Wellington Souza Inocêncio, conhecido como Mosquito, no meio do showbusiness, tem 53 anos e seu coração dividido entre Cabo Frio, onde nasceu e a cidade maravilhosa, no qual se mudou ainda bem menino.

O seu apelido escolhido por nada mais, nada menos, que Zeca Pagodinho, evoca sua destreza e rapidez para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, para deixar o palco dos artistas com quem trabalha, perfeitamente adequados para que o show seja excepcional, no que diz respeito ao som e iluminação, e o que mais for preciso.

Mosquito é diretor de palco, produtor e roadie. Para quem desconhece esse termo, o Roadie é uma das figuras mais importantes de uma equipe de espetáculos. Ele é um técnico que acompanha as montagens e desmontagens dos espetáculos, garantindo que tudo esteja adequado para a performance dos músicos e cantores. Inclusive, no decorrer de um show, o roadie também permanece disponível para qualquer eventualidade ou necessidade extra em cima do palco.

Como a maioria de sua categoria, na pandemia do Covid-19, Mosquito teve sua agenda de compromissos interrompida ao lado de nomes consagrados do universo artístico nacional e internacional.

Ele já trabalhou com nomes como Simone, Ney Matogrosso, Jonnhy Alf, Lenine, Angela RoRo, Lecy Brandão, Thiaguinho, Chico Buarque, Gal Costa, Ivan Lins, João Bosco, entre tantos outros. E na esfera internacional conta com trabalhos para Mariah Carey e Buena Vista Social Club.

Acompanhando inúmeros artistas na estrada, Mosquito já vivenciou muitas histórias, mas nada supera a que culminou em um infarto nos Estados Unidos, em 1998, aos 32 anos, quando acompanhava a Cigarra da MPB, Simone em tournée internacional. 

Ele estava trabalhando em Miami, acertando os detalhes do show da cantora, que nesse dia recebia uma plateia muito seleta, incluindo Quincy Jones e Whitney Houston, seu mau súbito ocorreu exatamente em cima do palco, recebendo os primeiros socorros na coxia, de forma muito discreta, já que manteve seu senso de profissionalismo e não queria de forma alguma gerar preocupação adicional. 

A própria cantora só foi informada sobre o fato ao término, quando o mesmo já estava internado e muito bem atendido, demonstrando, posteriormente, todo o seu zelo e cuidados com ele, a quem chama de “fio” e ele de forma recíproca a chama de “mainha”, em uma relação de muitas décadas de convivência.

Mosquito declara que: “a música é a minha vida, tudo que tenho, veio da música… comecei como discotecário, quebrei a tradição de uma carreira militar, porque quis abraçar a música, que é a minha vida…sem ela eu não sou eu.”

Ele inclusive dá boas dicas para quem almeja começar na profissão, orientando que é preciso ter muita determinação, gostar muito da área, ter intensa disciplina e sempre querer aprender, pois novidades nesse setor não faltam, sobretudo quando fala-se em tecnologia de som e instrumentos.

Mosquito é muito espiritualizado e tem se confortado muito na fé, nesses tempos obscuros de pandemia. Ele é solidário aos seus colegas de profissão e inclusive não titubeou em compartilhar uma grande colaboração que conseguiu ao ter acesso por meio de uma Organização Não Governamental (ONG) internacional, chamada New Creation. Essa instituição, por meio da avaliação de um cadastro dirigido ao meio artístico ajudou inúmeros profissionais de bastidores da área com uma renda de suporte durante o auge da pandemia.

Ele diz que a classe é guerreira e tem muita esperança de um retorno em breve. Alguns trabalhos já surgiram, todos com muita cautela, o que lhe permite vislumbrar um início de horizonte auspicioso.

O mesmo que ele deseja para a cidade do Rio de Janeiro, livre da violência absurda que a assola, já que seu astral é contagiante e sendo a cidade vitrine do Brasil não pode ficar à deriva.

Mosquito, em 2019, ganhou o prêmio de melhor Roadie, concedido pela IATEC e Sesc RJ e teve nessa noite os aplausos somente para ele… e é exatamente essa emoção, essa sonoridade que queremos, em um futuro próximo, ouvir… o bater de palmas, os sorrisos nos rostos, as luzes se acendendo, as notas musicais vibrando, os cantos emocionados e a gente acumulando doses de felicidade.

Como os artistas com quem trabalha, Mosquito também necessita estar no palco, seu templo de labuta, sua conexão com o divino, sua própria vida. 

2020 marcou um temporário retiro do entretenimento ao vivo presencial, mas ressoam boas novas… e logo, logo, voltaremos a pedir bis! Afinal, The Show Must Go On!

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.

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