Foto:Cleomir Tavares/ Diario do Rio

Ator, roteirista e diretor, Paulo Gustavo era um artista completo. Com apenas 42 anos é mais uma vítima em decorrência da covid-19. Desde o início da carreira, na Casa das Artes de Laranjeiras (Cal), numa época de ouro para o teatro, dava para perceber o meteoro que estava por vir. E não demorou muito para o sucesso vir à tona. Mesmo com muito esforço para produzir e tirar do papel o espetáculo, desde quando surgiu como Dona Hermínia, explodiu no cenário nacional. Todo o esforço valeu a pena. Como alguém poderia representar tão bem a mãe de milhares de brasileiros? A popularização do teatro foi tão necessária.

Como é importante fazer a ponte para levar pela primeira vez alguém ao teatro. E ele conseguiu, com maestria. Foi ganhando espaço. Veio “Hiperativo”, o seu segundo espetáculo, aclamado pela crítica e também pelo público, viajou o Brasil inteiro com o stand-up comedy.

E se o ator niteroiense fosse para a TV? Será que daria certo? Bem, ele foi para a Multishow, seu primeiro programa foi o 220 Volts e transformou a história do canal. Com a repercussão conseguiu mostrar que não seria um artista de apenas um personagem. Pelo contrário, junto do seu amigo, o ator Marcus Majella interpretou dezenas de histórias. Faço um parêntese, Paulo sempre foi muito generoso com seus muitos amigos.

Na TV fechada levava sempre “os seus”. Assim foi o “Vai que Cola”, a série com os seus grandes amigos. Desculpem a repetição, mas o sucesso foi grande e ele levou para o cinema. Sempre transitando a sua arte. Conseguiu levar a “Minha mãe é uma peça” para o cinema. O sucesso na adaptação de obras é sempre tão difícil. Mais um sucesso. E que sucesso. Acabou surgindo uma trilogia que se tornou um dos filmes brasileiros de maior bilheteria. 2018: Minha Vida em Marte, ode à amizade com Mônica Martelli. Assistindo à película o que podemos pensar é “Como eles se divertiram fazendo este filme”.

O artista foi tão significativo abordando temas tão importantes e necessários num país que mais mata LGBTQ+. Vale citar também outro personagem extremamente fundamental que foi a “Senhora dos Absurdos” advindo quase de um realismo fantástico, onde utilizou um “absurdo” que não era nem tão absurdo assim para denunciar que o preconceito estava aqui, tão perto. Outro personagem significativo é o Valdomiro, onde retratou o suburbano e deu luz ao Méier para o Mundo.

Paulo Gustavo deixa o esposo, dois filhos e milhares de órfãos de seu SUCESSO no país.

*Alex Campos é jornalista, especialista na área cultural

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