A nova onda de camisas retrô de times de futebol extintos parece mesmo que veio para ficar. Eu já havia anunciado essa tendência em um artigo anterior. Minha publicação pode ter antecipado uma tendência, exposto uma realidade, estimulado uma prática ou tudo ao mesmo tempo. Não importa. O que vale é a intenção e essa é das melhores.

O professor e escritor Kléber Monteiro, autor de “Da Lama à Grama, em breve finalizará um livro sobre a história do Andaraí Atlético Clube, agremiação histórica que disputou o Campeonato Carioca, imortalizada no samba de Nei Lopes devido a Dondon, jogador que defendeu as cores verde e branca nas décadas de 30 e 40. Mas que relação tem o livro com as camisas retrô? Justamente para financiar sua obra, Kléber vem produzindo camisas retrô do Andaraí e já planeja também às do Confiança, equipe rival, igualmente desaparecida do cenário esportivo que ficava sediada na Rua Silva Teles, em Vila Isabel. Confesso que apreciei tanto a iniciativa que comprei logo duas do Andaraí, atraído também pelo preço: 50 reais. Quantia extremamente em conta para uma camisa retrô que normalmente custa em torno de 150 reais.

Nascido e criado na Grande Tijuca, mais precisamente em Vila Isabel, na Rua Engenheiro Gama Lobo, tive a oportunidade de frequentar os dois mencionados espaços. Na minha época de criança o time do Andaraí não mais existia, mas seu campo, localizado na Rua Barão de São Francisco, fora adquirido pelo America. Posteriormente o espaço foi vendido para a construção de um shopping center. Já o Confiança cedeu lugar ao seu antigo inquilino, a escola de samba Salgueiro por decreto do então prefeito César Maia. O clube, que havia se profissionalizado anos antes, já se encontrava inativo. A perda da sede e campo veio então como consequência natural.

Outro a implementar camisas de times extintos é o cabofriense Flávio Rebel. Professor de Educação Física formado pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, pós graduado em treinamento desportivo pela Universidade Gama Filho e pós graduado em Futsal pela Universidade do Norte do Paraná, é um notório colecionador de camisas de futebol. Consequentemente resolveu lançar um projeto super interessante: uma coleção de camisas retrô de times, a maioria extintos e outros inativos, do antigo estado do Rio de Janeiro. Alguns inclusive se sagraram campeões do antigo campeonato fluminense de profissionais que acontecia antes da fusão dos estados do Rio e Guanabara. Entre as novidades, Rio Branco, Cambaíba, Paraíso e Sapucaia, de Campos, Central e Royal, de Barra do Piraí, Ypiranga e Fluminense, de Niterói, Porto Alegre, de Itaperuna, Internacional e Petropolitano, ambos de Petrópolis e o Miracema.

Na minha opinião, mais vale a aquisição e o uso de uma camisa de futebol que respeita e exalta a nossa história do que a adoção de indumentárias de equipes estrangeiras que nada nos representam.

Que essa saudável onda venha mesmo para ficar!

André Luiz Pereira Nunes é professor e jornalista. Na década de 90 já escrevia no Jornal do Futebol e colaborava com Almir Leite no Jornal dos Sports. Atuou como colunista, repórter e fotógrafo nos portais Papo Esportivo e Supergol. Foi diretor de comunicação do America.

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