O incontestável revés diante da Argentina na decisão da Copa América expôs a imensa fragilidade da Seleção Brasileira, que se vê praticamente exposta a mais um vexame no próximo Mundial. Ao que parece, depois do famigerado episódio dos 1 a 7 diante da Alemanha, a situação degringolou de vez para o escrete canarinho que de 2014 para cá apresenta um futebol previsível e decadente. O curioso é que não só o Brasil tem jogado muito mal em âmbito sul americano. O nível é realmente o pior possível em todos os países do continente. Vale ressaltar que a campeã Argentina, que vive dos crepusculinos lampejos de Messi, sofreu bastante para chegar à final, só conseguindo após derrotar a Colômbia nos pênaltis.

O fato é que Tite não conseguiu até hoje implantar um padrão de jogo convincente. A saída de bola é lenta, os erros de passe são inúmeros e não há a menor sombra de criatividade, um diferencial imprescindível para qualquer equipe vencedora. Não existe sequer um eficiente cobrador de faltas na equipe.

Muitos ainda insistem na tese de que Neymar é o melhor do mundo. Não é nem no seu próprio clube, visto que o francês Mbappé tem se destacado muito mais. Causou inclusive enorme polêmica a disparatada declaração de Rivelino ao alegar que o atacante do Paris Saint Germain teria vaga como titular da Seleção Campeã em 1970 no lugar de Tostão. Além de ter sido uma tremenda indelicadeza, falta de ética e descortesia com o ex-craque de Cruzeiro e Vasco, Riva ainda pecou pela visão míope. Neymar, pela bolinha que vem jogando, não teria vaga em nenhuma Copa antes de 2014. Teria ficado menos feio, embora ainda fosse igualmente absurdo, se Riva tivesse dito que Neymar poderia ter ocupado o seu lugar, não o de Tostão.

O fato é que essa estranha idolatria, que beira à histeria, se estende ainda a alguns obscuros pseudo jornalistas e comentaristas que procuram incansavelmente bajular o “menino” Neymar nesses programas televisivos de qualidade altamente duvidosa. Possivelmente almejam entrar no círculo íntimo do jogador para, quem sabe, se tornarem os novos “parças” e poderem, desse modo, desfrutar das benesses e futilidades que a opulência e a ostentação oferecem aos mais frivolos. Pior ainda foi vê-lo fingir choro após a derrota para a Argentina para logo depois ser visto às gargalhadas com Messi e outros jogadores da Argentina. Pura encenação.

O medíocre futebol da Seleção Brasileira conseguiu até unir visões normalmente contrastantes de dois ex-jogadores da Amarelinha: Romário e Casagrande. Ambos acreditam que uma mudança radical no comando técnico seria a solução, mesmo a um ano praticamente do próximo mundial. O nome preferido da dupla é o espanhol Guardiola, mas os seus altos salários seriam um grande impeditivo para a sua vinda.

Há quem considere que Tite tem os seus méritos por ter colocado o Brasil na liderança das Eliminatórias, porém percebe-se claramente um grande desnível dos sul americanos em relação aos europeus. Além disso, contrariando o desejo da torcida, Tite não escala Pedro e Gérson, insistindo irritantemente em nomes que não vem desempenhando um bom papel como Fred e Roberto Firmino.

Conforme já foi dito, não é necessário ser muito entendido em futebol para prever que o Brasil irá apenas fazer figuração na próxima Copa do Mundo. Isso se não fizer outro vexame como em 2014. É possível até que ocorra uma eliminação na primeira fase, dependendo do nível da chave.

Seria realmente traumática, além de improvável, a não classificação para essa Copa, mas talvez fosse essa a única solução para que acontecesse finalmente uma revolução total na organização do futebol brasileiro, passando por mudanças urgentes e radicais no comando da CBF e Federações estaduais que são empresas familiares que representam apenas a si mesmas. São verdadeiras oligarquias responsáveis por esse panorama aterrador que ora assola o futebol brasileiro.

André Luiz Pereira Nunes é professor e jornalista. Na década de 90 já escrevia no Jornal do Futebol e colaborava com Almir Leite no Jornal dos Sports. Atuou como colunista, repórter e fotógrafo nos portais Papo Esportivo e Supergol. Foi diretor de comunicação do America.

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