Décadas de cinema, em uma vida de quase um século, são visualizadas nas próximas duas semanas, no Centro. Morto há apenas três meses, aos 96 anos, Franco Zeffirelli é lembrado na extensa mostra “Amor, Tragédia e Religião”, que fica em cartaz até 3 de novembro na Caixa Cultural. 


São nove dos 20 longas metragens que o cineasta italiano filmou em uma carreira que foi de 1957, quando estreou com “Camping”, a 2002, quando dirigiu seu derradeiro “Callas Forever”, em homenagem à cantora lírica grega Maria Callas (1923-1977). 

Zeffirelli, que não filmou nos últimos 17 anos de sua vida, revelou em sua autobiografia, lançada em 2006, que fora apaixonado por Callas, apesar de se declarar publicamente homossexual, ressaltando a longa relação amorosa que teve com o também cineasta Luchino Visconti (1906-1976). 

Os temas que dão nome à mostra, curadoria de Sérgio Moriconi e coordenação geral de Nilson Rodrigues, estão presentes em filmes como “Romeu e Julieta” (1968), “Jesus de Nazaré” (1977) e “Amor sem fim” (1981). 

A seleção considera aspectos importantes de sua formação, como o gosto por temas históricos do catolicismo e a familiaridade com a obra de William Shakespeare, do qual foi um dos principais adaptadores para o cinema, como ressalta Rodrigues. “Zeffirelli (…)  veio da ópera e foi para o cinema pelas mãos de Luchino Visconti”, acrescenta, no texto de apresentação da mostra.

Criticado por seu gosto por melodramas e acusado de obsessão por mostrar belas paisagens em detrimento da trama de seus filmes, Zeffirelli não se limitava a isso, como mostram obras quais “Chá com Mussolini”, lançado em 1999 e que faz parte das primeiras exibições da mostra. Neste longa, o cineasta mescla turbulências da ascensão do fascismo, durante sua juventude, com lembranças de sua vida pessoal em Florença, traçando uma espécie de “semibiografia”. 

“Irmão Sol, Irmã Lua” (1975) e outra adaptação de Shakespeare, “Hamlet” (1980), também estão entre as primeiras sessões da mostra, cuja programação completa pode ser conferida no site da Caixa Cultural.

FRANCO ZEFFIRELLI – AMOR, TRAGÉDIA E RELIGIÃO NO CINEMA

CAIXA CULTURAL. Avenida Almirante Barroso, 25, Carioca (ao lado do metrô). Tel.: 3980-3815. Até 3 de novembro, com sessões começando entre 13h30 e 18h30.  Entrada: R$ 6 (inteira) q R$ 3 (meia).

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Cinema

Estreias desta semana:

Malévola – Dona do Mal
Com Angelina Jolie no papel principal, a versão cinematográfica dirigida por Joachin Ronning é a principal estreia desta quinta (17), em dezenas de salas por todo o Rio. Malévola dá início ao mal ao entrar em conflito com Ingrith (Michelle Pfeiffer), que viria a ser a sogra de Aurora (Elle Fanning), logo após ela despertar de sono profundo e, agora rainha dos Moors é pedida em casamento pelo príncipe Phillip (Harris Dickinson).

Pavarotti
Em cartaz somente em duas da cidade – na Barra e em São Conrado –, traz um olhar do diretor Ron Howard sobre o tenor italiano Luciano Pavarotti (1935-2007) que aumentou a popularidade da ópera na década de 1990, com depoimentos de parceiros, como o também tenor, espanhol, José Carreras e o vocalista do U2, Bono Vox.

Desafio de um Campeão
Estreando em salas na Gávea e em Botafogo, este drama italiano conta a história de um jogador de futebol, da Roma, que recebe a ajuda de seu treinador depois de causar problemas em campo e precisar se recuperar. 

O Enigma da Rosa
Vencedor de 30 prêmios internacionais –  de melhor filme no Festival de Cinema de Madri –, este suspense dirigido por Josué Ramos parte do desaparecimento repentino de Sara Castro (Patricia Olmedo), sem deixar vestígios. Seus pais, Oliver (Pedro Casablanc) e Julia (Elisabet Gelabert), a procuram em vão por dias a fio, até receberem a carta de alguém que afirma tê-la raptado.

(Reprodução)


Meu Nome é Daniel
Daniel de Castro Gonçalves dirige o documentário em primeiro pessoa, em cartaz na Barra e em Botafogo. Nascido com uma deficiência que nenhum médico foi capaz de diagnosticar, o jovem relembra sua infância, por registros de família, enquanto segue à busca de alguma resposta para sua doença.

(Locais e horários em links, nos nomes de cada filme)

Música

Virada Sustentável
O evento de organizações militantes por sustentabilidade reúne shows de As Bahias e a Cozinha Mineira, Lia de Itamaracá convidando Jongo da Serrinha, e batalha poética com Slam das Minas.

Circo Voador. Rua dos Arcos s/nº, Lapa. Tel.: 2533-0354. Quinta (17), a partir das 20h. Entrada gratuita, com 1 kg de alimento não perecível. 

Fabiana Cozza e Alessandro Penezzi
A cantora e o violonista homenageiam a compositora n1 do samba, Dona Ivone Lara, no show “A dama dourada”. Espaço BNDES. Av. República do Chile 100, Carioca. Tel.: 2172-7447. Quinta (17), às 19h, com distribuição de senhas a partir das 18h. 

Ian Coury e Fernando Cesar
No show “Harmonia das Cordas”, o duo de bandolinistas combina composições próprias com releituras de choros clássicos, como “Noites cariocas”, de Jacob do Bandolim.

Casa do Choro: Rua da Carioca 38, Carioca. Tel.: 2242-9947. Quinta (17), às 19h. Entrada: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia). 

Mojo Mickybo
Diego Morais dirige a peça de Owen McCafferty, em que Pedro Henrique Lopes e Cirillo Luna interpretam dois meninos que, pertencendo a lados opostos de uma cidade dividida vivem uma amizade improvável. 

Teatro XP Investimentos. Jockey Club. Av. Bartolomeu Mitre 1.110, Gávea. Tel.: 3807-1110. Sexta e sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Entrada: R$ 70 (inteira) / R$ 35 (meia). Até 27 de outubro.


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