História do Bucólico Bairro do Peixoto - Diário do Rio de Janeiro

História do Bucólico Bairro do Peixoto

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Região do Bairro em 1930

Localizado dentro de Copacabana, o Peixoto é um verdadeiro achado na Cidade Maravilhosa. Bucólico, discreto, o Bairro é repleto de boas histórias. A região que hoje compõem o Bairro do Peixoto fazia parte da chácara do comerciante português Comendador Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca. O Comendador Paulo chegou ao Brasil em 1875.

 

O Comendador não tinha descendentes diretos, então, em 1938, deixou suas terras para as seguintes instituições de caridade: Associação Asilo São Luís para a Velhice Desamparada, Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V, Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro, Casa dos Expostos e Hospital Nossa Senhora das Dores.

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“Como condição, o Comendador determinou que os empreendimentos para o local não contemplariam estabelecimentos comerciais e não poderiam ter mais de três pavimentos. Esta última exigência seria alterada, pelo Prefeito Mendes de Moraes (1947-1951), para quatro andares”, informa a Oásis – nome da associação de moradores do Bairro do Peixoto.

 

O curioso nome da associação de moradores segue a mesma linha de um texto da Revista Bairro Peixoto:

“O Bairro Peixoto é uma ilha dentro de Copacabana, cercado de verde com pracinha e chafariz, crianças correndo no fim de tarde, e um certo ar bucólico. Gostamos de ver nosso bairro dessa forma, mas claro que não esquecemos dos problemas que enfrentamos. Isso é assunto para outro texto. Hoje, queremos falar do amor ao nosso bairro, da qualidade de vida admirada por tantos, do aspecto de cidade de interior, onde todos se conhecem e se cumprimentam, do padeiro da esquina, do barbeiro que está no bairro há mais de vinte anos, do pipoqueiro conhecido por todos, das conversas dos velhos amigos nos banquinhos da praça, dos papos no botequim e até mesmo dos animados cachorrinhos que desfilam  nas manhãs de sol. O Bairro Peixoto, acompanha Copacabana pelas encostas, como se estivesse vigiando esse bairro gigante  e ao mesmo tempo dizendo: vejam como sou diferente.”

Busto do Comendador

Em 14 de dezembro de 1944, três anos antes de seu falecimento (que aconteceu em novembro de 1947), o Comendador Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca foi homenageado com um busto na Praça Edmundo Bitencourt.

Esse busto, junto com a Praça, passou a ser uma espécie de marco inaugural do Bairro do Peixoto, que passou a se desenvolver no entorno dessas construções.

Em novembro de 2013, a partir da observação de Andre Decourt, morador do Bairro Peixoto, foram realizadas intervenções no terreno próximo ao busto. A ideia era comprovar que na lateral do marco havia, originalmente, uma fonte de água. De fato as escavações levaram à tubulação de chumbo que alimentava a fonte.

Nos dias de hoje

Nos anos 1990, após a Lei Municipal 1.390/1990, somada ao tombamento de dezenas de imóveis, foi determinado que novas construções do Bairro não poderiam ultrapassar 15 metros de altura.

Com ritmo de cidade do interior no coração da movimentada Copacabana, o Bairro do Peixoto respira em paz.

Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
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