Foto: Beatriz Gimenes

Estreou, no último dia 25/09, no Museu de Arte do Rio (MAR), a exposição“Crônicas Cariocas”, a maior mostra do Museu para este ano. A ideia é escutar e discutir o Rio de Janeiro que não está nos livros, mas que figura no imaginário coletivo daqueles que vivem e respiram a cidade em toda sua complexidade.

A montagem dá vida às histórias cotidianas; relações com a vizinhança; festas; encontros dos ônibus lotados e calçadas. Por trás daquilo que é exportado ao mundo, propõe-se narrar o Rio que se embeleza e finge não ver os subúrbios.

Entre os cerca de 110 artistas que participam da montagem, destacam-se Sônia Gomes, Lucia Laguna, Rosana Paulino, Brígida Baltar, Denilson Baniwa, Alexandre Vogler, Arthur Bispo do Rosário, Laerte e Bastardo. Nomes contemporâneos, a exemplo de Guignard, Di Cavalcanti, Lasar Segall e Mestre Didi, também compõem a coletiva.

Assinam a curadoria, o curador-chefe do museu, Marcelo Campos, Amanda Bonan, o historiador Luiz Antônio Simas e a escritora Conceição Evaristo. Campos conversou com o DIÁRIO DO RIO sobre o trabalho.

Foto: Beatriz Gimenes

DIÁRIO DO RIO: No que consiste a exposição Crônicas Cariocas?

MARCELO CAMPOS: É a principal exposição de 2021 do museu de arte do. Nessa exposição, procuramos contar a história da cidade não a partir de feitos, fatos ou datas de destaque. Mas a cidade contada em histórias miúdas, nos detalhes. A ideia de crônica é uma ideia que atravessa a história da cidade até hoje. Nós continuamos tendo grandes cronistas, nos mais variados seguimentos artísticos e sociais.

Foto: Divulgação

DIÁRIO DO RIO: De onde veio a ideia, a inspiração?

MARCELO CAMPOS: A inspiração veio em parte da crise que a cultura a cultura está vivendo no contexto da pandemia e por problemas que a cultura atravessou nos últimos anos. Então, a gente percebeu que as narrativas de fim, por exemplo, do Airton Krenak, que diz que precisamos passar desse fim de mundo para contar outras histórias. De forma ampla, a ideia da exposição fala disso.

DIÁRIO DO RIO: Como foi montada a equipe de curadoria?

MARCELO CAMPOS: Foi montada pelo caráter literário do assunto. Precisávamos ter cronistas na equipe. Além da representatividade, que o museu defende. Por isso, o Luiz Antônio Simas e a Conceição Evaristo. Além de outros nomes que nos ajudaram a aprofundar as pesquisas, os roteiros e as visões. Esse tipo de curadoria coletiva é uma prática comum no MAR.

DIÁRIO DO RIO: Em que a exposição pode ajudar a população a pensar melhor a vida na cidade do Rio de Janeiro?

MARCELO CAMPOS: A população conseguirá ver a si própria nas obras. Procuramos colocar não só artistas canônicos, consagrados, mas também novos artistas, voltados à representatividade. A exposição reflete isso em detalhes.

Foto: Beatriz Gimenes

DIÁRIO DO RIO: O Rio de Janeiro é uma cidade cheia peculiaridades, são verdadeiras cidades dentro da cidade. Isso será representado na exposição?

MARCELO CAMPOS: Elementos do nosso dia-dia, o que se anuncia nas calçadas, por exemplo, a cidade que está nos metrôs, nos trens, nos brts lotados. A exposição tem um caminho muito próprio nesse sentido. A gente também fala, em menor escala, talvez, na cidade da Zona Sul, do cartão Postal. A gente evita um pouco esse lugar do cartão postal, não é uma exposição que louve o óbvio da cidade, mas por outro lado esse óbvio, essa condição do cartão postal também entra na exposição. A gente questiona quem tem o direito de estar nesses lugares, um direito que é dividido por classes sociais. Não somente na moradia, mas no consumo.

Foto: Beatriz Gimenes

DIÁRIO DO RIO: Qual a expectativa para essa grande exposição nesse período de pós-pandemia?

MARCELO CAMPOS: É ter responsabilidade para receber o público e pensar numa condição de esperança. É uma exposição que fala muito do desejo, do lazer, da diversão de toda a cidade.

DIÁRIO DO RIO: O que esperar do público ao se deparar com essas obras de arte?

MARCELO CAMPOS: Esperamos que o público se reconheça nessas obras de arte e se veja, veja seus pais, seus avós, na exposição.

DIÁRIO DO RIO: Para fechar, qual o intuito maior da exposição Crônicas Cariocas?

MARCELO CAMPOS: É pensar antes de tudo a vocação do MAR. Temos que ter responsabilidade social. Equiparar as condições entre todas as pessoas e a exposição é, também, pensada nesses marcadores sociais. Ninguém dá voz a ninguém. Todo mundo tem voz. A exposição procura se aproximar e ouvir as vozes da cidade.

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