Complexo Nuclear de Angra dos Reis (Foto: Reprodução Internet)

Está marcada para essa sexta-feira (22/01) uma audiência pública realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para tratar sobre o licenciamento da Unidade de Armazenamento Complementar a Seco de Combustível Irradiado (UAS) da central nuclear Angra 3, que deve ser construída junto às usinas de Angra 1 e Angra 2 até 2026, no município Angra dos Reis, no Sul Fluminense.

No entanto, ambientalistas do Instituto Baía Viva, afirmam que o projeto tem diversas irregularidades e denunciam a falta de transparência das autoridades responsáveis durante o andamento do processo de licenciamento ambiental e protocolaram um ofíciopara suspender a realização da audiência pública.

Eles contam que o Ministério Público ajuizou em 2020 uma Ação Civil Pública que estranhamente passou a tramitar em sigilo, onde o objetivo era impedir a implantação de novo depósito de lixo atômico (Unidade de Armazenamento Complementar a Seco de Combustível Irradiado – UAS) para rejeitos de alta radioatividade

Até hoje, o Brasil não dispõe de um depósito definitivo para seu lixo atômico e as piscinas “provisórias” de rejeitos das usinas angra 1 e 2 estão estão lotadas, com sua capacidade final de armazenamento chegando ao limite entre Julho e agosto de 2021, segundo previsão dos especialistas.

Eles também afirmam que o governo federal e a concessionária Eletronuclear querem construir às pressas uma nova unidade de armazenamento de rejeitos de alta radioatividade, sem sequer dispor de um Plano de Emergência e Evacuação (PEE) das usinas atômicas angra 1, 2 e 3 e sem a prévia apresentação do obrigatório Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA).

Os ambientalistas destacam ainda que a Eletronuclear também nunca cumpriu a maioria das medidas condicionantes que se comprometeu quando do licenciamento de Angra 1 e 2.

Segundo o ecologista e Gestor Ambiental Sérgio Ricardo Verde Potiguara “o complexo nuclear de Angra dos Reis que está neste momento em expansão ao arrepio das leis, sempre foi considerado uma ‘ratoeira atômica’ por sua conhecida insegurança no caso de um eventual desastre. Até hoje não existe um Plano de Emergência e Evacuação (PEE) que, de fato, garanta a vida das populações de Angra e Paraty, nem muito menos das 5 aldeias indígenas e várias comunidades tradicionais (quilombos e caiçaras) que vivem na Costa Verde fluminense. Trata-se de mais uma imposição autoritária do atual governo federal. Num momento de pandemia, em que tem faltado recursos públicos essenciais para salvar vidas, é um absurdo o Brasil esteja pretendendo sem ouvir a sociedade gastar mais de R$ 32 bilhões para ampliar instalações industriais inseguras e perigosas”, afirma o co-fundador do Movimento Baía Viva.

Angra 3 está com as obras paralisadas desde 2015, quando a contratação da mesma foi alvo de denúncias de corrupção em uma das fases da Operação Lava Jato. Segundo a Eletrobras, que controla a Eletronuclear, a usina deverá consumir R$ 15,3 bilhões em investimentos entre 2021 e 2025, possivelmente a partir de uma chamada pública internacional e contratação de uma empresa especializada para conclusão do empreendimento.

O DIÁRIO DO RIO entrou em contato com a Eletronuclear, mas até a publicação desta matéria, não obteve retorno.

1 COMENTÁRIO

  1. Deveria haver maior responsabilidade antes de noticiar tais informações sem conhecimento. A matéria é tendenciosa e com claro interesse em gerar alarde.

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