História do Morro Dona Marta - Diário do Rio de Janeiro

História do Morro Dona Marta

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Foto: Brian Snelson

Um dos lugares com uma das mais belas vistas da cidade do Rio de Janeiro, o Dona (ou Santa) Marta é um local repleto de histórias curiosas.

Os primeiros moradores da favela chegaram nos anos 1930, trazidos pelo padre José Maria Natuzzi, que era diretor do Colégio Santo Inácio. “Esses pioneiros habitantes eram pessoas simples, operários, agricultores que estavam sem lugar para morar na época”, pontua o historiador Maurício Santos.

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A religiosidade sempre esteve presente na história do Morro. Inclusive na indefinição do nome. “Dona Marta ou Santa Marta? Depende do ponto de vista, e ele não é técnico ou cientifico. A confusão começa no asfalto, onde a população se acostumou a chamar a favela de ‘Dona Marta’ graças ao mirante homônimo no topo dos seus 340 metros de altura. Mas quem vive o dia a dia lá em cima escolhe um ou outro por motivos diferentes. Evangélicos, em número cada vez maior, preferem ‘Dona’ porque não acreditam em santos, enquanto católicos não arredam o pé do título ‘Santa’”, contam Sérgio Bloch e Inês Garçoni no Guia Gastronômico das Favelas do Rio, abbas edições.

No alto do Morro há uma capelinha com uma imagem de Santa Marta, presente na favela desde os anos 1930. No século XVII, Padre Clemente, dono das terras nesse período, teria batizado a região de “Dona Marta”, em homenagem a sua mãe.

Durante o século XIX, o terreno onde hoje fica o Morro pertenceu à igreja católica. Já no início do século XX, passou a ser propriedade do Colégio Santo Inácio, até começar a ser povoado pelos primeiros moradores da comunidade.

Em 1950, o censo registrou a presença de 1632 moradores no Morro. Em 2010, foram cerca de quatro mil. A maioria é oriunda das regiões norte e nordeste do Brasil.

No ano de 2008, foi criado o Plano Inclinado, que além de facilitar o acesso ao mirante Dona Marta, serviu para que serviços básicos e fundamentais como coleta de lixo e tratamento de água e esgoto chegassem com mais facilidade ao topo do Morro.

Topo do morro que ficou mundialmente conhecido em 1996. Não só pela vista linda que se tem lá do alto, mas pelo clipe musical “They don’t care about us”, de Michael Jackson. Tem até estátua do Michael por lá. Anos depois do Rei do Pop, Alicia Keys e Beyoncé também estiveram na favela.

Na entrada da favela há uma bela obra de arte, feita pelos artistas plásticos holandeses Haas e Hahn. As fachadas das casas, pintadas pelos artistas, chamam muito a atenção. Com sua beleza e história, dá para considerarmos o Santa (ou Dona) Marta um lugar sagrado.

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Quintino Gomes Freire
Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.

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