Uma Breve História da Escola de Belas Artes - Diário do Rio de Janeiro

Uma Breve História da Escola de Belas Artes

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Neste ano de 2016, a Escola de Belas Artes (EBA) completa 200 anos de fundação. Nesses dois séculos de vida, muitos foram os artistas formados e imensurável é a importância desta instituição.

No dia 12 de agosto de 1816, através de um Decreto-Lei de D. João VI, foi criada a Escola Real das Ciências Artes e Ofícios, que viria a se transformar na EBA. Antes dessa iniciativa, só havia um relato de estudo de artes em nosso país: “A Aula Pública de Desenho e Figura, estabelecida por carta régia de 20 de novembro de 1800 foi a primeira ação oficial que se tem conhecimento para que se estabelecesse o ensino da arte no Brasil“, informa a comunicação da EBA.

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Em um período ainda mais anterior, o ensino das artes no Brasil era concedido pela Igreja Católica, sobretudo no Brasil-Colônia. Nesse contexto, o processo artístico estava sempre atrelado à religião. Além do interesse de D. João VI pelo o assunto, a presença da Missão Artística Francesa, chefiada por Joaquim Lebreton (convidado por D. João), também foi de suma importância para o desenvolvimento do estudo das artes no Brasil.

Escola Real a Academia Imperial de Belas Artes

As primeiras aulas da ainda Escola Real das Ciências Artes e Ofícios eram ministradas por Debret e Grandjean de Montigny. Eles alugaram uma casa no centro do Rio para essa atividade. As coisas funcionaram assim por dez anos.

Projeto do prédio da Academia publicado por Debret, segundo Montigny

No ano 1826, a Escola teve seu primeiro prédio próprio, projetado por Grandjean de Montigny. Nesse mesmo ano, passou a se chamar Academia Imperial das Belas Artes. Essa sede ficava na Travessa das Belas Artes, próximo à Praça Tiradentes.

Museu Nacional de Belas Artes РConstrṳ̣o

Após o fim do Império e o começo da República, como aconteceu com muitas outras instituições, a academia perdeu o nome “imperial” e virou Escola Nacional de Belas Artes. Em 1908, a instituição transferiu-se para seu segundo prédio, com projeto de Morales de los Rios, na Avenida Rio Branco, onde hoje está o Museu Nacional de Belas Artes.

Em 1971, se tornou Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nome que mantém ainda hoje. Quatro anos depois, a sede passou a ser na Cidade Universitária, Ilha do Fundão.

Escola de Belas Artes – UFRJ

“A presença da Escola no contexto da sociedade brasileira revelou sua identidade por aspectos pouco conhecidos, mas de grande interesse social e político, além de seu princípio norteador fundamental: o ensino artístico. Uma escola de grande peso no Império e que esteve aberta a todos os que desejassem buscar o caminho das artes, sendo aceitos pelos grandes mestres dos ateliês. O que contava na hora da seleção era o talento, sem restrição ao grau cultural, à raça ou situação econômica. Cândido Portinari, por exemplo, mal havia completado o terceiro ano do curso “primário” quando foi aceito pela instituição, tornando-se a grande referência da pintura brasileira”, opina Angela Ancora da Luz, que dirigiu a EBA entre 2002 e 2010.

Antonio Sérgio Benevento, Lúcio Costa, Burle Marx, Cândido Portinari, Victor Meirelles, Glauco Rodrigues, Maria Helena Bandeira e Oscar Niemeyer são alguns dos alunos formados pela EBA

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Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista e também se arrisca em outras áreas do mundo das palavras escritas. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
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