Vale a pena investir no Rio de Janeiro?

Imagine se um amigo seu de fora do estado ou do país te perguntassem se vale a pena investir no Rio de Janeiro, qual seria sua resposta? Esqueça a crise do país e pense só no que acontece na nossa cidade, você aconselharia o investimento?   Você acha que o investidor é bem recebido aqui no Rio de Janeiro? Pois é, eu também não.

A insegurança jurídica no mercado de imóveis

Veja-se, por exemplo, o caso da Vabrad,  uma empresa belga do ramo imobiliário, que possui imóveis em muitos países por todo o mundo, com a finalidade de aluga-los a grandes empresas e obter renda. Em 2014, esses belgas compraram um grande prédio na Rua da Quitanda;  reformaram o prédio e alugaram grande parte do imóvel para uma empresa controlada pelo Estado, a CEHAB.  A CEHAB é uma sociedade de economia mista (algo como a Petrobrás, por exemplo) e tem como sócios principais o Estado e a Prefeitura, tendo outros sócios, como por exemplo o Banco Itaú e os empregados da própria empresa.  Foi assinado um contrato padrão de aluguel entre inquilino e proprietário: aluguel todo mês em troca de usar o edifício.

Pois então;  quando o estado do Rio entrou em crise, mais ou menos no fim de 2015, a CEHAB parou de pagar à Vabrad o aluguel devido, além das despesas como condomínio e IPTU do edifício;  ok, isso não é tão incomum, acontece em qualquer lugar do mundo uma empresa ter problemas.  Apesar de ser incomum uma empresa controlada pelo Governo alugar um edifício tão novo, bonito e moderno pra se instalar, essas coisas acontecem.

Só que uma decisão judicial recente subverteu qualquer lógica. A empresa belga agora, além de não receber os aluguéis, e de ficar devendo IPTU, recebeu uma ordem da justiça mandando que fique responsável pelo pagamento das contas de consumo que caberiam à CEHAB. E sob pena de uma multa de 50.000 reais POR DIA.  Ou seja, os belgas não recebem o aluguel mas têm a obrigação de pagar a luz, a manutenção do ar condicionado, a manutenção da automação do prédio e todos os custos de ocupação que são do inquilino!

Agora, imagine explicar isso para o investidor estrangeiro… pois é, não deve ser fácil….

Uma empresa estrangeira como esta – isso é apenas um exemplo  – pode escolher qualquer lugar do país e do mundo para colocar seu dinheiro e, óbvio, precisa que dê retorno. Esse tipo de insegurança jurídica só afasta o capital que poderia gerar mais emprego e riqueza na nossa cidade. E, veja só, é o Estado, que deveria mais se preocupar com isso, que fomenta esse tipo de absurdo.

Turismo

Você acha que o Rio é uma cidade turística? Não, ela não é! O Rio tem potencial turístico, só que ele é totalmente subaproveitado, com exceção de 2 eventos anuais, Ano Novo e Carnaval. No resto do ano a capacidade hoteleira da cidade é subutilizada.

Não é a toa, por exemplo, que o Pestana desistiu em poucos meses de administrar um hotel na orla da Barra. A marca Trump também desistiu de um hotel no mesmo bairro. Os poucos turistas que vem para a cidade preferem a Zona Sul, é claro.

O Rio não fez um preparo pós 2016, e pergunto. Você aconselharia alguém a investir em um hotel aqui no Rio, neste momento?

Violência

E fica difícil trazer turistas, ou abrir qualquer espécie de comércio, com a crise de violência que passa nossa cidade. Vivemos em uma verdadeira guerra civil, em um ponto que entrar em uma rua errada é risco de morte. Traficantes andam com suas armas na cara de todos e a morte de um é até lamentada por parte da população.

A falta de segurança limita a escolha de onde se pode abrir um comércio, uma fábrica, um galpão. Como confiar na entrega de cargas, ela pode não chegar por causa de um roubo. Um comércio em um bairro menos seguro pode ter dias que fique fechado por medo da violência. Imagine então o prejuízo de uma fábrica fechada devido a um tiroteio?

E mais, mais e muito mais

E não para por aqui, impostos, fiscais corruptos, falta de investimento em infra estrutura e até transporte para funcionários. A cidade do Rio anda pessimista e não é a toa. Um novo governo começa em alguns dias, é torcer para que, finalmente, faça algo por nossa cidade.

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Quintino Gomes Freire8878 Posts

Diretor de mídias sociais na Agência B5, palestrante, publicitário, Defensor do Carioca Way of Life e Embaixador do Rio. Começou o Diário do Rio em 2007 e está a frente dele até hoje o levando ser um dos principais portais sobre o Rio de Janeiro.

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