A rotina dos caçadores de tempestades no Rio de Janeiro

O grupo ‘Caçadores de Tempestades – Jornalismo Científico (Brasil Oficial)’, sucesso no Facebook e no Telegram, vem produzindo conteúdo para outras mídias e segmentos

Foto: Felipe Lucena

Serginho Bloomfield está quase sempre olhando para o céu. O fotógrafo, jornalista, especialista e pesquisador de meteorologia, conhecido como Thor, sabe o nome técnico de todas as formações das nuvens, sempre esperando a próxima tempestade. Muito empolgado com o que faz, ele é um dos líderes do grupo Caçadores de Tempestades – Jornalismo Científico (Brasil Oficial)”, que conta com mais de 30 mil seguidores no Facebook. Outra página na Internet onde as caçadas podem ser encontradas é o site. Além do grupo no Telegram.

Serginho Bloomfield, o Thor. Foto: Felipe Lucena

O sucesso na Internet é seguido por outras realizações. A iniciativa, que conta com mais de 40 pessoas envolvidas em muitas esferas de trabalho, também produziu um documentário (que vai passar em festivais em todo o mundo), revistas e cursos, como um workshop de fotografias meteorológicas que será realizado na próxima segunda-feira, 20/12.

O trabalho dos Caçadores de Tempestades funciona assim: ao saber de chuvas e ventos fortes na cidade do Rio de Janeiro, eles vão para a rua, em pontos estratégicos, para registrar imagens dos acontecimentos naturais. Esses registros, de fotos e informações gerais, são repassados aos seguidores do projeto e a órgãos como a Defesa Civil e Cruz Vermelha.

Tudo começou em 2009, mas os bons ventos passaram a soprar mesmo dois anos depois, em 2011. Após isso, o trabalho, regado a muito empenho, recebeu reconhecimento. Lembram do ciclone anunciado pelo prefeito Eduardo Paes? Foi Serginho Bloomfield, o Thor, quem alertou o Poder Público à época. O fenômeno natural não aconteceu com a esperada intensidade, mas os relatos foram importantes para a precaução.

Na última segunda-feira, 13/12, Serginho Bloomfield presenciou uma tromba d’água na Baía de Guanabara, próximo ao Museu do Amanhã. E esse tipo de registro é mais comum do que se imagina. De acordo com Serginho Bloomfield, as áreas com mais incidência de tempestades no RJ, atualmente, estão na Baixada Fluminense e em bairros cariocas como a Vila Valqueire, embora toda a cidade e o estado estejam propícios a receber os eventos climáticos.

“A nossa ideia é, também, trazer uma reflexão maior sobre a questão da meteorologia no Rio de Janeiro, no Brasil. As regiões Sudeste e Sul do Brasil estão na segunda área de maior probabilidade de ocorrência de tornados no mundo, perdendo somente para o Meio-Oeste dos EUA, segundo estudo do Laboratório Nacional de Tempestades Severas. E pouca gente sabe disso”, diz Bloomfield.

Foto: Felipe Lucena

Chamado de maluco por muita gente, Serginho sempre corre na direção oposta a da maioria das pessoas em um momento de tempestade. “Eu vou para cima. O pau está cantando e eu coloco óculos, capacete e vou fotografar, ver de perto. Já passei muito sufoco, fiquei em chuva forte, vento me arrastando na rua, mas fico firme”, afirma com estrondosa e empolgante voz.

Serginho, ao olhar para o céu e notar nuvens que estão semeando tempestades já diz em que bairro da cidade ou município do estado vai cair chuva forte. Ele explica que o clima no mundo vem mudando intensamente desde 2018 e que, por isso, fazer previsão do tempo se tornou algo mais complexo: “Hoje em dia não dá para medir o que vai acontecer em uma semana, quinze dias, como alguns sites de meteorologia fazem. No máximo, dá para saber o que vai acontecer no dia seguinte, dois ou três dias depois”.

No dia em que a reportagem do DIÁRIO DO RIO acompanhou o trabalho dos Caçadores de Tempestade, o clima estava quente. Céu azul. Sol. Na hora em que fomos nos despedir, Serginho, que estava junto com o jornalista José Pinheiro Jr, parceiro do projeto, olhou para as nuvens e disse que iria ficar, porque viria tempestade. A previsão do tempo dizia que não choveria na cidade do Rio aquele dia. Poucas horas depois, o Rio de Janeiro foi acometido por fortes chuvas.

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