Foto - Imóvel tombado pelo Inepac - Divulgação

Profissionais responsáveis por áreas como igrejas, dunas, morros da Barra, Theatro Municipal, Copacabana Palace, Petrópolis, Valença, Cabo Frio, Búzios, Rio Carioca, Botafogo, orla do Leme ao Leblon, Estação Barão de Mauá, Aeroporto Santos Dumont, entre outras, foram afastados do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – Inepac.

Entre os nomes está Dina Lerner, que estava há décadas no Inepac, onde chegou a ocupar cargo de diretora geral. Dina esteve à frente de tombamentos importantíssimos, como as pequenas igrejas do fundo da Baía de Guanabara, a Mata Atlântica, Guaratiba, morros da Barra e Baixada de Jacarepaguá, bens em Nova Iguaçu, Dunas de Cabo Frio e outros projetos.

Ela também coordenou inventários históricos, como os Caminhos do Ouro e Fazendas do Vale do Paraíba. Inventários que resultaram em diversos tombamentos importantes e em valorização do turismo, de acordo com especialistas.

“Ultimamente, por ser quem mais entendia do assunto, ela vinha trabalhando na melhor definição das áreas de proteção da ambiência dos Morros tombados na Barra e em Jacarepaguá. Exatamente onde se avolumavam as pressões para se construir acima do que era permitido. Um caso emblemático é o projeto que visa se aproveitar da excrescência chamada Mais Valerá, uma lei do Crivella, que permite construir além do permitido, caso o interessado pague por isso. Obviamente que Dina Lerner deu um brilhante parecer contrário, que vem dificultando a aprovação dessa maracutaia pelo diretor geral do Inepac e pelo Secretário”, informou um funcionário do Inepac que pediu para não ser identificado.

Declaração do Inepac

O Inepac, setor da SECEC que atua na proteção ao patrimônio, como toda a Secretaria está passando por mudanças no sentido de otimizar e dinamizar sua práxis, por orientação do Secretário Ruan Lira. Vale lembrar que o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural segue vinculado ao organograma da Secretaria e não é uma autarquia independente. Portanto, também foi afetado pela grave crise financeira que se abateu sobre a estrutura do Governo do Estado, gerada pelas más administrações anteriores.

Em relação à devolução de funcionários a seus órgãos de origem, do afastamento de outros e exonerações, a preocupação da SECEC foi em valorizar aqueles que sempre tiveram imenso papel na função técnica do acompanhamento e licenciamento de projetos.  Apesar de reconhecermos a grande qualificação profissional de toda a equipe, durante muitos anos os funcionários do INEPAC estiveram em um regime de trabalho extremamente flexível, no qual a presença dos servidores não era controlada. Nesse contexto, sete funcionários foram desligados da equipe e 31 permanecem trabalhando na sede do INEPAC e nos escritórios técnicos em Valença, Cabo Frio e Petrópolis.

Portanto, a mudança no quadro atingiu 18% e não 75% dos funcionários, e isso temporariamente. Prova de que a Secretaria está preocupada com a transmissão do conhecimento e a memória institucional é o processo, já iniciado, de seleção de novos profissionais, que tenham disponibilidade para trabalhar numa jornada normal de nove horas diárias.  Esses novos arquitetos e historiadores reforçarão a equipe responsável pelas análises e pareceres que sempre representaram a presteza e eficiência do INEPAC e o tornaram conhecido como referência para os demais órgãos estaduais do país”.

3 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto o mundo civilizado recrudesce ações contra a invasão indiscriminada e especulativa de áreas de preservação histórica e ambiental, vê-se a falta de civilização e de civismo tomar conta das atitudes políticas no Estado do Rio de Janeiro.
    Em pouco tempo, veremos a interdição de vias e logradouros importantes, por conta do avanço selvagem sobre áreas que deveriam se manter intactas, nem que fosse por segurança de encostas.
    Esperemos o verão chegar e, novamente, o dinheiro do contribuinte, que não vê qualquer retorno de suas contribuições, será desviado para acudir desabamentos de encostas, em obras emergenciais superfaturadas, como sempre.
    A desassistência ao planejamento urbano denota a leviana e criminosa atitude governamental, na administração da res publica e dos interesses do próprio povo, enquanto substitui responsabilidade e trabalho por politicagem populista.

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