História do prédio Balança Mas Não Cai - Diário do Rio de Janeiro

História do prédio Balança Mas Não Cai

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Foto antiga do Balança Mas Não Cai

Foto antiga do Balança Mas Não Cai

O histórico edifício, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, já teve uma fama não muito positiva. Contudo, recentemente, ganhou um status mais agradável e hoje tem outro clima. O Balança Mas Não Cai segue de pé, no meio das memórias da Cidade Maravilhosa.

A construção do Edifício começou em 1945. A ideia, ainda na ditadura Vargas, era fazer um grande conjunto habitacional na região central da cidade. A inauguração, em 1948, veio junto com um forte boato: diziam (mentirosamente) que o edifício tinha uma falha estrutural e ia desabar a qualquer momento. Mesmo com estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ que provaram que não haveria desabamento, a fofoca se espalhou e o apelido ficou.

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Contudo, os anos passaram e os 170 apartamentos (nove por andar ocupado) seguiram intactos, sem cair nada. Os problemas foram outros.

Até o início dos anos 1980, o Balança era habitado por cafetões, prostitutas, traficantes, malandros e mais uma gama de pessoas que não eram muito bem vistas pela sociedade conservadora. Com isso, os apartamentos do prédio foram se deteriorando, perdendo valor de mercado e muita gente mal intencionada (se valendo do abandono para cometer crimes) se mudou para o Edifício.


Nos anos 1950, inspirada na fama do Edifício, a Rádio Nacional criou o programa humorístico “Balança Mas Não Cai”, em que todos os personagens viviam no mesmo endereço e aprontavam muitas confusões. Em 1968, o programa migrou para a TV Globo, onde ficou até 1972.

“O apelido pegou não apenas em função do boato de que prédio cairia, mas pelos moradores que faziam o prédio ‘balançar‘”, contou Andrea Borde, professora de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, ao jornal O Globo.

Balança hoje em dia

Em meados dos anos 1980 e inicio da década de 1990, começou um processo de revitalização do prédio, realizado pelos próprios moradores. Inadimplência, desordem e outros problemas que afetavam a convivência passaram a não ser mais tolerados e, aos poucos, o Balança Mas Não Cai se tornou um lugar muito mais agradável para se viver.

Vista panorâmica do Centro do Rio, janela do Balança - Custódio Coimbra / Agência O Globo

Vista panorâmica do Centro do Rio, janela do Balança – Custódio Coimbra / Agência O Globo

De acordo com moradores, a cada ano que passa o Balança Mas Não Cai se torna um local ainda melhor. Durante o carnaval, por ser próximo ao Sambódromo, o prédio é extremamente concorrido por turistas que querem curtir a folia carioca.

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Felipe Lucena
Felipe Lucena é jornalista e roteirista, além de se arriscar em outras áreas do mundo das palavras escritas. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.
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