Vanderléa S. Aguiar, nasceu em São João de Meriti, passou sua infância em Nova Iguaçu e posteriormente mudou-se para Vila Isabel, bairro carioca no qual a cultura e arte são ativos da identidade local. Mas é impossível falar sobre eles, e não pensar em Educação.

Por isso mesmo, há cerca de seis anos, a Rede Emancipa de Movimento Social
de Educação Popular chegou até o bairro, e logo, conquistou o interesse de Vanderléa.

A Rede Emancipa é um movimento social de educação popular, presente em boa parte do território nacional, que desde 2007 possibilita um trabalho voltado à educação de jovens de baixa renda e até mesmo em situação de maior vulnerabilidade, por meio da organização de cursinhos populares pré-universitários para atender à demanda represada desses estudantes pelo acesso ao ensino superior em geral, sobretudo, às universidades públicas em particular.

Vanderléa, hoje coordena de forma voluntária, o pólo de Vila Isabel, mas sua
história com a rede começou com sua experiência sendo aluna do projeto, onde
por meio de aulas assistidas, conseguiu obter uma boa pontuação no ENEM, o
que lhe garantiu acesso a uma bolsa de 70% em uma instituição de ensino
superior particular, onde está finalizando o curso de Pedagogia.

Vanderléa, que também exerce em seu dia-a-dia, o papel de agente de educação infantil relata que o propósito do trabalho ultrapassa as questões meramente didáticas e conteudistas. Ela explica que o projeto tem todo foco no desenvolvimento pleno da cidadania, conscientizando e desenvolvendo um pensamento crítico, que irá possibilitar a juventude ter mais nitidez, não só com relação aos seus direitos, mas também seus deveres como integrantes de uma sociedade.

Além das aulas tradicionais, o projeto idealiza Círculo de Debates, com temas contemporâneos, com convidados de grande envergadura acadêmica, que expõem pensamentos e induzem a participação dos jovens, que acabam,também, por si só, sendo vetores de reflexões para sua própria família e comunidade.

Vanderléa relata que acredita que “ao fazer algo concreto, incentivando a juventude, sobretudo àqueles que enxergam a entrada em uma universidade como algo muito distante, gera potencializadores de mudanças, não só individual, mas de toda a coletividade também.”

Na última aula inaugural, presencial, no teatro UERJ, na primeira quinzena de
março de 2020, participaram 1.000 possíveis alunos. Contudo, com a pandemia, o trabalho presencial foi interrompido e outras metodologias ganharam projeção, para minimizar os efeitos causados pela interrupção temporária das atividades tradicionais. Uso de canais no Youtube e desenvolvimentos de podcasts foram algumas das soluções encontradas para
darem a continuidade ao projeto, até porque, diferentemente com o que presenciamos, a Educação é vital demais e não pode ser paralisada e muito menos deixada como algo secundário, de forma interina.

Em função do público que atende, Vanderléa S. Aguiar, identificou a problemática vivenciada pelos alunos e seu núcleo familiar e logo, iniciou também campanhas solidárias, que hoje, tem o espaço da Associação dos Moradores do Morro dos Macacos, como centro aglutinador de ações como a oferta de kits de higiene, cestas básicas e a iniciativa de promover uma renda básica permanente.

Todas as iniciativas do Emancipa de Vila Isabel não possuem um patrocinador único, mas, conta, sim com a boa vontade, perseverança de voluntários e doadores que sabem que a contribuição de cada um é que faz toda a diferença na busca de uma sociedade mais justa, igualitária e feliz.

Quem quiser conhecer mais esse trabalho é só buscar no facebook @emanciparj, informações mais detalhadas, já que o pólo de Vila Isabel é apenas um dos que existem no estado do RJ.

E a boa surpresa, é que trajetórias como a da Vanderléa estão a cada dia tornando-se menos ficcionais e mais reais, já que é notório que a Educação a todos e a tudo transforma.

Andréa Nakane
Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.

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