Marcelo S. Oliveira, um carioca da gema, nascido no bairro de Bonsucesso e atual morador de Del Castilho, sempre teve sua vocação orientada no servir ao próximo.
E justamente por isso uniu em sua trajetória ocupacional o exército brasileiro e a atividade de Relações Públicas, evocando a essência simbólica da profissão que é de construir pontes, no lugar de muros.

Foram muitas as conquistas e aprendizados desenvolvidos ao logo de sua carreira, porém uma delas o marcou de forma mais acentuada, demonstrando sua capacidade de adaptação e total empatia para com a dor alheia.

Em 2009, Marcelo S. Oliveira decidiu voluntariar-se em uma missão de força de paz no Haiti, já que o exército brasileiro, desde 2004, já estava instalado no país, pois atravessava momentos de muito caos e tumultos públicos. em decorrência de uma guerra civil.

Após um intenso processo seletivo interno e rigoroso treinamento, supervisionado pela
Organização das Nações Unidas, Marcelo S. Oliveira, recebeu o aval para dirigir-se ao país e juntamente com seus colegas de escala participar ativamente do processo de reintegração da ordem e da cultura de paz.

Foi exatamente esse cenário que Marcelo S. Oliveira encontrou em sua chegada no país. Tendo sido escalado para atuar como Relações Públicas, ele lembra que fez de tudo um pouco na devastação do território, foi correspondente, escriturário, limpou ambientes dos
escombros, carregou tijolo, caixas, abriu valas para funerais coletivos e até mesmo transportou corpos sem vidas.

O número oficial de mortos pelo terremoto chegou a contabilizar cerca de 300 mil pessoas,
incluindo 21 brasileiros (18 militares e 03 civis) integrantes da missão brasileira que lá estavam no momento do acidente.

Durante as semanas seguintes, Marcelo S. Oliveira lembra de cenas de pessoas perplexas
vagando sem direção pelos ambientes completamente destruídos, sem esperanças visíveis em seus rostos. E era exatamente esse sentimento que a delegação brasileira buscava despertar no povo tão sofrido, apesar de todas as intempéries e condições adversas.

O que mais lhe chamava a atenção eram as crianças órfãs e os abrigos que foram construídos, alguns se transformaram em creches, nos quais a equipe que Marcelo S. Oliveira semanalmente atuava e acabava trocando estímulos revigorantes.

“A resposta das crianças era algo emocionante, pois eles nos acolhiam de uma forma tão
transcendental, e nos davam forças para continuarmos enfrentando a batalha junto com eles…por isso que realmente … esses pequeninos representam a fé em um amanhã mais digno, justo, a esperança de tudo!” declara Marcelo S. Oliveira.

Logo, a missão militar do Brasil tornou-se uma referência, sendo inclusive alvo de estudos,
pelo seu espírito solidário e de total interação com a população local, uma verdadeira aproximação de identidades culturais, construída com muita confiança, transparência e
genuíno interesse em colaborar para uma reconstrução.

Marcelo S. Oliveira explica que essa peculiaridade é muito do povo brasileiro, sobretudo
cariocas. “Muitos aspirantes a militares, ao ingressar nas Forças Armadas, estão acostumados a viver em comunidades com inúmeras dificuldades e já trazem em sua bagagem esse vivência, de ter um olhar mais atencioso e colaborativo.”, conta ele.

Marcelo S. Oliveira ficou oito meses nessa batalha dura, longe da família, com todas as
restrições de conforto, buscando entre seus colegas de pelotão fortalecimento de suas crenças e da própria sanidade mental, para que, unidos, pudessem atender a demanda constante de ações solidárias, visando dar continuidade a missão que lhes foi outorgada.

Atualmente, após 30 anos de serviço militar, Marcelo S. Oliveira preside o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas – CONRERP1 RJ e é empreendedor na área de Energias Renováveis -energia solar, mas sempre busca transmitir essa vivência do Haiti aos seus colegas, amigos e a sociedade em geral.

Na bagagem de volta, Marcelo S. Oliveira, trouxe inúmeros ensinamentos e reflexões, e entre as certezas adquiridas está a que a vida pode transformar-se em um segundo, por isso é importante valorizar tudo o que somos e temos, como por exemplo, a dádiva de morar em uma cidade abençoada, como o Rio de Janeiro.

Eterno apaixonado pelo Rio de Janeiro, Marcelo S. Oliveira, faz questão de ser um verdadeiro incursionista, ou seja, um turista nativo que faz questão de visitar os atrativos do município. E afirma que o espírito do povo carioca, é realmente, incomparável, que não deixa-se abater por dificuldades, sempre disposto a dar a volta por cima, sempre com uma palavra positiva.

Marcelo S. Oliveira frequentemente se emociona com a figura do Cristo Redentor,
imponentemente no alto do Corcovado, sempre com os braços abertos, para receber todos,
igualitariamente, sem exceção, acolhendo de forma sublime quem chegar.

E foi exatamente com essa postura que ele, Marcelo S. Oliveira e os demais admiráveis
brasileiros, que representaram a nação no Haiti, demonstraram de forma muito prática e
fraterna que a missão de todos nós é justamente estender a mão e propagar a cultura da paz.
A começar em nossa própria cidade.

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