Por André Delacerda
O Rio é uma cidade cheia de histórias e estórias. Um dia desses, eu estava pesquisando sobre avião de caça e me lembrei da Base Aérea de Santa Cruz. Fui tentar saber algo mais sobre a Base e me deparei com essa história interessante, que certamente muito Carioca não conhece.
A história do local remonta a época do Brasil colonial, período em que o Rio recebeu a corte portuguesa. Ali existiu a Fazenda Santa Cruz, que foi local de descanso de D. João VI e D. Pedro I. Porém o que me chamou atenção, não se concentra no fato de a Família Real ter estado em Santa Cruz. Mas sim, de como surgiram os alicerces para a atual Base Aérea.
Em 1930, ocorrera a primeira viagem experimental entre a Alemanha, Espanha e o Brasil – Graf Zeppelin -, com o pouso no Campo dos Afonsos. Conforme consta, no ano de 1933, os alemães da empresa Luftschiffbau Zeppelin, estiveram no Rio para escolher, o local mais apropriado, para servir como campo de pouso e abrigo definitivo para os enormes dirigíveis. Que naquele período, eram os grandes meios de transporte aéreo.
Em 1930, ocorrera a primeira viagem experimental entre a Alemanha, Espanha e o Brasil – Graf Zeppelin -, com o pouso deste no Campo dos Afonsos.
Itens como: clima, direção dos ventos, velocidade, dentro outros, foram levados em conta e pesaram na escolha da área próxima a Baía de Sepetiba. Essas terras pertenciam ao Ministério da Agricultura.
Pois bem. A história da Base tem início no ano de 1934, quando o então governo brasileiro autoriza de fato uma linha aérea entre o país e a Europa. No solo da antiga fazenda surge um aeroporto para dirigíveis – particularmente eu achei a localização bastante interessante, tem uma visão avançada, pois localiza um equipamento deste porte mais afastado do núcleo urbano -. A construção do aeroporto ficou a cargo da empresa Construtora Nacional Condor.
Com o nome de Bartolomeu Gusmão, o aeroporto entra em funcionamento em 1936, com a presença do então presidente Getúlio Vargas. Quando se inicia a linha Frankfurt – Rio. Infelizmente as viagens só duraram cerca de um ano, sendo nove ao todo. Operadas pelo famoso zeppelin Hindenburg, e pelo Graf Zeppelin.
O lendário Hindenburg possuia 245 metros de comprimento, 41,5 metros de diâmetro, e podia voar a uma velocidade de 135 km/h. Além de possuir uma autonomia de vôo de 14 mil quilômetros. Sua capacidade de acomodação era de 50 passageiros e 45 tripulantes. Já o Graf Zeppelin era um pouco menor que o Hindenburg, tendo 213 metros de comprimento, 5 motores, e capacidade para transportar 35 passageiros e 45 tripulantes.
Um ponto a se destacar, é a infra-estrutura do local. Além do aeroporto, foram construídos também um hangar – 270 metros comprimento por 50 de largura e altura -, que abrigava o dirigível e uma fábrica hidrogênio, gás que abastecia a aeronave. Havia uma linha férrea ligando o aeroporto a Estação D. Pedro II - note toda a logística, que envolveu o aeroporto, principalmente, no tocante ao acesso -.
Com o declínio dos dirigíveis, o Bartolomeu Gusmão passa a ser utilizado para fins militares, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, se transformando na Base Aérea de Santa Cruz.
Setenta e um anos se passaram e o local ainda guarda as relíquias da época. O hangar para zeppelin, é o único que restou dos três que foram construídos no mundo – Brasil, Alemanha e Estados Unidos -. Este é tombado como patrimônio histórico nacional. Outra construção ainda de pé no local, é a esfera para armazenagem do hidrogênio. Há também uma torre sobre o hangar, de onde se pode ter a visualização dos arredores da Baía de Sepetiba até o Rio Guandú – 61 metros de altura -.
Sensacional! Um ponto turístico nato! poderia ser melhor explorado. Um bom local para o Musal, que está hoje no Campo do Afonsos. Teria tudo a ver na minha opinião.
Eu adoro fotografar o Hangar do Zeppelin. Ele se destaca na paisagem de Santa Cruz. É enorme de grande!
Todos devem conhecê-lo!
A fazenda Santa Cruz é berço de muitas histórias,realmente vale a pena ler sobre ela.Qualquer dia quero conhecer este local histórico de nossa cidade. Infelizmente, só conheço através de crõnicas como esta que você nos brinda esta semana.
Sensacional!
Fui tentar visitar essa fantástica relíquia histórica mas não consegui em razão do local se tratar de uma base aérea e só ser aberto ao público em eventos especiais. Pena!!
Busca
Destaque do dia
Por André Duarte
Continue lendo...No dia 21 de setembro de 1711, uma expedição francesa sob o comando do famoso corsário. Francês René DuGuay-Trouin, “seqüestra” a Cidade do Rio de Janeiro após nove dias de cerco. Você não está lendo errado, ele capturou mesmo toda a cidade, que tinha na época cerca de doze mil habitantes. O grave é que era a nossa. E ainda mais grave a quantia pedida: dois milhões de libras francesas, praticamente o resgate de um Rei.
DuGuay-Trouin não era um pirata, era um corsário. Na …
Promoção
Ganhe um livro sobre Barack ObamaArquivos
Publicidade
Diário do Rio indica
Artigos recentes
Artigos mais comentados
Últimos comentários
Feeds RSS - Comentários RSS
Desenvolvido pelos Profissionais de Web