O lendário Fio Maravilha (Foto: Reprodução)

João Batista de Sales, o Fio Maravilha, foi um folclórico jogador de dentes tortos dos anos 70 que se eternizou, muito em parte, graças ao sucesso imortalizado na voz de Jorge Ben Jor, presente no disco “Ben”, de 1972. A canção tornou-se um grande sucesso no Brasil, chegando a ser entoada pela torcida rubro-negra no estádio do Maracanã. Inclusive a cantora Maria Alcina venceu o Festival da Canção, de 1972, defendendo essa música.

O que pouca gente se lembra é que Fio, por um dia, foi algoz da torcida que tanto o reverenciou. Ele foi protagonista de uma improvável vitória do São Cristóvão sobre o Flamengo por 3 a 2, em pleno Maracanã, em 29 de março de 1975, em partida válida pelo primeiro turno do Campeonato Estadual.

Em exibição de gala, o São Cristóvão proporcionou a maior zebra da rodada. Foi assim que o Jornal dos Sports definiu a surpreendente derrota rubro-negra, responsável pela queda de muitos apostadores da Loteria Esportiva.

Era a sexta rodada. O Mengo já havia tropeçado na segunda, em empate sem abertura de contagem diante do Bonsucesso, no mesmo palco, o Maracanã. Inicialmente tudo parecia caminhar bem para o time da Gávea, o qual vencia sem sobressaltos por 2 a 0, gols de Zico. Entretanto, o São Cristóvão, através de Sena, diminuiu o marcador aos 44 minutos do primeiro tempo e veio completamente diferente para a segunda etapa. Seus jogadores, imbuídos de uma incrível garra, cresceram imensamente de produção no segundo tempo. Fio Maravilha, que defendera o Flamengo de 1965 a 1973 e que, pouco mais de um ano antes, havia sido dispensado por excesso de peso, foi o destaque. Foram dele os passes para os três gols da virada: Sena aos 44′ do 1º e aos 36′ do 2º, e Santos aos 42′ do 2º tempo. Final: São Cristóvão 3 x 2 Flamengo.

Fio Maravilha nos tempos de Flamengo

Apesar de Renato praticar inúmeras defesas difíceis, o São Cristóvão impôs o seu ritmo e conseguiu uma das maiores vitórias de sua história.

Tudo leva a crer que Fio Maravilha, um atleta apenas mediano, estava realmente inspirado. Seu time não foi realmente uma sensação naquele campeonato, uma vez que chegou até a sofrer uma expressiva goleada de 6 a 2 para o Botafogo, em 10 de março de 1975. Mesmo assim, teve Sena como seu artilheiro, com 9 gols.

Curiosamente, em 27 de outubro de 1956 ocorrera o placar mais elástico da história do Maracanã: Flamengo 12 x 2 São Cristóvão. Entre 1912 e 1979, aconteceram 165 jogos entre os dois times: 111 vitórias do Flamengo, 25 empates e 29 vitórias do São Cristóvão, sendo que 20 destas 29 derrotas rubro-negras aconteceram antes de 1940, 24 delas até 1947. Ou seja, desde 1948, houve apenas 5 revezes rubro-negros, o último justamente em 1975. O São Cristóvão cairia para a 2ª Divisão em 1980, retornando em 1983 (2 vitórias do Flamengo), 1991 (1 vitória do Flamengo) e 1993 (1 vitória do Flamengo e 1 empate). No total, aconteceram 116 duelos entre as duas equipes na história.

André Luiz Pereira Nunes é professor e jornalista. Na década de 90 já escrevia no Jornal do Futebol e colaborava com Almir Leite no Jornal dos Sports. Atuou como colunista, repórter e fotógrafo nos portais Papo Esportivo e Supergol. Foi diretor de comunicação do America.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui