Navegando na Tijuca - Di√°rio do Rio de Janeiro

Navegando na Tijuca

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Embaixo D'Agua por Fabiano CarnevaleO grupo Rizoma publicou hoje o v√≠deo em que houve a tentativa de censura de um Policial Militar. O v√≠deo pode ser dividido em 3 momento: Eles navegando na Tijuca e navegando de verdade com um bote. A revolta de um carioca por volta de 1 minuto e meio de v√≠deo e no fim o desespero de cariocas parados em √īnibus e carros que estavam sendo cobertos pela √°gua.

 

Um vídeo para ser visto e revisto:

 

Nas palavras do Rizoma:

Foi uma das situa√ß√Ķes mais impressionantes que j√° passamos. Nada t√£o radical, t√£o estranho e chocante. T√≠nhamos a id√©ia de navegar com nosso bote pela cidade, no meio da enchente, para saber na REALIDADE como era estar em primeira pessoa numa enchente dessas.

 

Mas o que era pra ser uma mera intervenção, se transformou num caos.

 

Descobrimos que, por flutuarmos com um bote, est√°vamos em terra de cegos! Logo, muita revolta e aplausos soaram quando est√°vamos filmando. A popula√ß√£o quis se manifestar e recolhemos os depoimentos mais intensos poss√≠veis. Tudo corria num ritmo estranho at√© chegarmos a Pra√ßa da Bandeira(meca do alagamento), de cara sofremos censura de um policial militar que nos chamou de "palha√ßos", n√£o que n√£o sejamos, mas ele quis, aos berros, nos fazer parar de filmar. Conseguiu nos assustar por pouco tempo, e mais alguns metros a frente encontramos mais de 7 pessoas em situa√ß√Ķes cr√≠ticas, principalmente dois idosos em estado lament√°vel. Foi assim, que largamos a c√Ęmera, o show, a intenven√ß√£o, o idealismo, para come√ßar a resgatar essas pessoas. Foda-se esse lance de her√≥i. Tem horas que voc√™ faz coisas por reflexo e n√£o por que se acha capaz.

 

Desde j√° queremos dizer que NEM TUDO que √© dito pelas pessoas aqui reflete o pensamento do Rizoma, e talvez nem o pensamento de quem falou. Porque a quest√£o aqui n√£o √© refletir pensamentos e sim emo√ß√Ķes, de quem estava no meio de uma situa√ß√£o extrema e fatal, para muitos. Voc√™s v√£o ver muitos palavr√Ķes e ofensas, mas certamente isso n√£o √© nada perto de mais de 100 pessoas mortas, se isso representa um manifesto humano. Primeiramente √≠amos colocar a famosa censura ao palavreado chulo, mas seria hip√≥crita em uma situa√ß√£o como essa, todo mundo sabe o que se diz, mas quer esconder e esse "documentarismo-radical" n√£o vem pra esconder e sim pra revelar. Trag√©dia, emo√ß√£o e limite emocional.

 

Tínhamos entusiasmo, um bote e uma corda.

Quintino Gomes Freire
Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.
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