Sergio Cabral volta a fazer contrato com a Delta - Di√°rio do Rio de Janeiro

Sergio Cabral volta a fazer contrato com a Delta

1

O governador Sergio Cabral (PMDB) deve estar como aquele deputado que disse n√£o se importar com a opini√£o p√ļblica. Ap√≥s uma sequ√™ncia de den√ļncias feitas ap√≥s a queda do helic√≥ptero na Bahia, em que suas rela√ß√Ķes pouco republicanas com Fernando Cavendish, presidente da empreiteira Delta, ficaram mais as claras, parece que nada aprendeu. √Č que Sergio Cabral voltou a fazer 8 contratos emergenciais, ou seja, sem licita√ß√£o, com a Delta‚Ķ um tapa na cara dos contribuintes.

 

Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) vem tentando ao menos dar uma cara de moralidade no Governo Federal, aqui no Rio √© o ‚Äúpouco me importo‚ÄĚ. Mas tamb√©m, por que se importaria? Na ALERJ n√£o h√° oposi√ß√£o e a imprensa s√≥ faz den√ļncias pontuais, quando a situa√ß√£o chega a um ponto imposs√≠vel. Com exce√ß√£o da paulista, como no artigo abaixo de Fernando de Barros e Silva na Folha de S√£o Paulo:

César de ponta-cabeça

O governo de Sérgio Cabral acaba de firmar oito contratos emergenciais, com dispensa de licitação, com a empreiteira Delta, do empresário Fernando Cavendish, seu grande amigo.

S√£o contratos que totalizam R$ 37,6 milh√Ķes e v√™m se somar aos R$ 58,7 milh√Ķes que a Delta j√° recebeu sem licita√ß√£o do governo fluminense somente neste ano.

 

Foi um acidente a√©reo no litoral baiano, h√° dois meses, que jogou luz sobre as rela√ß√Ķes quentes do governador. Ele e o empres√°rio viajaram juntos no jatinho emprestado por Eike Batista. Iam comemorar o anivers√°rio de Cavendish e aguardavam o helic√≥ptero que caiu, matando a namorada do filho de Cabral e familiares do empreiteiro.

 

Cabral e Cavendish já haviam usado o jatinho do mesmo Eike para ir às Bahamas, a passeio. Ambos têm casa de férias no mesmo condomínio de endinheirados em Mangaratiba, litoral sul do Rio.

 

Essa bonita rela√ß√£o de amizade n√£o foi suficiente para constranger neg√≥cios com o Estado, que devem se pautar pela impessoalidade. Pelo contr√°rio, tudo parece pertencer a uma mesma festa. A Delta abocanhou mais de R$ 1,3 bi em contratos na gest√£o Cabral, dos quais R$ 214 milh√Ķes s√£o "emergenciais".

 

O dinheiro aprovado nesta semana, por exemplo, se destina a reparar danos provocados pelas chuvas de janeiro de… 2010 – um caso de "emerg√™ncia retroativa". A Delta vai receber 40% dos R$ 96,3 milh√Ķes reservados √†s obras.

 

O que chama a aten√ß√£o nessa hist√≥ria toda √© a sem-cerim√īnia com que a promiscuidade se apresenta. Tudo √© muito did√°tico e ostensivamente escancarado. Como se o governador estivesse empenhado n√£o mais em agredir a intelig√™ncia do contribuinte – j√° passamos desse ponto -, mas em testar os limites da sua impunidade e o grau de omiss√£o das institui√ß√Ķes do Estado.

***
No Brasil, as coisas funcionam de ponta-cabeça. Não é que invertemos a máxima da mulher de César?

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Quintino Gomes Freire
Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.

Comente