Andréa Nakane: Papai Noel em cada um

Colunista do DIÁRIO DO RIO fala sobre Tales Ferreira da Silva, que nos meses de novembro e dezembro se transforma no bom velhinho

Tales Ferreira da Silva, 79 anos, é natural do Rio de Janeiro e morador de São João de Meriti, depois de anos e anos de muito trabalho como contador, atualmente está aposentado e nos meses de novembro e dezembro tira do armário sua roupa e acessórios que o transformam no bom velhinho, presente na imaginação de muitas crianças, e, é claro, de muitos adultos que mantém viva a fantasia em si.

Estamos falando de Papai Noel.

Isso mesmo, Tales Ferreira da Silva há 32 anos, ainda na época ativa de funcionário de uma grande multinacional fazia a alegria da criançada do Jardim Metrópole, vestindo-se de Papai Noel e comprando, com seu próprio dinheiro, brinquedos e doces para a garotada.

A tradição começou em sua própria casa, já que Tales Ferreira da Silva tem 10 filhos, e hoje sua família conta com mais 04 netos, 01 bisneto e 01 tataraneta. Porém, nos dois meses que antecedem o Natal, eles sabem que raramente vão contar com a presença do familiar ilustre, que cumpre uma agenda lotada de eventos, visitas e até vídeo chamadas.

Sim, Tales Ferreira da Silva aderiu as vídeoschamadas desde o ano passado em função da pandemia e manteve essa opção também, proporcionando que mais pessoas contem com sua presença, mesmo que virtual.

Em suas aparições, Papai Noel Tales, além de conversar com as crianças, canta músicas natalinas famosas e até mesmo criações suas.

Em seu longo histórico de Papai Noel, Tales Ferreira da Silva já contempla atuações em shoppings centers, residências, escolas, restaurantes e em comunidades.

O maior desafio no Natal dos trópicos para Tales Ferreira da Silva diz respeito a sauna que faz… pois com a indumentária do Papai Noel, o calor acaba se tornando algo na beirada do insuportável e para isso hidratação é a receita ideal.

Tales Ferreira da Silva integra juntamente com cerca de 50 membros, a escola do Papai Noel e desde 2007 ele compartilha seus conhecimentos com os novos que estão chegando e querem abraçar essa atividade, que além de reforçar a renda no período, traz muita satisfação e prazer nessa prática.

“Eu fiz uma promessa… quando eu completasse 80 anos, eu iria parar de vez com essa história de Papai Noel… mas já vislumbrando a chegada dessa idade, no ano que vem… eu confesso que vou ter que quebrar essa intenção… pois não vou conseguir ficar sem essa alegria. Eu sei que levo emoções à vida de muitos, mas vocês não imaginam o quanto me faz feliz também.” confessa Tales Ferreira da Silva.

E nessas mais de três décadas de atuação, Tales Ferreira da Silva, tem muitas histórias… algumas hilárias, outras, que deixam nossos corações apertadinhos, incluindo crianças pedindo que traga de volta pais que já faleceram, comida para uma ceia farta e até mesmo empregos para seus provedores.

“Eu tinha sido contratado para um evento em uma comunidade, por uma prefeitura da baixada fluminense, mas enquanto a programação não se iniciava, eu fui tomar um café em um bar próximo. Eu estava sem roupa, só a barba, que é minha mesma, me acompanhava e de repente, uma menininha, bem magrinha, deveria ter menos de dez anos, veio em minha direção dizendo que eu tinha cara de Papai Noel… eu neguei… e ela insistiu e disse que veio de longe, mas não tinha conseguido pegar a senha para participar da festa… então, ela iria fazer ali mesmo seu pedido, pois algo lhe dizia que eu era Papai Noel… ela então tirou de uma sacola de plástico, onze certidões de nascimentos… ela queria pedir para que eu não esquecesse de seus 11 irmãos, que sempre pediam presentes e não recebiam… nessa hora tive que conter as lágrimas… segurei nas mãos dela e pedi que mantivesse sua fé… imediatamente fui falar com os assessores do prefeito…e rogo à DEUS, que eles tenham acolhido essa menina… depois não consegui mais localizá-la junto a multidão.” relata emocionado Tales Ferreira da Silva.

A agenda de 2021 foi repleta, com a vacinação em massa, inclusive do próprio Tales Ferreira da Silva, as pessoas estão buscando confraternizações e a inclusão da fantasia nunca se fez tão necessária.

Somente no dia 24, véspera de Natal, Tales Ferreira da Silva, tem 08 visitas programadas. Geralmente sua esposa o acompanha e no lugar das renas, ele usa o aplicativo de transporte para ganhar tempo. Mas categoricamente, ele fala que em suas mãos está uma pelúcia de rena, para garantir a ilusão da criançada.

Papai Noel Tales ficou ainda mais conhecido, em 2019, quando topou participar do quadro Entrevista com Especialista do programa de Tatá Werneck. Porém, além das boas risadas da própria apresentadora, o programa acabou por lhe trazer uma decepção: no dia seguinte foi demitido do shopping que trabalhava, pois não gostaram da performance dele no programa, considerando inadequada, sem entenderem o viés hilário da atração.

Quem quiser acompanhar a jornada do Papai Noel Tales é só acompanhá-lo nas redes sociais @noeltales

Gostaríamos de homenagear na figura representativa de Tales Ferreira da Silva, todos que usam não só a vestimenta de Papai Noel e nos possibilitam entrar na imaginação doce e esperançosa de sua figura, mas também àqueles, que mesmo não vestindo vermelho e branco, tornam-se presentes na vida de tantos, que por ventura estejam marginalizados e/ou sem condições de terem uma noite digna de paz e amor. O pouco que oferecemos, com certeza, faz toda a diferença e torna-se dádiva muito especial.

O espírito do Natal precisa perdurar o ano todo e ele combina tanto com o espírito do carioca.

Vamos manter essa luz do dia 25 de dezembro por todos os demais dias do ano, acreditando em Papai Noel e sobretudo em sua própria força para nos guiar rumo a dias melhores, mais justos, igualitários e felizes.

Um Natal mágico, com Papai Noel e tudo que temos direito!

Andréa Nakane é carioca, apaixonada pela Cidade Maravilhosa, relações públicas, professora universitária, Doutora em Comunicação Social e Mestre em Hospitalidade.Embaixadora do RJ. Vive há 20 anos em Sampa e adora interagir com pessoas singulares que possam gerar memórias afetivas construtivas.
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