História da Praça Onze – da Família Real a Berço do Samba

Hoje em dia não resta quase nada da antiga Praça Onze. Basicamente ficaram as memórias de um local que tem a cara da cidade do Rio de Janeiro.

Até a chegada da Família Real, em 1808, a região onde a Praça Onze ficava era desabitada. Não era uma área interessante nem para o plantio, nem para moradias, pois era extremamente pantanosa. Após a intervenção da Família Real, já em 1810, a região começou a se desenvolver. Vias foram pavimentadas e foi criado o Largo do Rocio Pequeno, que viria a ser a Praça Onze de Junho.

Decoração da Praça Onze durante o carnaval de 1959

A área seguia pouco movimentada, embora já tivesse certa presença comercial. Contudo, em 1842, durante o Segundo Reinado, o local recebeu a instalação de um chafariz, projetado por Grandjean de Montigny, que servia para o abastecimento das casas e estabelecimentos e isso impulsionou o crescimento.

Nas décadas seguintes, a instalação de fábricas, como a de gás, de Visconde de Mauá, e a inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II possibilitaram ainda mais desenvolvimento.

O carnaval na Praça Onze, numa gravura de Alfredo Herculano. Era nesta área central da cidade que as primeiras escolas de samba desfilaram até os anos 1930.

A Praça Onze de Junho ganhou esse nome após a Guerra do Paraguai. A data remete ao histórico confronto, do qual o Brasil saiu vencedor.

O fim da escravidão e a chegada de estrangeiros ao Brasil deram à Praça Onze um ar cosmopolita, agregador. A região passou a receber muitas pessoas de culturas e histórias de vida diferentes, de negros libertos com o fim da escravidão a imigrantes portugueses, italianos, ciganos e, principalmente, judeus – a região chegou a reunir a maior concentração judaica da história da cidade do Rio de Janeiro.

Praça Onze 1939

A Praça Onze era um local de acolhimento e o epicentro de um sistema complexo de relações, que envolvia grupos de distintas religiões, condições financeiras, nacionalidades e etnias. O samba surge como produto de engajamento e entrosamento entre eles. Pessoas que se frequentavam, se ouviam, se cruzavam nas ruas, nos mercados, nas saídas e entradas das sinagogas, nas igrejas e nos terreiros“, disse o antropólogo Marco Antonio da Silva Mello, da UFRJ, em entrevista ao site do O Globo.

No início do século XX, quem chegou foi o samba. Das batucadas trazidas pelos negros, que se encontravam na casa da famosa baiana Tia Ciata, que morava na Praça Onze, surgiu o gênero musical.

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Nos anos 1930, devido às obras de modernização na região (entre elas a abertura da Avenida Presidente Vargas), a Praça foi perdendo espaço e, literalmente, ficando menor. Na década seguinte, a Praça Onze foi totalmente suprimida.

Sambódromo

Hoje em dia, a região, embora não tenha mais a Praça, continua sendo importante para o samba. Terreirão do Samba e o Sambódromo estão localizados na área.

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Felipe Lucena477 Posts

<p>Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.</p>

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