Trajano de Moraes é um pequeno município localizado na região serrana do Rio de Janeiro. O seu desbravamento e desenvolvimento ocorre a partir do interesse dos portugueses, então estabelecidos nas baixadas, que subiram a serra em busca de metais preciosos. Os veios de ouro inexistiam, mas havia um outro tipo de riqueza: o café. Os colonos lusitanos e a mão-de-obra escravizada tornaram a terra produtiva e extraíram grandes fortunas. Em 1881, chegavam os primeiros europeus à região atraídos pelo manancial dos cafezais.

Apesar de nunca ter contado com um time em esfera profissional, a bucólica cidade protagonizou um feito histórico através de um de seus representantes. Fundado a 16 de julho de 1971, o Centro Esportivo José Antônio Peruzzi foi criado por cinco jovens idealistas que almejavam inicialmente uma quadra de esportes. Indagaram então o padre acerca da disponibilidade do terreno onde atualmente se localiza a ‘Casa das Irmãs’. Tendo obtido autorização, utilizaram o espaço durante dois anos até que a paróquia necessitou de seu uso. Não se dando por vencidos, os bravos rapazes angariaram fundos para a construção de uma nova, à qual hoje pertence ao Hotel Trajano de Moraes. Para formalizar a criação da área de lazer, decidiram fundar um centro esportivo e homenagear o saudoso desportista Juca Peruzzi. Nascia, portanto, o CEJAP, conhecido como Águia da Serra.

Em meados da década de 80 a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro promovia e organizava anualmente, através do extinto Departamento de Futebol do Interior, dirigido por Ildo Nejar, o Campeonato Intermunicipal de Clubes Campeões. Participavam os vencedores dos campeonatos municipais e o campeão do Departamento de Futebol Amador da Capital (antigo Departamento Autônomo). A realização desse certame alternava com a do Campeonato Estadual das Ligas Municipais. 

Em 1987, cinquenta e sete agremiações provenientes de todas as regiões do estado estavam inscritas na competição. Aperibeense (Aperibé), Ipiranga e Pureza (São Fidélis), Fluminense e São Joanense (São João da Barra), Barra e Carapebus (Macaé), Outeiro (Campos), Olaria e São José (Cachoeiras de Macacu), América e CEJAP (Trajano de Moraes), Bibarrense e Boa União (Duas Barras), São João e Vila Nova (Casimiro de Abreu), São José (Bom Jardim), Nalim e Mauá (São Gonçalo), Morro Grande e Radar (Araruama), Bacaxá e Sampaio (Saquarema), Cruzeiro (Rio Bonito), São Pedro e Independente (São Pedro da Aldeia), Progresso e América (Cabo Frio), Ubatiba e Dínamo (Maricá), Suruiense e Mageense (Magé), Portuense e Cítrus (Itaboraí), Flamenguinho e Barra (Teresópolis), Paulistano e Icaraí (Niterói), Santa Lúcia (Duque de Caxias), Califórnia e Faestal (Itaguaí), Vasquinho e Éden (São João de Meriti), ADC DSP (Nilópolis), Vila de Cava (Nova Iguaçu), Floriano e Cotiara (Barra Mansa), Beira-Rio (Resende), Verolme e Novo Mundo (Angra dos Reis), Grêmio Olímpico (Mangaratiba) e Chácara (Paraty). ACET, de Volta Redonda, Nalin, de São Gonçalo, Aeroporto, de Lajes do Muriaé e CSN, de Barra Mansa, declinaram da disputa. A fase semifinal seria composta ainda pelo campeão e o vice do último certame, o Nova Esperança, de Duque de Caxias, e o histórico Cambaíba, da usina de mesmo nome, localizada em Campos. 

Após superar três cansativas fases anteriores, o CEJAP foi eliminado nas semifinais pelo Nova Esperança, ao perder por 3 a 1, em Caxias, e empatar em casa sem abertura de contagem. Curiosamente, o torneio não teria conclusão por conta de uma baixa manobra jurídica impetrada pelo Cambaíba contra o Vila de Cava, ambos disputantes da outra semifinal. No jogo de ida, em Campos, ocorreu um empate em 1 a 1. A partida de volta, programada para o estádio do Aliados, em Nova Iguaçu, acabou não sendo realizada porque os campistas alegaram falta de policiamento. Certos, portanto, de que ganhariam os pontos no tribunal, se negaram a jogar. A briga então se arrastou pelo STJD durante mais de 4 meses com direito a vários recursos, não chegando a lugar algum. A dor de cabeça na época foi tão grande que a Federação deu o certame por encerrado e não mais voltaria a promovê-lo, retornando com a organização menos complicada do Campeonato de Seleções Municipais composto pelas ligas.

No entanto, a campanha do CEJAP jamais seria esquecida. Em 19 jogos foram 14 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, sendo que nenhum revés em casa. Após um período de inatividade que perdurou por mais de 20 anos, diversos abnegados, entre os quais Álvaro Bueno, resolveram reativar o clube. O retorno não poderia ser melhor. Logo na reestréia, em 2019, o time se sagrou campeão municipal para a alegria da Família Grená, no Estádio Municipal Francisco Limongi, local de mando das partidas.

Os planos são inúmeros por parte dos novos dirigentes do CEJAP. Quem sabe, o time consiga alçar novos vôos e chegar ao profissionalismo. Mas, no momento, já é extremamente comemorada a volta da Águia da Serra ao cenário das conquistas.



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