Meu saudoso amigo Walquir Pimentel, ex-árbitro e dirigente, no auge da sagacidade e da experiência vivenciadas em décadas no meio do futebol, sempre me dizia que futebol se ganha dentro e fora de campo. A lição nunca me foi esquecida.

– Como assim? Não basta formar um bom time e bater impiedosamente os adversários?, perguntava.

– Não. Se um time não tem representatividade e influência junto à imprensa e aos órgãos federativos de nada adianta, reiterava.

Tal premissa me faz lembrar o Bangu, de Castor de Andrade. Em 1985, vencia os rivais, mas era extremamente prejudicado pelo juiz em momentos-chave. Tais situações ocorreram duas vezes contra Coritiba e Fluminense, respectivamente, nas finais do Brasileiro e Estadual. Alguns atletas daquela magnífica equipe acreditam que o notório bicheiro se descuidou dos assuntos externos porque confiava plenamente em seu plantel.

Outra agremiação extremamente garfada pela arbitragem foi o America, nas décadas de 70 e 80. Aliás, o ex-locutor da Rádio Globo do Rio de Janeiro, Maurício Menezes, hoje gozando da merecida aposentadoria em Juiz de Fora, declarou recentemente em uma rede social que jamais viu em sua vida equipes tão azaradas como a Portuguesa de Desportos, o America e o seu correlato genérico de Belo Horizonte. 

O Botafogo, por exemplo, é o clube que mais empatou no presente Campeonato Brasileiro: seis vezes. Teve somente uma vitória e uma derrota. Tem sofrido com uma incômoda sequência de gols anulados pela arbitragem. Agrava-se ainda mais a questão emocional, pois “O Glorioso” ainda tem  tomado gols nos minutos finais das partidas. A revolta é tanta que o goleiro Gatito Fernández resolveu dar um chute na aparelhagem do VAR após o jogo contra o Internacional, devendo ser julgado e punido pela atitude impensada. 

É possível que diante de tantos revezes, seja necessário trabalhar o lado psicológico dos atletas, pois a sucessão de tentos anulados e os gols sofridos ao fim dos jogos certamente afetam o moral do grupo.

Para se ter uma ideia, pela nona rodada do Brasileirão, o Botafogo vencia o Athletico Paranaense, em Curitiba, por 1 a 0, e quase tomou a virada nos 5 minutos finais. A equipe paranaense igualaria o marcador, aos 43 minutos, e só não venceu o rival carioca porque Nikão desperdiçou uma penalidade, batendo para fora. Em seguida, Geuvânio mandou uma bola no travessão. Para piorar, houve um gol de Bruno Nazário, aos 44 minutos da primeira etapa, anulado pelo árbitro, que deu impedimento na jogada. 

Na rodada anterior o Clube da Estrela Solitária obteve a sua melhor atuação diante do Corinthians. Só não venceu porque mais uma vez foi vítima da arbitragem, a qual concedeu um penal inexistente para o adversário. Detalhe: o sistema defensivo falhou no final do cotejo, deixando o atacante Jô livre para assinalar o gol de empate. 

É certo que Paulo Autuori terá muito trabalho para acertar o time, pois alguns de seus comandados estão em má fase. Honda ainda não rendeu o esperado. Bruno Nazário tem boa técnica, mas é instável. Kalou estreou, demonstrou qualidades, mas precisa melhorar muito a questão física. Mas pesam também as dificuldades extra-campo. Outro dia os torcedores protestaram com faixas contra o VAR em frente à sede da CBF, no Rio. Um dos dizeres era: “Igualdade de critérios para todos os clubes do Brasil.”

O Botafogo, para sair desse rol de dificuldades, precisará mesmo melhorar seu time dentro e fora de campo.



Siga nossas redes e assine nossa newsletter, de graça

Jornalismo sério, voltado ao Rio de Janeiro. Com sua redação e colunistas, o DIÁRIO DO RIO trabalha para sempre levar o melhor conteúdo para os leitores do site, espectadores dos nossos programas audiovisuais e ouvintes dos nossos podcasts. O jornal 100% carioca faz a diferença.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui