruir. Zona Sul é como Paris e NY enquanto esses minicondo são como LA e Miami. Prefiro o estilo de vida dos primeiros.”
Já Stefano Quitete morador na Vila da Penha também concorda com a posição de Felipe, dizendo que não troca o estilo de vida de morar em bairros tradicionais, onde circula sem barreiras.
“eu não gosto de viver isolado…longe de tudo e todos…eu não me sentiria bem morando em um minibairro por mais que fosse o melhor condomínio do mundo e tal….gosto de ter contato com pessoas..ir no boteco na esquina, ….ficar na rua de bobeira batendo papo.”
Na visão do administrador de empresas Leandro Vargas, existem pontos positivos e negativos em se viver em um minibairro.
“Viver num condomínio com aproximadamente 10.000 pessoas (Parque das Rosas) proporciona uma diversidade de serviços aos moradores. Temos uma estrutura de clube, com restaurante, bar, academia, sauna, piscina, churrasqueira, quadras esportivas, ônibus, etc. Com toda essa mordomia, não sinto necessidade de sair de casa aos finais de semana, apesar utilizar pouco toda essa estrutura.”
E ele continua comentando, como bom carioca que é. Desta vez, dando um tom bem humorado aos pontos negativos. Os comparando um programa de TV pela diversidade de atrações.
“principal ponto negativo é a exposição da sua vida para 10.000 pessoas. Parece brincadeira mas com tanta gente junta, posso acompanhar a vida sexual da vizinha da frente, os ensaios musicais do morador do andar de cima, churrascos intermináveis no play, brigas familiares, etc. Uma salada musical melhor do que qualquer programa do RAUL GIL.”
Para Nadja Guiton, psicóloga pós-graduada na Sorbonne/Paris. Existem dois pontos a serem observados neste contexto dos minibairros - segurança e isolamento -.
“Trata-se de uma tendência natural que as pessoas se agreguem em grupos restritos como forma de se protegerem das violências urbanas.”
“Existem dois registros a observar nesta tendência: a) é positiva: no que diz respeito justamente à segurança que as pessoas passam a experimentar pois conhecem seus vizinhos, as crianças e os idosos ficam mais protegidos, etc. b) é negativa pois cria “guetos”, “isolamento”, perda de visão social relativa à Sociedade como um todo. As pessoas podem assumir condutas estereotipadas pela ausência de referenciais que lhes abra as mentes.”
O Rio é uma cidade múltipla, uma aquarela repleta de tendências e de uma geografia rara e variada que permite a formação de infinitas cidades dentro da grande metrópole carioca, que a todos aglutina.
Tirando os excessos, que podem existir em todo grupo social. Se você escolheu morar em um bairro tradicional, ou em um minibairro, não se isole. Passe sim, a descobrir os encantos que a cidade do Rio reserva aos seus moradores e visitantes. E há tantos recantos e lugares esperando por você, por nós, nesta infinita Cidade Maravilhosa..
O mais importante é que o carioca descubra e se apaixone a cada dia, momento e instante por sua cidade. Por ser uma esquina do mundo, ela está aberta a novos jeitos, costumes e tendências, e porque não dizer, é um laboratório para se aprimorar estes, e dar aquele toque especial, que só o carioca e o Rio sabem fazer.
Fotos:
Barra da TIjuca Skyline por Erikogan
Cidade Jardim (divulgação)
Lagoa Rodrigo de Freitas por Rodrigo Soldon
Parque das Rodas (autor desconhecido)
Eu particulamente prefiro os bairros tradicionais.
Eu me acustumei a morar em Centro, com edificios, torres, praças, carro, shoppings e td mais.
E por isso eu gosto do Rio de Janeiro.
Meu sonho mesmo é morar ou em Botafogo ou no Leblon ou Leme.
Mas aqui na Barra tb é bem legal, tem muitos shoppings, bares, cafeterias, clubes e essas coisas.
Mas morar em condominios-mundos não é pra mim….
Hoje teremos uma pequena homenagem ao Diário do Rio no Jornal da Globo, na matéria sobre blogs.
Se der, assistam.
Espero que gostem.
Abraço
Daniel
Eu prefiro Bairros tradicionais.
É difícil dizer qual o melhor, vai o perfil da pessoa. Eu gosto da paz do condomínio, apesar de não morar em um.
Daniel,
não vi a matéria.
Moro em condomínio, mas não é por questão de segurança. Isso não existe.. nínguem sai da tijuca, copacabana para barra atrás de segurança, e sim de status.. acho que faltou abordar isso no artigo acima também… morar hoje na barra para os cariocas é muito mais do que segurança! Que na verdade não existe. A Barra às 22h parece mais madureira.. já viram como é os pontos barrashopping, downtown, extra.. ?
Daniel,
Obrigado pelo seu comentário.
Boa dica a sua sobre o status, isso pode até gerar mais um post sobre morar no Rio, pois sabemos que existe um questionamento sobre quem tem mais status, a Barra ou área como Ipanela/leblon/Lagoa.
Talvez, possamos em breve ter um post sobre isso, é algo curioso, que pode render um bom debate. Apesar de eu acreditar que isso, só gera mais bairrismo. E o importante é não incentivar essas coisas.
O importante é ser feliz, onde se escolhe para morar, ter paz interior proporcionada pelo local, pelo circulo de amigos, pelo estilo de vida que mais atrai o morador.
André Delacerda
Sim, a busca do status gera o bairrismo, que até certo ponto é muito legal escutar a opinião do morador da tijuca sobre a tijuca, de copa sobre copa.. mas aprofundar no “bairrismo” gera outras coisas não agradáveis.
Abs!
Abs
Tipo! Claro q é bom morar em um condôminio fechado, arborizado, com academia e talz.
Mas no final se resume nisso…
Por exemplo no meu condominio tem essas coisas, mas quando saio do condominio fica longe do Barra Shopping, Downtown e talz.
Preferia morar do lado de um shopping e talz.
Mas prefiro morar aki na Barra do que por exemplo na Tijuca.
Mas preferia Ipanema e Leblon que aki na Barra
Prefiro morar no meu apêzinho no Méier. Tranquilo, perto de tudo…
Os bairros-condomínios fazem sucesso porque são estruturas que oferecem limpeza, organização, infra-estrutura que funciona, segurança, um paisagismo bem cuidadom, ou seja, tudo o que uma cidade deveria oferecer a TODOS os seus habitantes. Acontece que não é assim. Parece que o prefeito, os vereadores e secretários não moram nesta cidade, não vêem o que acontece por aqui.
Quem mora nesses mundos se isola dos problemas da cidade. Infelizmente são uma minoria privilegiada que pode pagar os impostos municipais, mais o condomínio altíssimo dos mini-bairros onde moram. É uma pena que nem toda a população possa usufruir de uma infra-estrutura decente, no mínimo.
Cynthia,
mas condomínio não é apenas no Rio, no mundo todo tem algo no estilo.
Era uma matéria fria. Não sabia.
Ou seja, não tem data para entrar, qualquer hora dessas aparece no JG.
Mas a homenagem na ilustração foi feita.
Desculpe o alarde.
Abraço
Daniel
Ok Daniel,
Vamos aguardar.
Abraços,
André
Moro no Leblon e não troco por nada.
O objetivo de se criar bairros-condomínios, além da segurança, seria uma forma de dar aos moradores da barra melhores condições de vida, tendo em vista que é um bairro novo e as pessoas que vieram de diversos bairros, procuraram um local melhor para viver.
Um dos pontos negativos da Barra é o deslocamento para o trabalho e para outros lugares como um todo, até mesmo dentro da Barra.
Será que existirá outras formas ou meios de se deslocar?
Espero que exista está visão para o futuro, até por que a Barra merece ser bem cuidada assim como o Leblon.. E outros bairros cariocas.
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