Foto: Cleomir Tavares/Diário do Rio

Um levantamento recente realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), utilizado como base tanto para a correção do valor do aluguel quanto para calcular o reajuste de algumas tarifas (energia, passagens, etc), aumentou, em março deste ano, 2,94%. Essa foi a taxa mais alta para o referido mês desde 1994.

No período de 1 ano, a alta alcança impressionantes 31,10%. Paralelamente, é também a maior taxa para 12 meses desde maio de 2003, quando o indicador atingiu 31,53%. O IGPM é o índice mais utilizado para a atualização dos aluguéis em todo o Brasil.

Com isso, apenas para exemplificar em números absolutos, o reajuste que resulta da última aferição do IGP-M ficaria da seguinte forma:

  • um Aluguel de R$ 1.000 sobe para R$ 1.311;
  • um Aluguel de R$ 2.500 sobe para R$ 3.277,50;
  • um Aluguel de R$ 4.000 sobe para R$ 5.244;
  • um Aluguel de R$ 5.000 sobe para R$ 6.555.

O indicador, vale ressaltar, tem grande influência da variação do dólar e também dos preços de commodities com cotações internacionais, que vão desde grãos como soja e milho até combustíveis. Levando isto em conta, a startup de administração de imóveis Quinto Andar substituiu o índice em seus contratos. Porém, segundo especialistas, a maioria dos contratos, administrados por administradoras de imóveis tradicionais, continuam utilizando o índice.

Para Wilton Alves, diretor de Administração de Bens da Sérgio Castro Imóveis, imobiliária e administração com grande poder de atuação nas regiões central e sul do Rio, o tamanho do reajuste não condiz com a realidade econômica do momento, e nem com o ritmo de valorização dos imóveis no último ano.

”Essa situação ficou fora da realidade do momento em que vivemos hoje, sobrecarregando as administradoras de imóveis, que ficam obrigadas a buscar acordos entre locatários e locadores para que não se perca um bom locatário, trazendo sérios transtornos para todos os envolvidos. Verdade é que os imóveis não se valorizaram nem perto de 31% no último ano.”, diz. Wilton complementa dizendo que na maioria dos casos, a administradora tem aplicado reajustes menores, ou adiado o reajuste para um momento futuro.

Segundo levantamento da própria Sergio Castro Imóveis, cerca de 50% dos imóveis comerciais da cidade se encontram desocupados, e nos residenciais a taxa pode chegar a 20%. Isto dificultaria a aplicação de um reajuste tão alto, pois os inquilinos têm opção de outros imóveis mais baratos, salvo raras exceções.

Na composição do IGP-M, o Índice de Preço Amplo (IPA), que engloba os preços no setor atacado, equivale a 60%. Já o Índice Preços ao Consumidor (IPC) tem peso de 30%, enquanto que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) corresponde a 10%.

Ainda segundo a pesquisa, um fator crucial para os resultados de março foi a alta dos combustíveis, como o óleo diesel (25,87%) e a gasolina automotiva (23,81%). Além disso, o aumento no preço do etanol (16,64%), do gás de botijão (4,23%) e de materiais e equipamentos, que agilizaram de 2,39% em fevereiro para 4,44%.

Coordenador dos índices de preços da FGV, André Braz destaca que todos os índices componentes do IGP-M registraram aceleração.

”No índice ao produtor, os aumentos recentes dos preços das matérias-primas continuam a influenciar a aceleração de bens intermediários e de bens finais. Além disso, os aumentos dos combustíveis contribuíram para o avanço da inflação ao produtor e ao consumidor. Na construção civil, os materiais para a construção seguem em aceleração impulsionados pela alta dos preços dos insumos básicos”, diz.

Desde 2020, o IGP-M demonstra variações distantes da inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A alta no indicador preocupa os analistas do mercado e também proprietários e inquilinos que o utilizam, já que este serve como maior referência para a correção de contratos de aluguéis.

No ano passado, o IGP-M teve um aumento de 23,14%, contra 4,52% no IPCA. O resultado foi o principal avanço ocorrido desde 2002, quando, à época, fechou em 25,31%.

Para 2021, a meta central de inflação do governo é de 3,75%, podendo oscilar entre 2,25% e 5,25%. De acordo com o último boletim Focus do Banco Central, a expectativa do mercado para o IPCA este ano aumentou de 4,71% para 4,81%.

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