Através de dois artigos anteriores, mencionei a atual febre de lançamento de camisas retrô pertencentes a times de futebol extintos do Rio de Janeiro que tomou conta dos aficionados das saudosas agremiações de bairro.

O ex-lateral-esquerdo Luiz Fernando, conhecido como Caldeira, é um dos protagonistas dessa iniciativa. Atuando como ponta-esquerda, fez parte do time titular do Mesquita, comandado por Renê Simões, que se sagrou vice-campeão da segunda divisão do Rio, em 1985, feito notório que representou a ascenção inédita de um representante da Baixada Fluminense no Campeonato Estadual. Após pendurar as chuteiras, Caldeira ingressou nos Correios em busca de uma vida mais confortável e segura. No entanto, jamais se desvencilhou de sua antiga paixão. Por conta disso, há cerca de alguns meses, decidiu reeditar camisas de times extintos, a começar pela do Quintino Futebol Clube, equipe de pelada de seu bairro. A satisfação foi tão grande que passou a investir em outras reedições. Uma delas foi a do hoje pouco conhecido campeão carioca da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), em 1933, o Sudan Athletico Club, de Cascadura. A outra pérola é o Manguinhos Football Club, campeão da Liga Brasileira de Desportos, em 1921.

E Luiz Fernando não pretende parar por aí. O Modesto Football Club, de Quintino, bicampeão carioca, em 1926/27, pela mesma Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), é um dos próximos alvos.

De acordo com o equivocado entendimento da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) quando o Vasco, último grande, foi aceito na Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), os torneios jogados por equipes menores passaram a ser estaduais não reconhecidos pela entidade, uma injustiça que precisa ser urgentemente corrigida. Existem, portanto, seis campeões cariocas “esquecidos” e não reconhecidos: o Engenho de Dentro A.C., em 1925, o Modesto F.C., de Quintino, em 1926 e 1927, o S.C. América, de Lins do Vasconcelos, em 1928 e 1929, o Sportivo Santa Cruz, em 1930, o Oriente, em 1931, e o S.C. Boa Vista, da Tijuca, em 1932.

Falta ainda à FFERJ reconhecer os títulos cariocas vencidos, em 1933, pela Viação Excelsior (LMDT), São José de Magalhães Bastos, em 1934 (LMDT) e pelo São Cristóvão, em 1937, organizado pela Federação Metropolitana de Desportos (FMD), além dos certames da segunda divisão conquistados, em 1932, por parte do Engenho de Dentro; de 1933 vencidos por São Cristóvão (LCF) e Anchieta (AMEA); 1934 através do Brasil Suburbano (AMEA) e Modesto (LCF); 1935 ganhado pelo Engenho de Dentro e, finalmente, o de 1936, cujos campeões foram Carbonífera (LCF) e Benfica (FMD).

Para o ex-lateral-esquerdo a ação promove um importante resgate da memória, não só do futebol, como também dos bairros que sediavam essas agremiações.

A resposta tem sido muito boa, o que é ótimo, pois essa iniciativa precisa de fato ser corroborada por um determinado contingente, haja vista que a fábrica exige um mínimo de 20 camisas. De qualquer forma, estou bastante empolgado e espero que tenhamos novas surpresas“, declarou.

Oportunidades não faltarão. No rol de Luiz Fernando se encontram muitas outras equipes que praticamente caíram no esquecimento. Estão cotados Nacional de Guadalupe, Cascadura, Municipal de Santo Cristo, Atilia, Adélia, Piedade, Palmeiras de São Cristóvão, São Paulo-Rio, São Tiago de Inhaúma, Penha, Onze Rubros, de Quintino, Mavilis, Galitos, Sampaio, São José de Magalhães Bastos, Del Castilho, Abolição, Oposição, entre outros.

Quem estiver interessado em participar da confecção das camisas, o telefone de Luiz Fernando é 21 99645-0999.



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André Luiz Pereira Nunes
André Luiz Pereira Nunes é professor e jornalista. Na década de 90 já escrevia no Jornal do Futebol e colaborava com Almir Leite no Jornal dos Sports. Atuou como colunista, repórter e fotógrafo nos portais Papo Esportivo e Supergol. Foi diretor de comunicação do America.

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