“Gol do Bangu! Lulinha pega a sobra, bate forte e empata o jogo, aos 36 minutos do primeiro tempo. Após confusão na área, o meia pega a sobra na entrada da área e conta com o desvio no caminho para deixar tudo igual.” 

Em 31 de julho de 1985, Bangu e Coritiba decidiram a Taça de Ouro, a Série A do Campeonato Brasileiro. O belo arremate em gol, digno daquela emocionante decisão, cujo público chegaria a quase 100 mil pessoas no maior estádio do mundo, representaria a cereja do bolo de uma carreira triunfante. Lulinha não só assinalara o seu, como ainda fizera o lançamento preciso para Marinho, em condição totalmente legal, marcar o tento da vitória. Mas a jogada acabaria injustamente impugnada por Romualdo Arppi Filho, apesar da assinalação positiva do bandeirinha Osvaldo Campos. O Coritiba sairia vencedor na disputa por penalidades. 

A derrota do Alvirrubro da Zona Oeste retirou a possibilidade de Lulinha alcançar o feito inédito de vencer as três divisões então existentes do Campeonato Brasileiro. Em 1981, ganhara a Taça de Bronze, correspondente à Série C, pelo Olaria, cujo adversário na finalíssima foi o pernambucano Santo Amaro. No ano seguinte arrematou a Taça de Prata pelo Campo Grande, o qual desbancaria, na decisão, o tradicional CSA de Alagoas. Quis caprichosamente o destino que Lulinha não conquistasse o seu título mais importante. Apesar do revés, se sagraria campeão baiano pelo Vitória após sua passagem invicta por Moça Bonita.

Luiz Carlos Rebouças de Santana, carioca de Botafogo, era um autêntico meia-armador tão eficiente no combate como na criação. Certa feita, em uma de suas passagens pelo Olaria, driblou dois defensores do Mesquita e cruzou forte para Betinho fazer o gol. Destaque absoluto, foi o autor de todas as jogadas que resultaram na vitória por 3 a 0, de acordo com uma matéria do Jornal dos Sports.

Pela Seleção do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ) era sempre titular. O amigo de longa data, Bris Belga, relembra com carinho um momento especial em que participou como supervisor de uma excursão chefiada por Francisco Horta a Bordeaux, na qual o selecionado brasileiro venceu o francês por 4 a 0 com direito a um elástico sensacional de Lulinha no goleiro adversário. 

A sua longeva trajetória só encontraria fim no São Cristóvão devido a uma seríssima contusão. Caso contrário, teria jogado por mais tempo. Quem sabe, até aos 50, pois vitalidade nunca lhe faltou. Anos antes, pelo Bonsucesso, acumulara o cargo de treinador com o de jogador, prenunciando a futura função à beira dos gramados. 
“Era ótimo, pois eu mesmo me substituía quando sentia que não estava jogando bem”, ressalta com bom-humor.

A extensa lista de clubes pelos quais desfilou o seu talento é composta por Olaria, CSA, Campo Grande, Bangu, Vitória, Botafogo, Serrano de Vitória da Conquista, Fluminense de Feira de Santana, Bandeirantes (SP), Bahia, Nacional de Manaus, Operário (MS), Bonsucesso, Friburguense, Rio das Ostras (sob o comando de Dário Lourenço), Democrata de Governador Valadares e São Cristóvão. Como técnico esteve no comando do Rubro, America, Angra dos Reis, Bonsucesso, Al Town, da Arábia Saudita, e Vilavelhense.

Sobre o passado, recorda com satisfação a ótima fase em que atuou pelo Bangu, na época patrocinado por Castor de Andrade e treinado pelo saudoso Moisés, o melhor com quem trabalhou. 

“Não faltava nada àquela equipe. Doutor Castor nos fornecia todo o aparato. Éramos felizes!”, afirma. 

De fato, aquele ousado time, de 1985, foi o único capaz de unir todas as torcidas do Rio de Janeiro a ponto de lotar o Maracanã na mencionada final do Brasileiro. Tudo isso prova que o futebol não é só feito de vitórias, mas de histórias, algumas protagonizadas por esse memorável e decisivo meia habituado às decisões.



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