Cristiane Pereira tem 46 anos, é natural do Rio de Janeiro e moradora de Laranjeiras, aprazível bairro, que entre tantas especificidades, tem em seu território, o Palácio Laranjeiras, construção de 1914, que traduz uma colossal representação de luxo associado ao poder, já que a edificação foi designada também para ser a residência oficial do governador do estado.

Tal opulência presente no bairro, convive e, em muitas vezes, sem o menor pudor, com a crescente população moradora de rua,  que não recebe a devida assistência e amparo dos governantes.

O Terceiro Setor, que mobiliza a própria sociedade civil, tem trabalhado incansavelmente para atender a essa demanda que na pandemia se ampliou de forma avassaladora. Mas, em muitos casos, não é suficiente.

Cristiane Pereira, que é podóloga, e logo no início da pandemia, ficou sem poder trabalhar por mais de um mês, começou a prestar mais atenção nas ruas do seu bairro e acompanhar o surgimento ainda mais massivo de pessoas que não só circulavam, mas como viviam pelas ruas de Laranjeiras.

Ela sempre teve uma intenção de fazer algum trabalho social, e percebeu que naquele momento era a hora de arregaçar as mangas e ajudar dentro das suas possibilidades.

E em suas andanças, com toda a segurança pelo bairro, percebeu que a demanda imediata era justamente saciar a fome.

Eu nunca passei fome, mas me incomodo com a falta de uma política para ajudar essas pessoas, senti a necessidade de ajudar apesar de ser um trabalho de formiguinha.” Afirma Cristiane Pereira.

Ela organizou dois dias de sua semana para essa sua ação social voluntária, fato possível em função de sua vida profissional autônoma, que lhe possibilita planejar uma agenda de atendimento aos clientes de forma menos engessada.

Cristiane Pereira começou com seus próprios recursos, oferecendo lanches às quartas-feiras e almoço às sextas-feiras. Logo conseguiu atrair não só doações de alimentos, mas também de voluntários para ajudar na distribuição dos mesmos.

Ela continua com esse trabalho desde então, há mais de 14 meses, muitas pessoas já ajudaram, mas Cristiane Pereira batalha semanalmente para continuar com sua ação. Ela usa as redes sociais, para divulgar esse trabalho e angariar doações.

Essa ação me fez ver de perto à realidade,  conhecer e  conversar com eles, além de ter me transformado em um ser humano  melhor, me faz muito bem saber que vou matar à fome de 50 a 60 pessoas em média”, declara Cristiane Pereira.

E com sua intervenção social, Cristiane Pereira já conseguiu, inclusive, direcionar uma mulher da rua a encontrar a dignidade de um lar, além de ter conseguido  outros tipos de doações como utensílios domésticos, até geladeira e botijão de gás.

Cristiane Pereira, que acredita muito na sua fé e em Deus, não pretende parar enquanto essas mazelas estiverem latentes na sociedade. E ela é um exemplo perfeito, de que cada um de nós, pode fazer algo. E que não há ação pequena ou de pouco significado. O pouco que cada um faça, será muito para muitos.

A impotência que nos restringe é algo que pode ser contornável, depende justamente da não alienação e sobretudo da dinâmica, que estivermos dispostos, a movimentar.

A inércia endurece nossa humanização, porém a atitude confirma nosso perfil social de pura empatia, palavra que está na moda, mas que precisa efetivamente ser colocada em prática.

Quer ajudar? A Cristiane Pereira pode ser uma inspiração … ela também precisa de doações de alimentos e principalmente, com muita responsabilidade, pessoas que possam atuar na entrega dos alimentos. Fica o contato dela: @cristiane.pereira.771.

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.

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