Por André Delacerda.
Sabe-se que nem todo Carioca conhece bem a sua cidade. E olha que ele não sabe o que está perdendo, a cidade é repleta de coisas e lugares interessantes de norte a sul, de leste a oeste.
Pois bem, um dia desses - eu que sou daqueles que quase não sai do bairro para nada - fui escalado para ir a Madureira, mas precisamente no Mercadão de Madureira comprar uns produtos com um amigo e a mãe dele.
Já há muito tempo ouvia falar do Mercadão e a curiosidade me aguçava muito. O Quintino inclusive já trabalhou em um escritório no Mercadão, e me contou que tem um sanduíche lá que deve ser provado. Que o sanduíche carioca de verdade é daquele boteco.
Outro interesse meu no bairro, é porque também sou imperiano e nunca tinha passado perto da quadra da Escola de Samba do coração. O Império Serrano.
A região de Madureira e seu entorno, tem a tripla sorte, pois tem a trindade do Samba: O Império, a Portela e a Tradição. Além de a área ser cantada com muita poesia, por compositores como Arlindo Cruz, Monarca, dentre outros.
Fomos de táxi daqui da Zona Sul até Madureira, no caminho pela Avenida Brasil, passamos por uma dezenas de bairros, e mais de 40 minutos depois chegamos ao bairro.
Logo já se podia ver o burburinho de gente nos ônibus e na estação de trens – linha férrea para bem próximo ao mercado -; e o vai e vem de pessoas com mercadorias saindo do Mercadão.
Para quem gosta de comprar doces, o lugar é uma tentação, bons preços, e uma variedade para transformar qualquer um no maior comedor de açúcar da cidade. Entrando no mercado, tem-se todo tipo de artigos de papelaria, coisas de mercearia, brinquedos, vestuário, artigos para pesca, etc.
São uma infinidade de corredores, e a cada metro uma surpresa, uma loja com aquelas novidades, e aqueles preçinhos que você jamais vai encontrar nos shoppings. Fico imaginando, para as mulheres o local deve ser uma tentação.
Mas vamos interromper o nosso tour e contar um pouco da história do Mercadão:
Em 1959 o presidente Juscelino Kubistchek inaugura o Grande Mercado de Madureira, que contribuiu assim para que Madureira chegasse a ocupar o primeiro lugar no Rio de janeiro em arrecadação de ICMS. Após a abertura do CEASA, com toda criatividade o Mercadão diversificou seus produtos tornando-se conhecido pela grande variedade e preços acessíveis. Fixando assim conceito de popularidade. Em 2000 um incêndio destruiu todas as suas instalações. O Mercado que já havia conquistado a população do Rio de janeiro, em um movimento de reconstrução, consegue ser reinaugurado e hoje é o maior mercado popular do Brasil.
Voltando ao nosso passei, no piso superior do Mercadão, tem-se algumas lojas de doces – brigadeiro, beijinhos-; lojas com artigos femininos, artesanato, mais coisas para o lar e uma ala só com artigos religiosos – umbanda e candomblé -. Ah se você quer encontrar aquelas folhas sagradas para um bom banho, tem uma seção só com tabuleiros de folhas e plantas também.
O público do Mercadão é variado tem gente de todo o Rio, é uma experiência única e diferente. Ali você encontra gente de toda parte que tem uma história pitoresca sobre o Rio. Conheci o senhor português que tem uma loja de material de construção lá, que me contou muita coisa da região e historias pitorescas da sua chegada ao Brasil, trabalhando na adolescência no início do Country Club, mas isso fica para outra ocasião.
Foto Madureira, por Naftlaina 007, faz parte do excelente conjunto de fotos do autor, Madureira Chorou
O Mercadão em si é um barato, ótimo lugar para as pechinchas e também, com uma garimpada boa, encontra-se produtos mais sofisticados, tipo uisque, prosecco. Tem uma casa de produtos portugueses ali que também é uma perdição. Porém, do lado de fora, aos sábados e domingos é um lixão. Camelôs por toda parte, não se consegue nem andar pelas calçadas. À tarde/noite, no fim de semana piora, porque além da sujeirada deixada durante todo o dia, ainda junta os vendedores de cds e dvds piratas com o som aos berros. Infelizmente, ali, do lado de fora é terra de ninguém.
Sem rancores e radicalismos, a sua narração quase antropológica, faz parecer que vocês vieram de um safari na África, o que comprova a tese de alguns que o Rio é uma “cidade partida”…
Att;
carlos teles
Ps: Experimentem pegar o metrô com conexão ao trem. É mais rápido, barato e tem ar condicionado…
Carlos,
menos….
Carlos,
Eu já andei de trem, e não nesses modernos que a SuperVia fica fazendo propaganda hoje em dia.
Peguei aquele que quase não tem janela. Já fiz viagem de Piedade a São Cristovão.E de São Cristovão a Nilopolis.
Te digo que safari não foi não, mas enriquecedor a ida a Madureira e ao Mercadão foi. Melhor que muito shopping plástico que tem por ai. É humano. Já fui lá várias vezes esse ano.
Quanto ao taxi, não fui eu quem pagou e quem sugeriu a corrida. Então não posso fazer nada rs.
Mas a Cidade é partida, naturalmente. É geografia, antes de tudo, e ela influencia, sim.
Com certeza.
Elesbão você falou tudo em seu comentário. A questão é geografica.
Temo amigos que moram na Barra e nunca foram ao Centro do Rio. Outros que moram em Santa Cruz e que so vem a Zona Sul de dois em dois meses. Tem gente que mora na Tijuca e quase não vai a outras regiões geográficas da cidade.
A Rio é uma cidade muita grande, uma metropole. Até em cidades de médio porte, as vezes você não transita em todos os bairros e também não os conhece.
Mês passado fui entregar um material numa produtora e fiquei surpreso com uma parte do bairro do Jardim Botânico que eu não conhecia.
Pelo simples fato da maior parte da população com poder aquisitivo alto viver na zona sul, já se pode notar essa divisão na cidade. E sim, vc falou do Mercadão como se estivesse visitando um local não muito agradável, mas que merecia algum mérito.
Thiago,
Discordo. Eu não falei do Mercadão como algo desagradável. Realmente sua interpretação quer ser tendenciosa para outro caminho.
Se você leu o texto com atenção, ou sabe interpretar texto, pode constatar que lá não faço nenhuma referência desagradável. Alias exauto Madureira e o Mercadão.
Você até pode tentar ser tendencioso com meu comentario acima, em que falo que o Mercadão é bem melhor que muito shopping de plástico.
E sabe porque fiz esse comentário? Porque o Mercadão é melhor, porque não é artificial, é humano, é repleto de cultura, ao contrario de muito centro comercial que se resumem a ser a meca da futilidade.
Quanto a divisão socio-economica da cidade, é claro que existem zonas com maior concentração de renda e outras menos favorecidas, isso ocorre em qualquer cidade, seja ela metropole ou pequena, em qualquer parte do mundo vai existir, isso não é exclusividade do Rio, ou do Brasil.
Mas cabe a cada um de nós, romper essas barreiras, e esquecer os bairrismo, futilidades, inveja, ranco, que são agentes que fazem com que as pessoas se separem.
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