Gostosas, lindas e sexies: curvas, porque te quero.

Dica de cinema pra esse feriado!

A temática é nova nas telonas, mas efervescente nas redes sociais.
A recém lançada comédia brasileira, ‘Gostosas, lindas e sexies’ aposta muito mais do que no debate do empoderamento feminino, ela vem pra causar um rebuliço, inclusive, no próprio assunto de empoderamento ao colocar uma protagonista negra e gorda, a magnífica Cacau Protássio, que graças ao bom Deus, não vem caricata e escandalosa como sua personagem na série do Multishow ‘Vai que cola’, e sim como uma bem sucedida e séria, dona de uma rede de salões.

A trama gira em torno de quatro amigas, Ivone, Marilú, Tânia e Beatriz, que são extremamente lindas e bem sucedidas.
Beatriz (Carolinie Figueiredo) é a escritora cult que namora o cara mais tanquinho de lavar roupa que você respeita (André Bankoff), Ivone (Cacau) a renomada dona de um salão que ganhará filial em NY que só tem olhos para o trabalho e pouco nota o interesse do sócio gostosão (Marcos Pasquim), Tânia (Lyv Ziese) uma atriz às voltas com um casamento que vai de mal a pior e Marilú (Mariana Xavier), a ninfomaníaca implacável e professora de inglês e mil e uma utilidades nas horas vagas.

Apesar da tentativa de amarrar a história ao drama da personagem Beatriz e às peculiaridades de cada uma, não há um script bem engendrado e a narrativa vai se desenrolando de forma quase que pairando no etéreo, sem saber pra onde ir e aonde quer chegar.
Uma coisa é certa: se a tentativa era mostrar o poder, a força e a beleza das mulheres gordas (gordas sim, não gordinhas ou cheinhas, mas gordas com muito orgulho) o efeito foi positivo.
A cena de Beatriz na boate é a mais impactante do filme e dá vontade de beijar a tela.

Entretanto, não dá pra deixar passar dois erros gravíssimos do filme. O primeiro e gritante é o fato de Ivone se apaixonar pelo seu sequestrador e ter relações sexuais, embriagada, com um cara que lhe apontou uma arma na cabeça.
É sério que alguém ainda fantasia e romantiza esse tipo de coisa?

Outra escorregada grotesca foi o assédio sexual no ambiente de trabalho vivido por Beatriz ser aceito como algo natural. As duas situações colocaram aquelas mulheres, antes tão cheias de si com homens maravilhosos aos seus pés, como simplórias criaturas carentes que precisam do contato masculino para preencher seus vazios e pior, aceitando essa dominação violenta de forma pacífica e até com gosto.
Lembrou-me daquele discurso macabro “ah, mas ela queria…”.

Por fim, uma salva de palmas ao figurino das personagens que valorizou e realçou os lindos traços das atrizes e deixou clara a mensagem: “somos gordas, lindas, gostosas e sexies e convivemos extremamente bem com isso”.

Eu, que sempre lutei contra a balança, saí do cinema convicta de que há outro jeito possível, que me aceitar do jeito que realmente sou pode não só ser muito libertador como me abrir uma nova possibilidade de mudar meu guarda-roupa pra melhor e, consequentemente, melhorar minha auto estima.

Diretor: Ernani Nunes
Elenco: Cacau Protássio, Mariana Xavier, Carolinie Figueiredo, Lyv Ziese, Marcos Pasquim,
André Bankoff, Juliana Alves, Eliane Giardini, Paulo Silvino e Márcia Cabrita.

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Natalia Alves19 Posts

Carioca de 26 anos, apaixonada por cinema, gastronomia, viagens, livros e sua família.
Troca qualquer balada por uma sessão de cinema e adora o gênero drama, pois assim consegue se esquecer dos seus próprios.
Se emociona em todas as aberturas dos filmes (até os do Adam Sandler. Mentira!)
Administra a página @oquefazernorio no Instagram e Youtube e a página @ondecomernorio com dicas gastronômicas da Cidade Maravilhosa!

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