A intervenção federal na segurança do Rio funcionou

O ano de 2018 vai chegando ao seu final e junto com ele termina a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Solicitada pelo então governador Luiz Fernando Pezão e determinada pelo presidente Michel Temer, a intervenção foi duramente criticada por alguns no início, antes mesmo que pudesse apresentar resultados. A iniciativa foi vista por outros – entre eles este que aqui escreve – como uma medida desagradável, porém, necessária. Afinal, ela demonstrava a falência institucional de nosso estado mas, ao mesmo tempo, configurava umas das poucas opções que restavam para minimizar o caos da segurança e recuperar a liberdade de ir e vir dos cidadãos.

Agora, com a atuação dos militares chegando ao fim – pelo menos nesse formato – e com os índices no papel e os fatos nas ruas, podemos dizer sem medo de errar: A intervenção federal na segurança pública funcionou. Não se trata de afirmar que houve perfeição, o que sem dúvida seria impossível, mas sim de reconhecer que os objetivos maiores foram atingidos e que os números mostram o acerto da medida.

Na comparação com o ano anterior, quando ainda não havia intervenção, estes são os principais números totais:

  • Homicídios dolosos: Queda de 13,6%.
  • Roubo de Carga: Queda de 19,5%.
  • Assaltos: Queda de 7,3%.
  • Roubos de Carro: Queda de 7,6%
  • Roubo de Celular: Queda de 2,47%

Vale ressaltar que no primeiro mês da intervenção, quando ainda não havia tempo hábil para apresentar mudanças concretas, quase todos esses índices subiram, ou seja, a significativa redução se deu a partir de quando o novo planejamento passou de fato a ser aplicado, com destaque para queda de 22% dos homicídios em outubro, 39% nos roubos de carga em maio, 18% dos assaltos em maio, 29% dos roubos de carro em julho e 17% nos roubos de celular em abril.

Obviamente, nem tudo são flores. Os críticos apontam o aumento das mortes em confrontos com policiais como ponto negativo. Contudo, me parece que no momento emergencial que vivíamos, com o grave cenário que piorava a cada vez, estancar o problema e passar a reduzir os índices de forma gradual dificilmente seria atingido sem um aumento dos conflitos entre as forças de segurança e criminosos, o que infelizmente faz suas vítimas.

A dificuldade do setor investigativo em solucionar crimes, especialmente os homicídios, entre eles o caso de Marielle e muitos outros igualmente graves, também é um problema que precisa de melhora “para ontem”. A investigação sobre a morte da vereadora, por exemplo, já está envolvida em denúncias de sabotagem contra a solução do caso, o que nos leva a outro setor que precisa avançar: o combate à corrupção interna das forças policiais.

Em suma, analisados os prós e contras, os resultados, o que foi atingido e o que ainda é preciso atingir, só nos resta parabenizar ao comando da intervenção federal, especialmente os generais Braga Netto e Richard Nunes, do Exército Brasileiro, e também aos responsáveis pelos esforços conjuntos da Polícia Militar, comandada pelo Coronel Laviano, e da Polícia Civil, chefiada pelo delegado Rivaldo Barbosa.

Por outro lado, temos que observar as novas medidas que serão adotadas pelo governo que se inicia em janeiro e desejar que o novo governador Wilson Witzel e sua equipe mantenham as estratégias que funcionaram nos últimos meses. Inclusive, já há um planejamento para os próximos anos que foi deixado pronto pela equipe da intervenção. Contrariando as instruções, Witzel anunciou que as polícias Militar e Civil teriam ambas o status de secretaria, extinguindo a Secretaria de Segurança. Mais tarde, após críticas inclusive de Braga Netto e Nunes, o governador eleito recuou e disse que a Secretaria existirá até a metade do ano, comandada por Roberto Motta e organizando a “transição de sistema”.

Estaremos atentos e torcendo para que sejam enraizados os aprendizados estratégicos e aproveitados os ativos de uma intervenção que trouxe, em 10 meses, investimentos equivalentes aos 54 meses anteriores para a segurança do Rio, o que se refletiu em policiamento, armamento, veículos, etc. Os erros podem e devem ser corrigidos, mas a ação federal/militar, na medida do possível, deu certo e salvou vidas. Missão cumprida.

3 COMENTÁRIOS

  1. Além da pirâmide invertida no comparativo número de oficiais com o número de soldados, propiciado este fenômeno graças às estrutura militarizada com pouca rigidez no processo de promoção do oficial de baixa graduação para o alto, o que mais precisa é aumentar o número de policiais nas ruas, trazer para as ruas todos aqueles que estão nos quartéis e cedidos.

    Também indispensável trabalhar para uma justa remuneração, que permita aos policiais viverem com dignidade e honestamente, e o oferecimento de condições de estrutura para o desempenho das funções, com armamento, viaturas, escalas de trabalho adequados.

    Nesse sentido, faltaram investimentos.
    Não contamos com o número de homens adequado e distribuído de acordo com o quantitativo populacional e mancha criminal. Tanto na PMERJ como na PCERJ.
    Também faltou adequar o trabalho das Polícias para o desenvolvimento do trabalho de inteligência, seja no planejamento de operações seja na atuação do trabalho de investigação prévio. É ineficiente, pouco significativa a
    estrutura física da Polícia-Técnica Científica no meio da estrutura organizacional existente. Uma eternidade para os resultados que são imprescindíveis às investigações.

  2. Insucesso. Perguntem o motivo de pouco efetivo nas ruas. Excesso de oficiais! Está aí a explicação! Quando o oficial coloca a cabeça na rua para fazer patrulhamento? Os oficiais com menor graduação até que sim, dão uma passada, mas os alto graduados… A Polícia precisa mudar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here