Uma Breve História de Madureira - Diário do Rio de Janeiro

Uma Breve História de Madureira

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início de Madureira

Um dos bairros mais simbólicos da cidade do Rio de Janeiro, Madureira tem uma história que segue sendo construída nos dias atuais.

No século XIX, a região onde hoje fica o bairro de Madureira era chamada de “Sertão Carioca”. Nessa área, extremamente rural, se encontrava a fazenda do Campinho, situada na Freguesia do Irajá, que era propriedade do Capitão Francisco Ignácio do Canto, e tinha como arrendatário um boiadeiro chamado Lourenço Madureira.

Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário da Cidade do Rio de Janeiro, a Sergio Castro Imóveis exalta locais que visam a valorização da cultura e história da Cidade Maravilhosa.

Após a morte do Capitão Francisco Ignácio do Canto, em 1851, iniciou-se uma briga na Justiça, da qual Lourenço Madureira saiu vitorioso, ganhando as terras da viúva Rosa Maria dos Santos.

Depois da briga na Justiça veio o loteamento da fazenda, gerando o que seria, futuramente, o bairro de Madureira.

“A fisionomia dos bairros dia a dia se modifica, conservando, porém a tradição transmitida à gerações, quer pela expressão documentária da obra do homem, que primeiro conquistou as terras ou as trabalhou para seu gozo e ventura, quer pela palavra, fixando os fatos que constituem a crônica diária ou a história falada, desde as antigas fazendas, que são a pedra fundamental das cidades que rebentam maravilhosamente aos nossos olhos, até os empórios comerciais de vida intensa e movimentada. Madureira, cuja atividade deslumbra o visitante, deriva da antiga Fazenda do campinho, que é a geratriz de vários bairros suburbanos, hoje conhecidos pelos nomes de Quintino Bocaiúva, Cascadura, Campinho, Osvaldo Cruz (antigo Rio das Pedras) e Fontinha. Sua história remonta, ainda, á época colonial”, escreveu Diomedes de Figueiredo Morais, na Revista Rio Ilustrado, em 1937.

Aos poucos, a região, que era rural, foi se urbanizando. Em 1858, os trilhos da Central do Brasil chegaram à Cascadura (bairro vizinho), o que colaborou para o processo de urbanização.

antigo Mercadão e trilho do trem

Contudo, a estação ferroviária de Madureira só ficou pronta em 1890. A nomenclatura da estação ajudou, definitivamente, a consolidar o nome do bairro, que a cada dia ganhava mais forma.

Em 1914, surgiu o primeiro clube de futebol da região: o Fidalgo Futebol Clube, que, posteriormente, daria origem ao Madureira Esporte Clube. Ainda em 1914, foi inaugurado o mercado de Madureira, que se tornou o atual Mercadão de Madureira, um dos pontos mais populares do bairro.

Mercado de Madureira em 1973

No decorrer do século XX, mudanças importantes na estrutura do bairro. Em 1916, os bondes a tração animal começaram a ser substituídos por bondes elétricos. Já em 1960, o Viaduto Negrão de Lima foi construído.

Na década de 1990, embaixo do Viaduto (que foi considerado o maior do município na época), teve início um dos principais movimentos culturais do bairro e da cultura negra da cidade: o Baile Charme de Madureira, considerado atualmente o maior do país. Ainda no campo cultural, o samba, com escolas, blocos e artistas históricos, é outra marca registrada de Madureira.

Mais recentemente, Madureira, que não para de crescer e gerar história, ganhou estações de BRT e o Parque Madureira, uma das mais novas áreas de lazer da cidade.

Parque Madureira

“Madureira cresce assombrosamente. E onde irá parar com a eletrificação, de um lado, e o alargamento da Linha Auxiliar de outro? Ninguém pode precisar a extensão de seu desenvolvimento, com fundações tão bem lançadas. Os que se foram encontram, na admiração de hoje, e na benemerência dos seus nomes, mais do que recompensa: Glorificação”, pontuou Diomedes de Figueiredo Morais.

 

Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
Felipe Lucena

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