Mais Empregos Onde as Pessoas Moram: Uma Solução para Múltiplos Problemas

Rio de Janeiro. 7 da manhã. Os trens chegam à Central entupidos. Pessoas vindas da Zona Norte, da Zona Oeste e da Baixada se amassam umas às outras. As leis da física são desafiadas. Não é diferente na Linha 2 do metrô, seja para quem entrou em Del Castilho ou para quem já até pegou um ônibus de sua cidade para chegar ao metrô na Pavuna. Os trabalhadores que vêm de Itaboraí, São Gonçalo e Niterói passam pela mesma situação nas barcas. As opções são estar engarrafado eternamente na Linha Vermelha, na Linha Amarela, na Avenida Brasil e na Ponte Rio-Niterói. Todos os dias trazem a mesma história e chegamos à Avenida Rio Branco pensando que no fim da tarde vivenciaremos o mesmo martírio, dessa vez de volta aos nossos bairros e cidades dormitório.

Os empregos cariocas e fluminenses estão absurdamente concentrados no Centro da Cidade. É assim com as funções mais antigas e também com as novas vagas que surgem. Não é mera coincidência o fato de muitas vezes vermos vazia a pista de carros que leva ao sentido contrário. Muito menos é por acaso que as composições do metrô que estão do lado oposto tenham sempre muito mais espaço livre. O contra-fluxo é tão fraco porque o fluxo é muito forte. A implantação de pistas reversíveis prova isso. Estamos todos indo para o mesmo lugar ao mesmo tempo. Assim, não haverá investimento em transporte que dê jeito.

A culpa não é dos cariocas e muito menos dos que vêm de fora do Rio. Todos nós apenas buscamos nosso legítimo sustento, mas a maioria de nós o obtém nos mesmos locais. Faltam planejamento, políticas públicas e incentivo para que haja um processo sustentável de criação de pólos regionais de empregos em outras áreas, de estímulo ao crescimento de outras centralidades. Haveria mais qualidade de vida, mais mobilidade, mais oportunidades de avanço social nos bairros e no Grande Rio e mais produtividade, com menos custos e menos poluição.

A Zona Oeste, a Zona Norte e outras cidades do Estado do Rio têm muito potencial e possuem vocações regionais. Elas podem e devem oferecer mais oportunidades profissionais para seus habitantes. A Prefeitura e o Governo do Estado precisam atuar nesse sentido, dando condições, implantando infraestrutura e facilitando a geração de vagas fora do Centro. Precisamos de desburocratização e de vontade política para que empresas e indústrias se instalem nesses locais. Com a atividade econômica caminhando, naturalmente virá o setor de serviços, com bares, restaurantes, salões de beleza e demais estabelecimentos que precisam de movimento para sobreviver. Essa circulação de pessoas gerará também mais segurança para bairros que hoje vivem desertos. Ao mesmo tempo, o Centro poderia assim ter mais moradias, mais vida à noite e nos finais de semana, também gerando mais segurança e diminuindo o deslocamento dos que trabalham por ali. Esse era um dos objetivos da revitalização da Zona Portuária, mas que até agora não foi atingido.

A Alemanha por exemplo não tem muitas cidades grandes, mas sim dezenas de cidades médias. É um exemplo de produtividade, alto nível de emprego e descentralização. Por que não apostarmos por exemplo no avanço de áreas como Santa Cruz, Campo Grande, Bangu, Madureira e Ilha do Governador ou cidades como Petrópolis, Volta Redonda, Campos e Cabo Frio? Os estados de São Paulo e Minas possuem diversas cidades médias, o que não se repete no Rio. O desenvolvimento regional é uma das questões que precisam de nossa atenção na hora de escolhermos nossos governantes em 2018.

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Bruno Kazuhiro94 Posts

29 anos, é formado em Direito pela UFRJ, Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ e Presidente Nacional da Juventude do Democratas. Além disso, é coordenador de Juventude da União de Partidos Latino-Americanos e Presidente Adjunto da Juventude da União Democrata Internacional.

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