A situação de abandono das passagens subterrâneas de Botafogo

A recuperação das passagens subterrâneas de Botafogo é uma antiga reivindicação dos moradores e não é por menos.

Acesso para a primeira passagem subterrânea, pela Praça Pimentel Duarte. Em dias de chuva, água empossada no caminho.

Mesmo com tantos investimentos e reformas de espaços públicos na cidade nos últimos anos, a orla de Botafogo continua pouco frequentada devido a sua péssima infraestrutura de conexão com a quadra dos prédios.

As passagens subterrâneas sob as pistas da Avenida Nações Unidas, uma via expressa, em dias de chuva, além de fétidas, apresentam inúmeros pontos de alagamentos e que em casos extremos, impedem completamente a travessia.

Muito vem se discutindo em relação a necessidade de adoção, como regra no desenho urbano, de elementos que priorizem o urbanismo caminhável.

Em relação a Botafogo, as passagens subterrâneas, além de repulsivas e não inspirarem segurança, acabam contribuindo ainda mais para o esvaziamento da orla, afastando as pessoas de um espaço que poderia ser melhor ocupado.

A poluição da praia de Botafogo é parte do problema que provoca o esvaziamento da região, como no verão, mas a falta de ocupação dos espaços deve-se em grande parte pela insegurança. A insegurança é consequência do abandono e da falta de uso.

A Praça Pimentel Duarte, que oferece um amplo espaço livre, com uma vista fantástica  é subutilizada pela pouca acessibilidade e nenhum uso.

Interior da primeira passagem subterrânea. Infiltrações, sujeira e iluminação precária.

Considerando as centralidades por áreas de planejamento, Botafogo figura como uma das mais importantes da AP 2. No entorno da Praça Pimentel Duarte, onde encontram-se um dos acessos de uma das duas passagens subterrâneas, localizam-se vários centros empresariais, sede de empresas internacionais, shoppings, diversos cinemas e bares.

As presenças do Botafogo Praia Shopping e do Itaú Cultural deram uma boa contribuição para parte da região na quadra dos prédios. O movimento das lojas, restaurantes e cinemas garantem um fluxo, inclusive noturno, de pessoas circulando pelas calçadas da região, mas e a orla?

Com o lamentável estado de conservação das passagens subterrâneas, até para incentivar uma simples caminhada pela orla, moradores e turistas, evitarão caminhar por ali.

Segunda passagem subterrânea, próxima ao Edifício Argentina. Problemas de drenagem e muito lixo no caminho.

O fato da Avenida Nações Unidas ser uma via expressa, portanto sem sinais e faixa de pedestres, impõe sobre as passagens subterrâneas uma importância ainda maior diante à infraestrutura de trânsito para os pedestres.

 

Além da recuperação das passagens subterrâneas, soluções bastante interessantes sugiram para garantir a ocupação da região em dias de sol e chuva. É o caso da indicação nº 1821/2017, enviada ao Poder Executivo pelo vereador Alexandre Arraes que propõe, a construção de uma galeria comercial no subsolo da Praça Pimentel Duarte, a exemplo da Turnstyle Underground Market de Nova York, onde funciona um centro gastronômico. Para isso, foi proposto na indicação uma parceria público-privada, incluindo além da galeria comercial, a construção de outra passagem subterrânea, na altura da Rua São Clemente com a Avenida Praia de Botafogo.

Turnstyle Underground Market, em Nova York. Alexandre Arraes propôs à Prefeitura uma PPP para revitalizar a Praça Pimentel Duarte com a criação de vários usos no subsolo. A galeria faria parte do conjunto de passagens subterrâneas da praça.

Lojas e serviços poderiam ser instalados no subsolo da praça e o piso da Praça Pimentel Duarte funcionar com um amplo terraço para mesas e espaços recreativos, garantindo o uso diversificado e no subsolo, serviços diversos e banheiros para o maior conforto dos usuários que frequentarão o espaço.

Vereador Alexandre Arraes

A proposta de conexão da segunda passagem subterrânea garantiria a conexão segura da quadra dos prédios até a orla, criando uma linha de travessia no subsolo, aproveitando a estrutura da passagem existente, que seria reformada integrando o conjunto da galeria comercial subterrânea.  Desta forma, todo o percurso poderia ser feito sem nenhum risco de atropelamentos, por exemplo.

Na galeria, além de bares e lojas, vários outros serviços poderiam ser oferecidos, como academia de ginástica e órgãos de serviços públicos. Em parte, se assemelharia ao que ocorre na estação do Metrô Carioca, que possui cafés, lojas e academia.

No caso de Botafogo, a segunda conexão de travessia subterrânea, ao ser proposta pela Rua São Clemente, está relacionada a proximidade com o acesso ao metrô.

 

 

A prefeitura do Rio, quando for tratar da revitalização da Praia de Botafogo deveria considerar, de forma impreterível, a conexão das quadras dos prédios com a orla. Essa proposta do Arraes deveria ser avaliada pela prefeitura como uma possibilidade interessante.

Sem melhorar a circulação de pessoas, a pé e de bicicleta, entre as quadras dos prédios, a Praça Pimentel Duarte e a praia, poucas alternativas restarão ao sonho de ver a orla de Botafogo repleta de pessoas de todas as idades permanecendo ou circulando por lá.

Croqui indicando a área de implantação da galeria comercial e as passagens de conexão entre as quadras dos prédios e a praia
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Guilherme Fonseca Cardoso26 Posts

Guilherme Fonseca Cardoso é bacharel em Direito, Arquitetura e Urbanismo, com especialização em Gestão Pública e está se especializando em Engenharia Urbana pela Escola Politécnica da UFRJ. É sócio da Associação Brasileira de Pavimentação e do Clube de Engenharia, integrando a Divisão Técnica de Transporte e Logística (DTRL), eleito para o período de 2015-2018. É autor do livro “O Prefeito Progressista, uma leitura histórica sobre o Governo Alaor Braz da Fonseca”, onde analisa os principais acontecimentos administrativos e políticos do município de Porciúncula RJ entre os anos de 1976 a 1983.
Contato: gfonsecac@uol.com.br

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