Teste Renault Kwid Intense; o subcompacto com melhor custo-benefício

Renault Kwid 2018

Testamos por duas semanas o novo Renault Kwid em Natal, RN. O subcompacto da Renault fez bonito no que ele promete, carro pequeno para apenas um casal ou pessoas solteiras com bastante economia e mobilidade dentro da cidade.

A versão topo de linha Intense é a que foi testada. Esta versão chega na casa dos R$ 40 mil, faixa de preço em que o modelo já encontra adversários cascudos. Ele traz o mesmo motor 1.0 de três cilindros que equipa o restante da linha Renault (Sandero e Logan), porém com simplificações que o deixam mais barato e menos sofisticado.

A principal delas é que, no caso do Kwid, o duplo comando de válvulas não é variável, o que compromete seu desempenho em diferentes regimes de rotação. Já a herança maldita da família de motores SCe é o pouco prático tanquinho de partida a frio. O modelo chega para concorrer diretamente com o Fiat Mobi e o Volkswagen Up no mercado de subcompactos.

Design

Diversos itens encontrados normalmente em carros básicos não aparacem no Kwid. Claro que para bater no preço dos concorrentes citados acima, a empresa tinha que cortar alguns itens do veículo.

O usuário ou comprador, só dará conta quando precisar destes itens, que, na maioria das vezes são triviais. As rodas são fixadas com três parafusos, não quatro, e o limpador de para-brisa é solitário. Não há cinto de segurança de três pontos para todos os passageiros.

Só a versão Intense que testamos tem apoio de cabeça traseiro central. Os vidros elétricos (apenas nas portas dianteiras) não têm aquela função de “um toque”, que abre e fecha sem ter que ficar segurando o botão. Para sair do carro é preciso apertar o botão no console central – a trava elétrica não libera sozinha quando o motor é desligado.

A iluminação interna é fraca e ausente no porta-luvas e no porta-malas. Nas versões mais simples, o ajuste dos retrovisores é manual, não há farol de neblina, nem maçanetas e para-choques na cor do veículo, bolsas integradas no banco, nem abertura elétrica do porta-malas. As rodas são sempre de aço com 14 polegadas e calotas.

Desempenho

Com motor 1.0 de até 70 cv a 5.500 rpm e 9,8 kgfm a 4.250 rpm mostrou bom folego dentro da cidade de Natal. O hatch é ágil, mas sempre pede reduções de marcha mesmo sem subir ladeiras.

Em pequenas subidas você logo lembra que está dentro de um carro 1.0. A falta de agilidade em baixa pode ser justificada pelo comando simples, tudo para baratear o preço final do modelo. O desempenho não é muito afetado pelo funcionamento do ar-condicionado. Já com o carro carregado, o desempenho fica comprometido, sendo necessário deixar os giros nas alturas.

A direção elétrica, bem calibrada em baixas velocidades, facilita muitas das manobras. O câmbio de cinco velocidades tem curso curto. Não tive problemas nos engates, mas por vezes, a terceira marcha cismava entrar no lugar da primeira.

A suspensão é mais dura do que no Sandero e no Logan, para deixar o “magrinho” Kwid mais estável. No entanto, a consequência disso é que ele acaba repassando os impactos mais duros e secos diretamente para os bancos dos passageiros.

Assim como a versão mais barata, o painel de instrumentos da versão Zen tem apenas velocímetro, capacidade do tanque de combustível, quilometragem e os demais sinais de cinto, farol, freio, etc. Não traz o conta-giros muito menos um computador de bordo. O indicador de troca de marchas, que ajudaria a perceber a rotação do motor, aparece como uma faixa de luz que troca de cor, do verde (boa marcha) ao vermelho (marcha ruim).

O consumo de combustível foi realmente campeão. O Kwid fez impressionantes 14,5 km/L dentro da cidade na gasolina. Com o seu tanque de apenas de 38 litros deu para rodar para praias e passeios pequenos por duas semanas com o mesmo tanque.

Vale ressaltar que o modelo O Renault Kwid foi classificado com três estrelas nos testes de impacto do Latin NCAP, tanto para adultos quanto para crianças. O compacto é o único modelo popular vendido no Brasil a sair de fábrica com airbags laterais. Isso foi muito elogiado pelo instituto, mas não escapou de algumas críticas.

O resultado obtido pelo Kwid foi superior aos números de dois populares testados em 2017: Ford Ka, nas versões hatch e sedã e Chevrolet Onix, que zeraram o teste feito pelo instituto.

Pontos positivos

  • Economia na hora de abastecer, fez 14,5 Km/L dentro da cidade com gasolina;
  • Acabamento dos bancos e detalhes nas portas superam carros na mesma faixa de preço;
  • Ganhou 3 estrelas na segurança pelo Latin NCAP;
  • Altos ângulos de entrada e saída – com 18cm do solo ajuda nas lombadas com o carro vazio.

Pontos negativos

  • Subidas longas e bem ingrimes precisam sempre da primeira marcha;
  • Acabamento frontal todo em plástico duro;
  • Espaço interno é comprometido quando 3 passageiros pequenos sentam no banco traseiro, haja briga de ombros;
  • Caixas de som somente na frente e sobre o painel, nada na parte de trás;
  • Painel não traz conta-giro ou computador de bordo;
  • Boa acústica interna, mesmo em altos giros do motor não me atrapalhou em nada;
  • Já teve recall por problemas nos freios e no tubo de combustível, problemas afetam quase todas as unidades fabricadas desde o lançamento.

Preços e versões do Kwid

Kwid Life 1.0 1.0 12v SCe 17/18 29.990
Kwid Zen 1.0 1.0 12v SCe 17/18 35.990
Kwid Intense 1.0 1.0 12v SCe 17/18 39.990

 

Ficha técnica do Kwid

  • Motor: Dianteiro, transversal, 3 cil. em linha, 1.0, 12V, comando duplo (sem variação de fase), injeção multiponto;
  • Potência: 70/66 cv a 5.500 rpm;
  • Torque: 9,8/9,4 kgfm a 4.250 rpm;
  • Câmbio: Manual de 5 marchas e tração dianteira;
  • Direção: Elétrica;
  • Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.);
  • Freios: discos sólidos (diant.) e tambores (tras.);
  • Pneus: 165/70 R14;
  • Dimensões Compr.: 3,68 m, Largura: 1,57 m, Altura: 1,47 m, Entre-eixos: 2,42 m;
  • Tanque: 38 litros;
  • Porta-malas: 290 litros;
  • Peso: 798 kg;
  • Central multimídia: 7 polegadas, sensível ao toque;
  • Garantia: 3 anos;
  • Cesta de peças: R$ 3.861;
  • Seguro: R$ 1.498;
  • Revisões 10 mil km: R$ 349, 20 mil km: R$ 349 e 30 mil km: R$ 349.

Deixo aqui um vídeo review do Kwid feito pelo Emilio Camanzi com a versão Intense, a mesma que testamos:

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Rodrigo Bastos64 Posts

Blogueiro carioca, vulgo @bigdigo, natural do lado de lá da ponte, gamer da época de Lan Houses com CS, apaixonado por tecnologia e que também curte carros e alta velocidade. contato: bigdigo@gmail.com

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