Sotaque Carioca é o oficial | Diário do Rio

Sotaque Carioca é o oficial

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O Carioca e o Esporte por Tsraposo Semana passada o Marco Antonio, leitor aqui do Diário do Rio, resolveu a pendenga deste post e me mandou um email dizendo que SIM! O carioca tem o sotaque oficial do Brasil. De acordo com ele a a escolha do português falado no Rio de Janeiro como padrão nacional foi feita em dois Congressos Nacionais: o de Língua Cantada, organizado em 1937 por Mário de Andrade e o de Língua Falada no Teatro, realizado em Salvador em 1956.

E Marco Antonio, conclui, se quiserem modificar, que façam novos congressos!

Provas??? Então leia o artigo abaixo!

 

A SUPOSTA SUPREMACIA DA FALA CARIOCA: UMA QUESTÃO DE NORMA

Angela Marina Bravin dos Santos (UFRJ)

INTRODUÇÃO

É lugar comum no meio acadêmico, quer entre historiadores quer entre gramáticos e lingüistas, a idéia de que a fala carioca se sobrepõe aos outros falares, o que lhe confere um suposto “status” de modelo a ser seguido. A influência do falar carioca já era sentida, segundo o historiador Alencastro (1997:34), bem antes do advento dos meios de comunicação:

Bem longe do advento do rádio e muito antes ainda da televisão, os habitantes do Rio já influenciavam a fala dos habitantes das outras províncias.(ALENCASTRO, 1977:34).

Ainda sob o olhar de historiadores, parece que tal “status” se confirmou em dois Congressos Nacionais: o de Língua Cantada, organizado em 1937 por Mário de Andrade e o de Língua Falada no Teatro, realizado em Salvador em 1956:

Carvalho e Melo e Silva Lisboa afirmavam com intuição, uma verdade que veio a ser confirmada por dois Congressos Nacionais de Língua Cantada , de ser a do Rio de Janeiro a pronúncia padrão do Brasil.

(RODRIGUES, 1986:48)

Sob a ótica de alguns estudiosos da língua, como  Révah, a história não era diferente: “ Para as referências à língua comum do Brasil, utilizaremos antes de tudo o falar do Rio de Janeiro” (RÉVAH, 1958:2).  Révah seguia, provavelmente, os caminhos abertos pelos congressistas de 1937 e 1956 que, por considerarem necessária uma pronúncia unificada ou padronizada no teatro,  resolvem escolher a fala carioca  como a língua-padrão do teatro, da declamação e do canto eruditos do Brasil, ainda que reconhecessem como características das  línguas “a pluralidade de maneiras de falar, as variações fonéticas”.[1]

Conforme Leite & Callou, buscou-se nesses Congressos o estabelecimento de normas de âmbito generalista que, de um lado, representassem o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo e de outro, não fizessem com que se corresse o risco de chegar a uma média que não correspondesse  a nenhuma das variedades faladas no Brasil, no passado ou no presente.” (LEITE & CALLOU, 2002:10-11)

As questões que se colocam são:

1) o falar carioca representa o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo?

2) pode-se tomar o falar carioca como a média  que corresponde às variedades faladas no Brasil?

3) o caráter de pronúncia padrão do português do Rio de Janeiro existe de fato ?

4) há argumentos lingüísticos e extralingüísticos que justifiquem a escolha de um  determinado  dialeto como padrão?

Não se podem obter respostas para tais perguntas sem levar em conta os diferentes conceitos de norma lingüística: de um lado, a idéia de que norma e classe social se inter-relacionam; de outro, impõe-se a visão de que, lingüisticamente, não existe um falar melhor que o outro. Se faz necessário também buscarmos uma definição de língua padrão.

NORMA E LÍNGUA PADRÃO

Mattoso Câmara[2] define norma como o “conjunto de hábitos lingüísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa no País”. Note-se que o caráter social de prestígio é o que determina, conseqüentemente, o prestígio de determinado dialeto, transformando-o em modelo lingüístico de uma comunidade, ou seja, na língua padrão, que segundo Cunha e Cintra é, dentre as variedades de um idioma, a mais prestigiosa:

A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal lingüístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação.  (CUNHA & CINTRA, 1985: 3)

Assim, tomando por base o conceito de norma, postulado por Mattoso Câmara, as respostas às perguntas acima seriam positivas, já que, afinal de contas, no princípio, o Rio era a Corte e, por isso, um lugar com ares europeizados, portanto, de prestígio, conforme se observa no texto de Alencastro:

A corte, as embaixadas estrangeiras, o comércio marítimo, as escalas contínuas de viajantes que cruzam o Atlântico Sul, a chegada de profissionais europeus, engendram no Rio de Janeiro um mercado de hábitos de consumo relativamente europeizados(…) Novidades nacionais e estrangeiras recebiam a aprovação da sociedade e da imprensa da corte__transformando-se em moda imperial__, e daí irradiavam para o resto do país. (ALENCASTRO,1977:37- 51)

E é na Corte que a relação dominador/dominado se estabelece de maneira mais incisiva, já que as ordens vinham da elite portuguesa e não de qualquer dono de terra. Por isso, deduz-se que assimilar a fala dos donos do poder significava alcançar prestígio..

Perseguindo dados que comprovem o prestígio do Rio de Janeiro, podemos argumentar, ainda, que, além de ter sido Corte, o Rio apresenta a menor taxa de analfabetismo entre as 12 maiores capitais do país. É aqui também que se constata um expressivo número de pessoas com nível superior. No tocante aos aspectos social e econômico, a Cidade Maravilhosa reúne bairros com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), destacando-se a Lagoa, cujo “IDH, de 0,902, é semelhante ao da Itália”.( O Globo, 24/03/2001).

Se partirmos da definição de língua padrão postulada por Celso Cunha e Cintra, chegaremos também a respostas positivas. Entretanto, essa mesma definição nos leva a pressupor que o falar carioca não poderia ser tomado como modelo, uma vez que a “ponderável força contrária à variação” é minada pelo caráter extremamente heterogêneo do “ linguajar carioca”,  que, provavelmente,  já no final do século XIX, era marcado por quatro resultantes: a) um falar de prestígio; b) um falar de caráter mais popular; c) um falar rural e d) um falar oriundo da confluência entre os habitantes das regiões rurais e das regiões centrais. (CALLOU & AVELAR,2002:103)

NORMA : o que é comum

A heterogeneidade do falar Rio de Janeiro ilustra-se nas diferentes realizações do S implosivo, verificadas por MARQUES & CALLOU (1977) e da vibrante, investigada só por CALLOU (1985): vimos que há 6 variantes para cada variável. Temos de convir que existe muita variação para a escolha de uma pronúncia padrão. A propósito, pergunta-se: em relação ao S implosivo, qual seria a pronúncia ideal: a palatal, marca registrada do carioca (NASCENTES, 1953: 52), ou a alveolar, variante considerada padrão e mais freqüente em outras regiões? E o que dizer das linguodentais: prevalecerão as realizações do /d/ e /t/ diante de /i/, ou seja, as africadas, consideradas por Nascentes (1953) como características do nosso linguajar?

A resposta está no artigo de Révah, em que o autor discute a evolução da pronúncia do português, tendo por base as determinações do Congresso de 1956:

Trata-se de fatos muito generalizados, mesmo na linguagem das classes superiores da sociedade, mas também de fatos que a língua padrão, que o Congresso tem por missão definir, terá tendência a rejeitar, como prejudiciais à boa feição da língua:

1)ditongação de vogais acentuadas antes do s final: rapáys de rapaz, déys de dez(…) Encontram-se também variantes onde a consoante final é uma chiantes.

2)a palatalização (em graus diversos) das consoantes t, d, l, diante de i. (RÉVAH, 1958:9)

A julgar por tais palavras, parece que a palatal e a africada, realizações comuns no português carioca, ficaram de fora da “boa feição da língua”, o que nos faz elaborar outra pergunta: que norma de pronúncia padrão é essa que exclui realizações fonéticas características da cidade do Rio de Janeiro?

Com base nesses argumentos, às perguntas elaboradas inicialmente seriam atribuídas respostas negativas, já que os conceitos de norma e língua padrão apresentados não dão conta do caráter extremamente heterogêneo do falar carioca.  O conceito de norma que talvez resolva a questão vem de Coseriu (1980). Argumenta o autor que a norma da língua contém tudo o que é comum e constante, não existindo uma variedade de determinada língua superior a outra; é apenas igual ou diferente. Assim, diferentes normas podem variar no seio de uma comunidade idiomática sem estar atreladas a julgamentos de valor. (CUNHA, 1985)

Deduz-se, pois, que, sob a ótica coseriana, não há justificativa para tomarmos a fala carioca como o ideal. MAS a suposta supremacia existe. Até professores de Língua Portuguesa, extremamente conservadores no que tange à norma culta, como  Pasquale Cipro Neto, a reconhece. Diz ele:  “ Acho que no cômputo geral, o carioca é o que se expressa melhor sob a ótica da norma culta.” (VEJA de 10.09.97). O que, provavelmente, o referido mestre não sabe é que a escolha de um dialeto como modelo lingüístico de uma comunidade é fenômeno próprio das línguas de cultura. Isso não significa que, lingüisticamente, o dialeto escolhido seja superior ou mais importante. Se a escolha recai sobre falares de uma classe ou lugar considerados prestigiosos é porque fatores  extralingüísticos influenciam a opção pelo uso de uma determinada  variedade.

A INFLUÊNCIA DE FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS E CULTURAIS

Rosenblat (1967), referindo-se aos critérios de correção lingüística, mostra que a expansão de fenômenos lingüísticos faz parte da história milenar das línguas, embora anteriormente ocorresse de maneira menos intensa e vertiginosa.  Segundo o autor, uma cidade, sobretudo as capitais ou grandes centros regionais, ganha prestígio, transformando-se em foco de expansão lingüística graças a um jornal, a uma universidade ou a uma emissora de rádio e televisão. Para o autor, a padronização de um modelo impõe-se pela necessidade de a comunidade lingüística atingir, principalmente no ensino, uma norma abstrata e idealizada.

Sem dúvida nenhuma, o Rio irradia cultura. Não nos esqueçamos de que não só as primeiras Universidades brasileiras surgiram na Sede do Império como aí se deu o início da imprensa, cujo discurso se pautava na linguagem mais apurada da Corte (ALENCASTRO, 1977), lugar preferido também pelos grandes escritores brasileiros: “ Todos os grandes escritores brasileiros moravam na corte” (MACHADO DE ASSIS, apud  ALENCASTRO, 1977: 35). Nos aspectos sócio-econômicos, alguns já mencionados anteriormente, o Rio constituiu-se no principal centro econômico, uma vez que a Baía de Guanabara se tornou a porta de entrada de diferentes produtos e de pessoas oriundas de outras regiões, intensificando-se aqui não só o intercâmbio lingüístico mas  o processo de mobilidade social.

Estima-se que 15 mil portugueses aqui aportaram (CALLOU e AVELAR, 2002). Eram integrantes da classe dirigente. No início, concentraram-se nas freguesias da Candelária e de São José, espaço que hoje faz parte do Centro ( Rua dos Inválidos, Rua do Lavradio, Rua do Resende), Glória e Catete. Nas freguesias de Santa Rita e Santana, atuais Saúde, Santo Cristo e Gamboa, fixaram moradia pessoas de baixa renda, entre escravos de ganho e trabalhadores livres.  A cidade expande-se em conseqüência da intensificação das relações sócio-econômicas nessas freguesias. A classe mais abastada procura outras localidades em direção, principalmente, à orla marítima. Os indivíduos menos favorecidos buscam moradia nas Zonas Norte e Oeste.

Até parece que os congressistas de 1937 e 1956 sustentaram seus argumentos com base nas declarações de Rosenblat Apesar de não se pautarem em critérios científicos rígidos, talvez porque a época não permitisse, os seguidores de Mário de Andrade intuíam que, subjacente à escolha de um dialeto padrão, pairam fatores de ordem sócio-econômica e cultural. Mas não se impõe um modelo lingüístico por decreto. O que se fez foi apenas confirmar uma realidade que é conseqüência do próprio desenvolvimento sócio-econômico e cultural do Rio de Janeiro, cujo falar, como qualquer outro, possui características lingüísticas próprias.

Na verdade, o que existe é uma tentativa de padronizar a pronúncia brasileira, eliminando-se qualquer vestígio de regionalismo. Se escolheram o português carioca como modelo é mais por questões sócio-históricas que lingüísticas. Subjazem à escolha resquícios de uma sociedade carioca moldada pela relação senhor/escravo, em que o poder estava em jogo. Quando o poder entra em jogo, vence o modelo lingüístico do dominador. Provavelmente, se outra cidade do Brasil tivesse passado pelas circunstâncias que o Rio passou, não seria o português carioca o escolhido, mas a fala dessa hipotética região.

CONCLUSÃO

Por mais que tentemos argumentar contra a idéia de que o falar carioca não deva ser considerado o modelo lingüístico brasileiro, uma vez que, lingüisticamente, não há um dialeto superior, não se pode negar a importância dos fatores extralingüísticos para os fenômenos da linguagem, os quais justificam a escolha.  E um dos conceitos que a explica é o de NORMA, não na visão coseriana, mas na que sustenta a suposição de que, em uma língua, há sempre uma variedade de prestígio falada por uma elite, também de prestígio.

O suposto modelo de fala da cidade do Rio de Janeiro não reflete a realidade lingüística de seus habitantes. Trata-se de uma abstração. O que ocorre é a neutralização dos regionalismos, resultando em uma busca de um padrão idealizado, SUPÕE-SE, de base carioca.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALENCASTRO,  L.F. (org) (1977). História da vida privada no Brasil. V. 2 São Paulo, Companhia das Letras.

CALLOU, D. & MARQUES, M . H (1975). O –S implosivo na linguagem do Rio de Janeiro. In: Littera: revista para professor de português e de literaturas de língua portuguesa VOL. V: Rio de Janeiro, Grifo 9-137.

CALLOU, D. (1987) Variação e distribuição da vibrante na fala urbana culta do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, PROED – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

CALLOU, D. (2002). Da história social à história lingüística: o Rio de Janeiro no século XIX. In: ALKMIM, Tânia Maria (org.) Para a história do português brasileiro. VOL. III: Novos estudos Humanitas/FFLCH/USP 281-292.

CALLOU, D & AVELAR, J. (2002). Subsídios para uma história do falar    carioca: mobilidade social no Rio de Janeiro do século XIX. In: Para a história do português brasileiro. VOL. IV. Notícias de corpora e outros estudos. Rio de janeiro, UFRJ/LETRAS, FAPERJ: 95-112.

CAMARA, Mattoso. Dicionário de filologia e gramática. Rio de Janeiro, Jozon Editor.

COSERIU, Eugenio. (1980). Lições de lingüística geral. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico.

CUNHA, Celso & CINTRA, L. (1985). Nova Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.

LEITE, Y & CALLOU, D. (2002). Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro, Zahar Editor.

RÉVAH, I.S. (1958). A evolução da pronúncia em Portugal e no Brasil do século XVI aos nossos dias. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE LÍNGUA FALADA NO TEATRO, 1o Salvador, 1956. Anais. Rio de Janeiro, MEC.

RODRIGUES, J. H. (1986). História viva: São Paulo, Global Universitária.

ROSENBLAT, Angel. (1967). El critério de correccion lingüística. Unidad o pluralidad de normas em el espanol de Espana y América. In: EL SIMPOSIO DE BLOOMINGTON, Bogota, Instituto Caro y Cuervo.


[1] In: Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro (1958:129)

[2] Dicionário de Filologia e Gramática (s/data), p.281.

Quintino Gomes
Defensor do Carioca Way of Life, morou em Jacarepaguá a vida toda, trabalhou na Zona Oeste, na Zona Norte, Centro e Zona Sul. O pai é português e a mãe carioca da Gema, do Bairro de Fátima
Quintino Gomes

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5.404 Comentários

    • Claro que domina!
      No Rio de Janeiro ele domina!
      Só e somente la!
      E o Jornal Nacional não tenta reproduzir isso,e nem nas novelas.Na realidade o sotaque mais parecido com o portugues e mais correto é de Belem do Para e Maranhão,pesquisem e vera.

  1. E em 1961, Jânio Quadros decretou que o português fluminense era o português oficial brasileiro. Por força de lei. (deve ter uma cópia do decreto em algum site oficial.)

    Quanto à Globo, a pronúncia que eles oficializaram é a mais neutra possível (na cabeça deles). E certamente não é carioca.

  2. Fatima Bernardes e apresentadora do Jornal Nacional e e carioca e fala como carioca. Willian Bonner, o apresentador, e paulistano mas nao fala como tal ha muito tempo. Pouca diferenca se nota entre a cadencia da fala dos dois.

    Christiane Palajo e Arnaldo Jabor, do Jornal da Globo, sao cariocas e falam como tal. Willian Waack e paulistano mas nao fala mais como tal. Nenhum vestigio daquele sotaque italiado se observa na maneira de falar. Pouca diferenca entre a cadencia da fala dos tres.

    Sandra Annenberg e Evaristo Costa, do Jornal Hoje, sao paulistanos e possuem um cadencia bem neutra. Pouco sotaque paulistano e observado ali. A cadencia da fala dos dois tende ao modo de falar do Rio. Mais uma vez.

    Gente!!! Nao e que as pessoas sejam obrigadas a falar como cariocas. O regionalismo e que tem que ser deixado para tras __ o maximo possivel __ buscando uma possivel uniformizacao. E a “referencia” neste caso, como decidido pelos congressistas de 1937 (note que Mario de Andrade era paulista) e 1956 (na Bahia), e o falar da elite carioca. Da elite, note bem!

  3. Preconceito Lingüístico: Brasileiro não sabe português. Só em Portugal se fala bem português

    As línguas são diferentes. Elas sofrem variações diacrônicas (conforme a época), diatópicas (conforme o lugar), diastráticas (conforme a classe social ou especialização dos falantes) e ainda conforme a situação (formal ou informal).

    Apesar de tudo isso, se a língua estabelecer um canal de comunicação entre os falantes, ela já desempenhou o seu papel. E eu até poderia terminar esse texto por aqui.

    Mas eu preciso dizer que, a mania quase doentia que o brasileiro tem de se diminuir perante o resto do mundo, dá origem a mais esse mito sobre a língua. Só em Portugal se fala português corretamente.

    Meus amigos, nós somos sim uma antiga colônia de Portugal, mas um abismo lingüístico de 500 anos de evolução e quase um século de independência separa nossas línguas.

    Diante disso, eu pergunto: por que as pessoas ainda insistem em dizer que os portugueses são os verdadeiros “donos” da língua? Por que uma língua independente, com sua própria gramática e regras, como o português brasileiro, continua a ser vista como inferior à outra?

    Me digam se isso acontece com o inglês americano? Afinal, eles também foram colônia da Inglaterra. Por que o inglês da Inglaterra não é muito mais bonito que o inglês americano?

    O português de Portugal é diferente do português do Brasil, assim como o português do Cabo Verde é diferente do português de Moçambique, e não é nenhum acordo lingüístico que vai mudar isso. Estamos falando de culturas diferentes, de povos diferentes e de situações sociais diferentes.

    A gramática (ou os gramáticos) só precisam entender que frases como “Você viu ela chegar” ou “Eu conheço ele”, são construções totalmente comuns ao português brasileiro. A um falante — ou mais ainda, a um aluno — não devem ser impostas regras que simplesmente não fazem parte da realidade de NENHUM usuário da língua, portanto, totalmente artificiais, numa tentativa inútil de fazer nações que estão a 10.000 quilômetros de distância, falarem exatamente do mesmo jeito.

    Referências

    BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo – SP, Edições Loyola, 2002, 18 ed.

  4. De acordo com Célio Peçanha, o maior linguista que o mundo da lingua portuguesa produziu, não existe padronização, em nenhuma lingua do mundo, somos frutos do nosso microcósmo celular familiar, que se expande de acordo com as particularidades de cade local que nos afetam de maneira irreversível do do nosso cotidiano, sei que para o leitor mais leigo, parece díficil, mas resumindo, tudo, isso não passa de pura especulação de que acaba desviando as reai verdades do nossos problemas, a lingua portuguesa, é misturada como o povo que se exprime, então, não se chega a nenhuma conclusão academica, vivemos o auge das coisas inúteis do nosso mundo ambiguo!

  5. Sou carioca, meu avÔ era gaucho e minha vó do Nordestino… Quando as pessoas me conhecem falam o meu jeito de fala é bem diferente não tenho jeito de fala igual carioca mesmo… queria sabe o porque?

  6. E isso MESMO o melhor sotaque é daqui do rio
    o sotaque Carioca predomina
    o rio mais uma vez vitorioso sotaque carioca oficial do brasil
    uhuhuhu

  7. Pelo Amor de Deus se o Sotaque carioca é Oficial
    Temos Que comprar Freios meu Deus que coisa HORRIVEL!!!

    Parecem Portugas desfarçados
    Alem do Mais Falam tudo ERRADO vejam um Exemplo Carioca falando

    1- Usam “x” em Lugar do “S” Pra tudo
    eXtive , depoix, meRmo,Mentixte, caixcaix, nacionaix

    2- Usam o TCHI – TCHI – TCHI exemplos
    Detchetcive, Mentchira, Obtchive, cadetchi,catchivei

    3-Variação Fonetica HORRIVEL

    Sou Catarinense ainda acho Fala Paulista 100% nacional embora
    um pouco puchado para o Baianes mais parece a Melhor meSmo!

  8. Eu, hein, quanta ignorância dizer que sotaque do carioca é feio. É feio para quem, cara pálida? Não existem sotaques feios nem bonitos. Sotaque é sotaque e ponto, o resto é puro preconceito ou inveja. Sou carioca, falo como carioca, não me incomodo com o sotaque dos outros e fico feliz quando elogio o meu. E uma coisa eu digo, e é a pura verdade, de todos, o carioca é o que melhor fala português.

    • Marcelo Ferreira on

      “(…) o carioca é o que melhor fala português.” Cara Pálida, ou Caríssima Senhora Pálida, isso sim é preconceito que deixou a todos pálidos. Quem é “o carioca”? Nos morros, nas avenidas, nas praças, onde a educação se faz precária, ou nem se faz, se fala “melhor português”?

  9. pra mim o mais bonito é uma mistura de sotaque gaucho (principalmente a cadencia e consoantes) e carioca (principalmente as vogais/ditongos)

  10. Marcelo ferreira on

    Me desculpe a professora Angela Marina Bravin dos Santos (UFRJ), mas essa de sotaque que se soprepõe aos demais é uma ideia ridícula. Nunca vi ninguém tentando imitar o “carioquês” fora do Rio. Ainda que tentem será mera imitação. O que quero dizer é que o sotaque do Rio, assim como qualquer outro, não se impõe, nem se sobrepõe, apenas se relacionam mutuamente nas regiões limítrofes de estados. Assin como, qualquer idéia sobre “sotaque oficial”, ou “mais correto”, é igualmente uma grande besteira. _”Ah, mas os gramáticos disseram que blá blá blá…”. Ora, os gramáticos são os burocratas da língua, e essa não se aprisiona, se transforma. Evolui.

  11. eu sou carioca , mais a muito tempo vim morar em Recife ,mais nem pelo fato de eu ta morando em Recife a muuuito tempo me fez deixar de falar carioca , GRAÇAS A DEUS , eu AMO O SUTAQUE CARIOCA , e nunca que eu vou querer deixar de falar com esse sutaque , e esse negocio ae de que as pessoas que moram foram do Rio não falam carioca –’ , aaa velho depende da situação néa ? se ela é de outro estado e NÃO É CARIOCA claro que ela nunca vai falar com o sutaque carioca , mais se ela for carioca e foi morar em outro estado COMO É O MEU CASO , continua falando do mesmo jeito , quer dizer pelo menos comigo aconteçeu assim AINDA FALO CARIOCA GRAÇAS A DEUS ² e essa coisa ae de que o sutaque carioca é feio ? aaaa mano ta de zuação néa ? ¬¬’SIMPLISMENTE NÃO TEM SUTAQUE MAIS LINDO DOQE O DO RIO NÃO ! *-*

  12. Na realidade tudo enjoa em termos de sotaque ou de pronúncia;tem momentos em que eu acho o português do brasil lindo e rico;tem horas que eu o acho pobre e inexpressivo;essa é uma questão psicológica que ocorre em todas as situações da vida; em relação ao que é conceituado como bonito ou feio isso tem a ver principalmente ( na minha opinião pessoal ) com a visão positiva ou negativa,com os conceitos e preconceitos de determinadas classes de pessoas que são influenciadas por propagandas que somente fazem enfatizar os pontos positivos e/ou os negativos de um povo ou cidade, ou país.A aceitação ou não dessa influência vai depender de uma série de fatores,de ordem social,psicológica,financeira,etc.Por exemplo,a mídia em geral,em mais de 90% das vezes em que divulga notícias do rio de janeiro só o faz negativamente,querendo mostrar para o resto do Brasil que o rio é um lugar de bandidos,prostitutas,ladrões,maconheiros,favelados e vagabundos,como se em outros lugares do Brasil não existisse nada disso;esta,certamente é uma das vertentes pelas quais o Rio de Janeiro e seu povo acabam sendo vistos em todos os aspectos como feios,inclusive no sotaque.mas essas propagandas perniciosas são resultantes de processos históricos.o fato é que um determinado povo será considerado melhor em todos os aspectos de seu desenvolvimento social,político,econômico e cultural,tanto quanto mais evoluído for o seu desenvolvimento,influência e poderio sobre outros povos.a maioria esmagadora das pessoas que falam inglês consideram-no o mais lindo dos idiomas.por quê? por causa,é óbvio,do poder gigantesco do império norte-americano.por outro lado existem idiomas bonitos que não têm nenhuma projeção internacional,simplesmente por seus países não exercerem nenhuma influência no mundo.Por conseguinte,façamos o possível para aprimorar e enriquecer não somente o nosso fantástico idioma,mas também para desenvolver cada vez mais o nosso país,de modo que a língua portuguesa possa vir a alcançar em futuro próximo o status de língua internacional.

  13. "modelo linguistico brasileiro!?????" FAÇA-ME o favor! É engraçado se reproduzir documentos megaultrapassados para repetir uma ladainha dessas… OLHA O TAMANHO DO BRASIL! Você acha mesmo que dá para se criar um ÚNICO "modelo de linguístico"???

    • Erick Lacerda Ø on

      não vem a se tratar de questionar, mas eu tento entender qual o fundamento (a não ser querer ter superioridade em um assunto) sou paulista, sim! tenho orgulho disso? não! alias, não teria orgulho de morar em lugar nenhum do mundo!
      que lugar não tem problemas? que lugar tem um governo justo?
      eu acho realmente que falar sobre assuntos destes e um meio de se desviar da droga que o pais é, devido a seu governo e das PESSOAS que se preocupam em ter um sotaque como o oficial do brasil, se for pensar assim, deveríamos falar o português original de Portugal
      o que seria ridículo!

    • Erick Lacerda Ø on

      não vem a se tratar de questionar, mas eu tento entender qual o fundamento (a não ser querer ter superioridade em um assunto) sou paulista, sim! tenho orgulho disso? não! alias, não teria orgulho de morar em lugar nenhum do mundo!
      que lugar não tem problemas? que lugar tem um governo justo?
      eu acho realmente que falar sobre assuntos destes e um meio de se desviar da droga que o pais é, devido a seu governo e das PESSOAS que se preocupam em ter um sotaque como o oficial do brasil, se for pensar assim, deveríamos falar o português original de Portugal
      o que seria ridículo!

  14. Willians Marcondes on

    faz me rir… exposição na mídia faz o sotaque oficial… hehehe vá pa porra… sou de SP, mas o português de Recife, por exemplo, qndo bem falado representa muito mais o "sotaque oficial" do que o do RJ, sem bairrismo por favor.

  15. Willians Marcondes on

    faz me rir… exposição na mídia faz o sotaque oficial… hehehe vá pa porra… sou de SP, mas o português de Recife, por exemplo, qndo bem falado representa muito mais o "sotaque oficial" do que o do RJ, sem bairrismo por favor.

  16. Willians Marcondes on

    faz me rir… exposição na mídia faz o sotaque oficial… hehehe vá pa porra… sou de SP, mas o português de Recife, por exemplo, qndo bem falado representa muito mais o "sotaque oficial" do que o do RJ, sem bairrismo por favor.

  17. Willians Marcondes on

    faz me rir… exposição na mídia faz o sotaque oficial… hehehe vá pa porra… sou de SP, mas o português de Recife, por exemplo, qndo bem falado representa muito mais o "sotaque oficial" do que o do RJ, sem bairrismo por favor.

    • Nossa, mas ele fala como se fosse ofensa ser nordestino. Inclusive não ambiciono ser carioca, sou carioca! O fato de morar no nordeste não tira meu sotaque nem minhas origens, muito embora não veja problema algum em ser daqui.

    • Erick Lacerda Ø on

      mas eu nunca vi nenhum outro cidadão dizer "nossa, como eu gostaria de ser carioca!"
      recalcados? isso e um termo absoluto "popular carioca"
      Literalmente, recalcado significa algo que foi calcado repetidas vezes. O termo é usado figurativamente ao nível da Psicanálise para designar um indivíduo que padece de recalque (ou recalcamento).

      O recalque foi inicialmente estudado por Freud e designa o mecanismo através do qual o indivíduo tenta eliminar do seu consciente representações que considera inaceitáveis. É um processo ativo no qual o indivíduo tenta manter ao nível do inconsciente emoções, desejos, lembranças ou afetos passíveis de entrarem em conflito com a visão que o sujeito tem de si mesmo ou na sua relação com o mundo.

      Segundo Freud, esse mecanismo está presente desde o início e trata-se de algo que contribui para uma simplificação da existência, não devendo ser forçosamente considerado como patologia. O estado patológico é atingido quando a pulsão reprimida passa a provocar desprazer em vez de prazer.

      Devido a características como baixa autoestima, isolamento, timidez ou autopunição, o termo "recalcada" é utilizado popularmente para designar uma pessoa invejosa ou reprimida, muitas vezes como forma de insulto.
      leia bem "INSULTO"
      desculpe as muitas palavras, mas achei insultuoso seu comentário…

    • Erick Lacerda Ø on

      mas eu nunca vi nenhum outro cidadão dizer "nossa, como eu gostaria de ser carioca!"
      recalcados? isso e um termo absoluto "popular carioca"
      Literalmente, recalcado significa algo que foi calcado repetidas vezes. O termo é usado figurativamente ao nível da Psicanálise para designar um indivíduo que padece de recalque (ou recalcamento).

      O recalque foi inicialmente estudado por Freud e designa o mecanismo através do qual o indivíduo tenta eliminar do seu consciente representações que considera inaceitáveis. É um processo ativo no qual o indivíduo tenta manter ao nível do inconsciente emoções, desejos, lembranças ou afetos passíveis de entrarem em conflito com a visão que o sujeito tem de si mesmo ou na sua relação com o mundo.

      Segundo Freud, esse mecanismo está presente desde o início e trata-se de algo que contribui para uma simplificação da existência, não devendo ser forçosamente considerado como patologia. O estado patológico é atingido quando a pulsão reprimida passa a provocar desprazer em vez de prazer.

      Devido a características como baixa autoestima, isolamento, timidez ou autopunição, o termo "recalcada" é utilizado popularmente para designar uma pessoa invejosa ou reprimida, muitas vezes como forma de insulto.
      leia bem "INSULTO"
      desculpe as muitas palavras, mas achei insultuoso seu comentário…