André Delacerda, Opinião carioca - 21/04/2009 - Publique no Facebook

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Por André Delacerda

Sergio Cabral Muros em favelas, barracos blindados, caveirinhas e chibatas. Alguma coisa está bastante errada no Rio. Ou voltamos a um cenário da idade média, a idade das trevas; ou a época dos navios negreiros e da escravatura ou então não sei aonde vamos parar.

 

Para uma cidade que deseja ser a sede de um evento olímpico, este é um mau caminho. Quando abro um jornal e vejo que a PM está desenvolvendo um veículo apelidado de “caveirinha”, uma espécie de patrulha da PM blindada com capacidade para 6 policiais e 4 bandidos. Fico pasmo. Será que este é o caminho? Se a PM planeja ter uma frota dos tais caveirinhas é porque as coisas vão ficar piores, a chapa vai esquentar como se diz na gíria popular carioca. Imagina nos cidadãos, que não podemos ter veículos blindados. Vamos ficar a mercê do crime? Se a PM precisa de ter patrulhas assim, e nós? O que faremos?

Mas, continuando o passeio pelo laboratório dos horrores, tem-se a medíocre idéia dos barracos blindados, que é outra coisa absurda. A novidade, me parece uma coisa sem pé, nem cabeça, uma aberração. Promover a construção de barracos blindados é dizer. Favela é terra de ninguém. É o Estado assinando o atestado de incompetência e falência. E dizendo: vamos dar barracos blindados a vocês, porque a bala sempre vai comer aqui. Mas o essencial, educação, saúde, saneamento e moradia digna, que diga-se de passagem não é uma blindada, fica relegado ao esquecimento. E o pior você blinda um barraco, e o marginal faz o trabalhador de bem que vive na favela de refém, utilizando esses barracos como trincheiras.

 

Sobre os muros, já comentamos antes aqui no Diário do Rio, em um post que inclusive está dando o que falar. E vemos graças a Deus, a unanimidade de opinião contra esses muros da segregação, por parte de jornalistas sensatos, pensadores, estudioso no assunto social e geopolítico, pesquisadores, e até um Prêmio Nobel da Paz. Estes, afirmam que os muros não vão nos trazer solução positiva alguma. Pois, só vão passar uma sensação ilusória a nossa classe média, que parece querer se enganar, tomar uma pílula de farinha. O muro tira a atenção das reais responsabilidades que o Estado tem com o cidadão, e que não as cumpre. Quem viver verá.

 

E para coroar, o circo das aberrações que se instalou no Rio, ou melhor o laboratório das aberrações que quer se instalar por definitivo no Rio. Temos nada mais, nada menos, que um revival da novela “Sinhá Moça”, já estou até escutando os ecos daquela famosa música da abertura da novela “Lerê, lerê, lerê, lerererere…”.

 

Essa “Sinha Moça” versão ultra trash, teve um remake para lá de real. Pior que isso, é presenciar na tv, nos vídeos da web ao espetáculo de tortura que ocorria nos trocos nas praças públicas na época da escravatura brasileira, ocorrendo nos tempos atuais.

 

Pasmem. Não se ver nenhum feitor, capitão do mato nas imagens. Pode-se ver no vídeo bizarro a agressividade de homens que deveriam por a ordem de forma ordeira dentro de uma concessionária que detêm os serviços públicos de trem no Rio, e diga-se passagem, que ganha dinheiro através de um patrimônio de todos nós cidadãos cariocas. A concessionária deve explicações a sociedade do que ocorreu ali, e tem a obrigação de proporcionar serviços dignos, e não chibatadas de brinde ao cidadão que acorda cedo para ir ao trabalho, numa luta diária espremido nos trens que mais parecem latas de sardinha.

 

Alguns vão falar. Os traficantes e bandidos propagam a barbárie todos os dias na nossa cidade!

Porém, convenhamos. Eles o fazem, porque são o lado do Mal na sociedade. E o Estado? Este sim, deveria ser o lado do Bem, que combate com racionalismo o Mal, e traz soluções geniosas aos problemas sociais. O Estado, não deveria se iguala ao Mal, produzindo e patrocinando aberrações. Se for assim, veremos o mocinho virando bandido, ou mais que isso, virando um criador de aberrações – Dr. Frankenstein.

Senhor! Oh Redentor! Olhai por nós. Porque os homens que deveriam nos guiar não sabem o que fazem. E a nossa sociedade está corrompida pela cegueira. Dai-nos luz, oh Pa!.

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7 comentários

  • Rafael disse:

    Certamente o governo municipal e estadual está de cabeça para baixo no Rio de Janeiro.
    Mas eu apoio plenamente a colocação de muros nas favelas.

    O certo mesmo era transferir as favelas a outros locais, contruindo casas, assim como foi feita em Copacabana e na Lagoa a muitos anos atrás.

    Mas desde a era Conde, Rosinha, entre outros.
    A favelização foi apoiada pelo governo fluminese e carioca.
    A visão do eterno charme do Rio de Janeiro foi trocada por filmes de favela e violência, apoiado plenamente pela mídia brasileira, cinema brasileiro e o governo federal.

    EU lembro quando era pequeno o que era ir na Rua da Matriz em Botafogo, e agora é uma visão contemplada para Dona Marta. A cidade Maravilhosa aos poucos está se tornando simbolo de favelização mundial.

    Está na hora de ser feito alguma coisa.
    Já que não há um governo que tenha coragem de acabar com a favelização carioca, a colocação de muros para conter o crescimento é um mal necessário.

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  • Michelle Brant disse:

    Se observarmos bem, a maior parte da área verde, cobertura de floresta no Rio está na Zona Norte e Oeste – Maciço da Tijuca, etc. Então porque a idéia dos muros não foi preparada para essas regiões. Porque só murar favelas na Zona Sul? Essa é a pergunta que fica. A justificativa dos muros na Zona Sul fica estranha quando pensamos que existem centenas de favelas em outras áreas agredindo vastas áreas com forte apelo ecológico, e que não vão ganhar nenhum muro. Assim, tem-se na verdade uma conotação dos muros na Zona Sul, fazer bonito para gerar falsa sensação de segurança pra rico e classe média.

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  • luis disse:

    Os policiais devem continuar morrendo? Qual é o estimulo que o policial tem em um dos lugares que mais se matam policiais? Nesse quadro extremo, a blindagem é importante. Qual é a outra solução? Tirar os policiais das áreas de risco para que eles não sejam mortos?
    Pois uma coisa é fato: Essa situação de extremo risco aos policiais não vai se reverter logo.

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  • André Delacerda - Diário do Rio disse:

    Nem policiais que são cidadãos atuando numa profissão devem morrer, nem o cidadão civil.
    O que falta é politica de segurança, ao inves de carro blindado, precisamos ter um serviço de inteligencia eficiente, um Estado presente, para que o crime não ocupe o lugar que é do Estado, e assim não tenhamos um Estado (crime) dentro do Estado.

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  • João disse:

    André, discordo de duas das opiniões apresentadas.

    (i) Quanto aos “caveirinhas”, sinceramente, não vejo como ser contra. Caramba, a bandidagem está cada vez mais equipada com armamento pesado, digno de Guerra do Iraque. É justo expor nossos policiais em carros comuns? Como se espera que um PM, armado de um simples 38, combata um bandido armado de AK47 ou Kalashnikov? Os carros blindados permitem o acesso a áreas infestadas de bandidos e protegem os policiais que buscam trazer segurança à população.

    (ii) Quanto aos muros, tb não vejo como ser contra. O “cidadão” não adquiriu seu terreno de forma legítima, não paga IPTU por lá estar, lança seus dejetos a céu aberto e obtém de forma ilegítima serviços de luz, água, TV, etc. Impedir que expanda sua ocupação floresta afora é o mínimo que o Estado pode fazer. Em realidade, uma vez que a ocupação é ilegítima, todos deveriam ser DESPEJADOS, e não realocados. Ocorre que o erro está na origem, em se ter permitido a ocupação e o custo político de um despejo em massa é altíssimo. Assim, se buscam soluções paliativas, como os muros e os COHAB’s da vida.

    Abs

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  • André Delacerda - Diário do Rio disse:

    João,
    Se os bandidos estão armados dessa forma é porque as armas vieram de alguma lugar e entraram no Rio de forma ilegal. O certo é se impedir a entrada das armas no Rio, seja com um completa ação nas estradas, na Baia da Guanabara e aeroportos. As armas vem de algum lugar, a policia deve saber disso, se a policia sufoca a fonte e as arterias que abastecem os bandidos cariocas, certamente o trabalho da policia fica mais fácil, é mais fácil se investir nisso, do que se deixar o tumor do cancer (bandidos) sendo abastecido de sangue(armas, etc). Amanhã, vão justificar o uso de tanques, etc e tal. Não adianta ter caveirinha, porque amanhã, os bandidos vão ter armas mais potentes, e ai, a Secretaria de Segurança vai inventar que devemos comprar tanques, o custo disso sai mais caro, do que se agir com inteligencia e sufocamento na logistica das drogas e armas.
    Quanto aos muros, se é ilegal a ocupação nas favelas, deveriam ter impedido há 30 anos atrás que seria bem fácil, agora não é tão facil, é mais dificil, fica um situação complicada, alias, político de partido nenhum vai remover, tem prejuizo eleitoral. Também não se pode despejar 50 mil pessoas e deixa-los ao tempo, imagina o caos que ia ser, seria até pior.
    Uma pergunta que não se cala, é porque cerca favelas na Zona Sul só? Na Zona Oeste e Norte, com aquela imensa área verde sendo ameaçada no Maciço da Tijuca e etc, porque não lá? Certamente, se justifica na Zona Sul com a temática ecológica, somente para encobrir o interesse de agradar ou iludir a classe média ou rica. Quero ver tomar ações para se preservar as áreas verdes na Grajau-jacarepaguá onde existem 11 comunidades, porque não se tomar iniciativas na Tijuca, etc e tal?
    Mas valeu pela sua participação no debate. Continue a nos prestigiar. Abraço.

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  • Elesbão disse:

    Murar, urbanizar, mesmo, só deveria ser aplicável a favelas com dez mil pessoas, por aí. Abaixo disso, desocupação tendo como destino conjuntos situados à margem das artérias de tráfego rodoferroviário. Mais uma vez falo na engenharia do Exército.
    .
    A situação surgiu há anos, eventualmente insuflada por motivos eleitoreiros desde Passos, acentuando-se no caso Brizolista, ou por omissão – que não deixa de implicar no mesmo –, como no caso da “Era Maia”. A Grajaú Jacarepaguá, inclusive, cresceu assustadoramente nesse período recente.
    .
    O controle de armas requer participação das três esferas, o que não impede que, paralelamente, seja dado ao policiamento de áreas de risco acentuado o acesso à blindagem, que há tempos deixou de ser luxo para o Rio.
    .
    Mas vale sempre a receita antiga. Antes, antes de tudo, é preciso valorizar o elemento humano. Policiais precisam de treino e remuneração minimamente digna. O que existe hoje são capangas fardados, gente escondida atrás de armas, fazendo uso da própria ignorância para perpetuar a sua visão distorcida de justiça. A Polícia poderia ser uma só, também.

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