Dizem que estamos a 6 graus de distância de qualquer pessoa no mundo. Mas, a CPI dos Camarotes, que investiga denúncia de suposto favorecimento no leilão de camarotes da Prefeitura na passarela do samba para o carnaval de 2019 mostra que, ao menos na relação entre os participantes do leilão, essa relação é muito mais próxima do que o esperado.

Veja o caso da 1ª testemunha, Mateus Silveste, representante da empresa Purim Projetos e Construções, que afirmou ter conhecido todas as pessoas naquele momento. No entanto, confirmou que, como engenheiro, assinou as obras de reparo no camarote mesmo não recebendo dinheiro para isso. Ele ainda afirmou que ganhou convites para ir com a família ao camarote.

Sim, um engenheiro, de uma empresa concorrente, participou de um leilão, não ganhou o leilão. Ele mesmo é chamado para ser engenheiro responsável técnico do camarote e não ganha nada por isso. Na verdade, ele ganhou ingressos para o carnaval. Ou será que foi fazer networking?

Obviamente, um dos membros da CPI, o vereador Marcello Sicliano (PHS) resolveu fazer uma ressalva com ares de indireta. “Você está colocando sua história de vida, sua carreira, sua formação profissional em risco. Imagina se pega fogo nesse camarote? Você que responde criminalmente em troca de dois ou três ingressos”.

Já o caso da 2ª testemunha, Raphaela Souza, representante da empresa Adof, a proximidade é gritante. Ela é esposa de Wagner Pereira, que é um dos sócios da empresa vencedora do leilão, a Lockbird. Isso mesmo, um dos participantes foi o responsável técnico e outra divide a cama com o vencedor.

Em sua declaração, Raphaela disse que foi à licitação apenas acompanhar o marido e saber como funciona uma licitação pública. Só que a empresa dela estava cadastrada para participar. Ela afirmou que a aquisição dos camarotes trouxe muitos problemas. “Esse foi um negócio muito ruim pra gente, desde a hora que entramos lá começamos a ter problemas inesperados e tivemos que resolver tudo em um tempo muito curto“, disse.

Deve ter sido um péssimo negócio, mesmo. O valor esperado para o camarote era de R$ 500 mil, e foi vendido por apenas R$ 125 mil para o marido de Raphaela.

Um outro participante do leilão, Gilvandro Matos, da JGL Comunicação, não compareceu à audiência e será convocado coercitivamente. Mas, na oitiva de Wagner Pereira, ele disse que Gilvandro foi cliente de sua empresa. No entanto, não soube informar porque o Peixe Urbano, uma das empresas que comercializou ingressos do camarote, citou o nome de Gilvandro, e nem porque seu cliente estava presente em uma reunião que compareceu na Prefeitura para definir detalhes do camarote.

Mateus Silvestre, da Purim, e a Vereadora Rosa Fernandes

“Para mim o mais incrível é um empresário ler o diário, ver o leilão e suas condições, saber que o lance mínimo previsto seria 125 mil Reais e, mesmo chegando ao valor mínimo, não dar nenhum lance é virar mero espectador”, afirma a vereadora Rosa Fernandes, que preside a CPI dos Camarotes.

“Os depoimentos realizados até o momento reforçam os indícios de que foi realizado um leilão de cartas marcadas. Os quatro concorrentes não só se conhecem como têm parentesco ou relação comercial: o vencedor do leilão, sua esposa, seu cliente e seu fornecedor. Além disso, houve um curtíssimo prazo de publicação do edital (apenas um dia útil de antecedência). Isso é grave porque os camarotes são ativos públicos, portanto, uma concorrência forjada só é possível com o envolvimento de agentes públicos. A investigação da CPI continuará buscando quem ganhou dinheiro com isso”, declarou Tarcísio Motta, vereador do PSOL, que também compõem a CPI.

E essa não é a única coincidência estranha, no início de maio a mesma CPI expôs uma conversa do assessor-chefe do gabinete do prefeito Marcelo Crivella, Isaías Zavarise, com o presidente da comissão de licitação

1 COMENTÁRIO

  1. São criminosos todos esses citados aí, pela teoria do crime! Autores, coautores ou partícipes que tenham tido ação menor na empreitada criminosa.

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