A História do Paço Imperial

A História do Paço Imperial

19 de junho de 2015 1 Por Felipe Lucena
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Com mais de meio século de tradição no mercado imobiliário da Cidade do Rio de Janeiro, a Sergio Castro Imóveis apoia construções e iniciativas que visam o crescimento da Cidade Maravilhosa sem que as características mais simbólicas do Rio se percam.

Paço Imperial por Patricia Figueira

O Paço Imperial é um prédio colonial, localizado no centro do Rio de Janeiro. O que essa construção tem de mais forte é o fato de ter sempre abrigado os poderosos do início da Cidade Maravilhosa. História que segue nos dias atuais.

Construído no século XVIII, o Paço Imperial é considerado o mais importante dos edifícios civis coloniais do Brasil. Não é para menos.

Gomes Freire de Andrade

Em 1733, o governador Gomes Freire de Andrade pediu ao rei D. João V para edificar uma casa de governo no Rio de Janeiro. Cinco anos depois, o prédio começou a ser erguido. O projeto, do engenheiro militar português José Fernandes Pinto Alpoim, ficou pronto no ano 1743.

Nas décadas seguintes, mais precisamente em 1763, a sede do Vice-Reino do Brasil, que era em Salvador (BA), passou para o Rio de Janeiro. Com isso, a Casa dos Governadores se tornou a Casa de Despachos do Vice-Rei, chamada também de Paço dos Vice-Reis.

Com a chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, o prédio foi usado para outra finalidade. A construção virou Paço Real e casa de despachos de D. João VI. Era lá que o então príncipe-regente (futuro rei) assinava documentos políticos brasileiros e portugueses.

Vista do Largo do Paço (Jean Baptiste Debret, c. 1830). O Paço Imperial é o edifício do lado esquerdo do largo

Vista do Largo do Paço (Jean Baptiste Debret, c. 1830). O Paço Imperial é o edifício do lado esquerdo do largo

A presença real gerou grandes transformações no edifício. Um novo andar central com a fachada voltada para a Baía da Guanabara foi acrescentando e os interiores foram redecorados. Uma Sala do Trono, onde ocorria a tradicional Cerimônia do Beija-mão foi construída. Além disso, uma passagem que dava no prédio vizinho, o Convento do Carmo, foi erguida. A Rainha D. Maria I ficou instalada no convento por anos.

O Paço em desenho de Moreau e Buvelot de 1842 onde já aparece a platibanda de inspiração néo-clássica do lado direito do prédio

O Paço em desenho de Moreau e Buvelot de 1842 onde já aparece a platibanda de inspiração néo-clássica do lado direito do prédio

Uma varanda que ficava entre o Paço e o Convento do Carmo foi construída para pronunciamentos públicos do rei. O espaço, demolido durante o segundo reinado, foi utilizado também nas coroações de D. Pedro I (1822-1831) e D. Pedro II (1840-1889).

“Dentro desse prédio ocorreram muitos acontecimentos marcantes para a história do Brasil. Foi lá que D. Pedro I decidiu ficar no Brasil e não voltar a Portugal – Dia do Fico. Lá, também, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Pesquisas dizem que em 1840, o Paço foi o primeiro local da América Latina a ser fotografado” conta o historiador Maurício Santos.

Com a independência do Brasil, o Paço Imperial passou a fazer jus ao nome pelo qual é chamado hoje em dia. Era de lá que D. Pedro I e depois D. Pedro II, os imperadores tupiniquins, resolviam as questões nacionais.

O prédio com a feição apresentada após a reforma de 1929, do Departamento de Correios e Telégrafos, tendo um terceiro andar ocupando todo perímetro do prédio.

O prédio com a feição apresentada após a reforma de 1929,
do Departamento de Correios e Telégrafos, tendo um
terceiro andar ocupando todo perímetro do prédio.

Os tempos de poder do Paço Imperial cessaram após a Proclamação da República. Nesse período, as propriedades da Família Imperial foram leiloadas e o prédio foi transformado em Agência Central dos Correios e Telégrafos.

Paço em 1980, antes de ser restaurado

Paço em 1980, antes de ser restaurado

Nos anos que seguiram, o edifício foi sendo totalmente deformado e passou a perder as características originais. Até que em 1938 houve o tombamento do prédio e em 1982 (quase cinquenta anos depois) o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional restaurou o Paço Imperial, usando como modelo a forma que tinha em 1818, quando era Paço Real.

“De certo modo, o Paço nuca perdeu essa característica de abrigar o poder. Hoje em dia é sede de um belo centro cultural. Considerando que dizem que somos a capital cultural do Brasil, esse prédio ainda é um centro de poder” destaca a arquiteta e pesquisadora Camilla Braga.

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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