Vou ou não vou de bike? - Diário do Rio de Janeiro

Vou ou não vou de bike?

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Há alguns meses, depois que comprei pela enésima vez uma nova bicicleta (as anteriores dei para amigos e sobrinhos), estou tentando me inserir como ciclista urbana. Ao menos para circuitos pequenos, como ir à ginástica ou à fisioterapia.

Apesar de toda a propaganda ao redor do tema, ainda acho dificílimo que uma pessoa já sexagenária adote esta alternativa e, por isso, listo aqui três das minhas maiores dificuldades:

1. Medo ser roubada do veículo, com violência. Este medo seria teórico? Pelo artigo publicado nesta semana, na Folha de São Paulo, vejo que não.  Se lá, os roubos (com violência) registrados, aumentaram 37 %, imaginem no Rio, onde não temos estatísticas confiáveis, ao menos.  Como se expor a isso, sendo mulher?

2. As ciclovias não são identificáveis e existem muitas descontinuidades e impedimentos. Mesmo que uma parte do meu caminho tenha ciclovia, geralmente, não há como chegar ao destino só por ela. Ao que parece, somente a ciclovia da orla é contínua.  Mas, esta é para passear, pois a via da orla não é, em si, destino nenhum.

Como consequência, para chegar ao meu destino, terei que pedalar sempre no meio dos carros.  E, nas ruas fora da orla haverá sempre carros estacionados, ou pior, em fila dupla.  onde o perigo é maior ainda, pois para passar há que se ir para o meio da pista de carros!

Pergunto, se há espaços para estacionar carros nas ruas, e muitas vezes dos dois lados, por que não adotar sempre, no lugar do estacionamento de carros, uma ciclovia ?

Em Botafogo, na Rua General Polidoro, adotaram este esquema.  Contudo, a ciclovia foi feita na mão onde os carros fazem a curva, sendo que do outro lado da rua, onde não há entradas e saídas de veículos, foi reservada para o estacionamento de veículos!  Por que não ao contrário? Não entendi o motivo pelo qual foi planejado assim, se é que houve estudo e planejamento nesta implantação.

3. A terceira dificuldade é não ter onde guardar a bicicleta de forma confiável. Mesmo nas estações de metrô não há lugares seguros. Na estação do meu bairro há um pequeno bicicletário de rua, meio abandonado, com lugar para umas oito bicicletas que, frequentemente, são depenadas se lá forem deixadas.

Nas ruas, não há bicicletários, e, mesmo onde existem, se não há “guardadores”, as bicicletas deixadas ou são furtadas ou avariadas. Outro dia tentei deixar minha bicicleta em um estacionamento pago destinado a veículos. Fui impedida. Só aceitam veículos “quatro patas”.  

Aí está um sugestão para os vereadores do Rio, uma lei dispondo que estacionamentos de veículos são obrigados a reservar um percentual para bicicletas, pagando-se, evidentemente.  Sem ter locais para se estacionar  bicicletas, elas não terão serventia de transporte, mas somente de passeio, quando o roteiro, sem parar, é de casa para casa.

Seria muito bom ter uma cidade cicloviária, mas, sem um bom planejamento, e de médio prazo, estaremos longe disto.  Mas, com esperança, ficam as minhas observações e sugestões.

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Sonia Rabello
atual porta-voz feminina da Rede Sustentabilidade no Rio, atuou como Presidente da FAM-RIO. É professora colaboradora do Lincoln Institute of Land Policyno Programa de Capacitação para América Latina, e professora do quadro permanente do Mestrado Profissional do Programa de Especialização em Preservação do IPHAN. Foi vereadora do Rio, professora da UERJ e Procuradora Geral da PGM/RJ.
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